Sex And The City 2: as personagens voltam a ter “alma”

Era uma vez quatro amigas que viviam em Nova York.
Carrie Bradshaw é escritora famosa, dona de dois livros de sucesso. O primeiro foi uma coletânea de suas colunas de comportamento publicadas semanalmente num periódico de Manhattan.
Elas relatavam sua vivência, com mulher solteira e de 30 e poucos anos entre o final da década de 90 e começo do século.
Apaixonada por calçados, ela gasta horrores para manter seu guarda-roupa abastecido com as últimas novidades da moda.
Contemporânea, não teme as loucurinhas dos estilistas e ainda sabe misturar peças hypadas com marcas populares. E, o resultado, surpreende.
Na vida pessoal… Depois de anos de um relacionamento de vem e vai com um executivo de Wall Street, finalmente consegue fisga-lo.
Dois anos depois, Carrie está lançando seu terceiro livro, relatando sua experiência com o casamento.
Clássica
Carrie tem três amigas: Charlotte, Miranda e Samantha.
A primeira é uma mulher clássica e elegantemente sóbria. Jackie Kennedy e Grace Kelly são suas referência de estilo.
Ao contrário de suas amigas, é uma mulher romântica e sonhadora.
Tanto que, para horror das feministas de plantão, abandonou sua carreira (Marchand) em troca de um casamento, com direito a duas filhas (uma adotada).
Depois de duas maternidades… Sua vida de casada está ótima.
Ela tem um marido apaixonado… Mas criar duas crianças pequenas não é muito fácil… Para isto, Charlotte York contrata uma babá irlandesa, que tem o hábito de andar pela casa sem sutiã.
Workaholic
A segunda amiga que Carrie conheceu em Nova York foi a Advogada Miranda Hobbes.
Herdeira dos Yuppies dos anos 80, a racional ruiva sempre colocou sua carreira acima da vida profissional. Durante anos, isto funcionou.
Até que, por um imprevisto do destino, engravida de garçom de um bar noturno… Ela resolve ter o filho. Depois de uma longa temporada, eles se casam e se mudam para o subúrbio.
Mesmo assim, continua a trabalhar.
Logo, ela religa o botão da profissional que colocava a vida pessoal em segundo plano e deixa a família em segundo.
Sexy
E, finalmente, a terceira amiga que Carrie conheceu em Nova York, foi Relações Públicas, Samantha Jones.
Com uma autoconfiança que assusta, Samantha é uma mulher de 50 anos, sexy, divertida e muito confiante.
Nunca teve receio de vivenciar sua sexualidade de forma plena e saudável.
Por sua cama passaram diversos homens (e mulheres), de idades e tipos diferentes, que serviram apenas para satisfaze-la, sem maiores envolvimentos. Até que ela se apaixonou por um aspirante a ator, Smith Jarrod.
Com sua ajuda, ela o transforma em astro de cinema.
Resolvem assumir o namoro.
De repente, porém, Samantha viu sua vida se transformar em algo que nunca quis: esposa. Pior: esposa de ator, que trabalha em variados países! Deixando-a, boa parte do tempo, sozinha.
Durante um tempo, ela resistiu. Até que se cansou e se separou.
Hoje, Samantha é uma mulher de 52 anos, que começa a sentir os efeitos da menopausa. Para evitar os efeitos da fase, toma uma bateria de vitaminas, entre outras coisas.
Viagem
Há muito tempo, as quatro amigas descobriram o quanto a amizade era importante. Para isto, com todas as atribulições das vidas, elas estão sempre juntas.
Quando Samantha é convidada por um Sheik a passar alguns dias em seu hotel em Adu Dhabi – capital e segunda maior cidade dos Emirados Árabes, ela convoca as quatro amigas para acompanha-la.
Mesm com o susto inicial, ela topam. Afinal de contas: tudo será de graça!
Lá, diante de tamanha opulência e grandiosidade típica dos milionários, o que poderia dar errado?
Alma
Esta introdução serve para entender um pouco do universo de Sex And The City 2 – que acaba de chegar as telas do país.
O primeiro filme foi um incrível sucesso – U$ 450 milhões de dólares de bilheteria. Naturalmente que teria uma sequência.
Contudo, apesar de empolgar os fãs das seis temporadas da série da HBO, o filme foi uma decepção.
O principal erro foi transforma-las em pastiches das personagens da série, sem alma e sem essência.
Sex And The City, o Filme se preocupou apenas com o lado glamoroso, como um longo desfile de roupas e belos cenários de Nova York e nada mais.
Só para citar um exemplo: a Samantha do primeiro filme parece a irmã recalcada e infeliz da Samantha da série.
A sensação era de um doce com muito açúcar. Pior, parecia mais uma comédia romântica de Hollywood! E Sex And The City nunca foi apenas isto!
Sim, as roupas e acessórios das personagens eram importantes, contudo, eles serviram para contar uma estória e não ao contrário.
Com esta primeira experiência, quando surgiram os primeiros rumores de uma continuação, confesso que esperava outra decepção. Afinal, se o primeiro filme foi aquele suflê de chuchu murcho, o que poderia ser o segundo?
Sequência
Então… Eu me enganei. Ainda bem, né?
Sex And The City 2 é ótimo. O filme tem luxo, sofisticação e opulência de um mundo dos sonhos – no caso, as locações de Adu Dhabi – mas as moças voltaram a ter alma e exatamente por este motivo, que a trama se desenvolve. E bem.
Diante dos excessos daquele mundo distante e fantasioso, se esconde uma realidade cruel para as mulheres, que praticamente, nem são cidadãs. Somente as estrangeiras não precisam usar as burcas.
Esse é um dos pontos positivos do filme, pois isto as colocará em conflito com as vidas que as quatro moças deixaram em Nova York.
Carrie leva uma incerteza sobre a felicidade de um casamento. Ela está na famosa “zona de conforto”. Tudo parece certo, mas o tédio é uma constante. Ela ama o marido, mas aceita o flerte quando reencontra Aidan, um ex-namorado, que foi muito importante em sua estória.
Charlotte deixou o marido ao lado das filhas, sob cuidado de uma babá com forte apelo sexual. Ao mesmo tempo que se dilacera de ciúmes, ela percebe que, no fundo, não quer mudar a situação.
Longe da rotina doméstica de mulher suburbana – marido, filho, empregada e da luta diária com a ferocidade do mercado de trabalho, Miranda percebe que foi perdendo o humor. Pois, ela percebe que mudou inteiramente seus planos diante de um projeto de vida que nunca desejou.
Enfim, a primeira vista, Samantha parece ser a única a não se afetar pela novidade do lugar, contudo, quando suas “drogas” contra os efeitos da menopausa são apreendidas no aeroporto, ela já avisa que não poderá se responsabilizar por seus atos.
Não vou contar aqui o que acontece, mas saiba que exatamente ser quem ela é, que a viagem toma um rumo inesperado.
Sex And The City 2 tem glamour, diversão (o casamento gay é um freak-show!), luxo (os figurinos estão a favor das personagens – não o contrário), mas também emociona e, como a série de sucesso, provoca reflexão.
(Artigo assinado por Jorge Marcelo Oliveira)

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