Saiba o que é um atendimento BOCA-DE-PORCO

Nos últimos quatro anos, sou convidado por um fotógrafo muito bacana de Campinas para produzir um trabalho para sua exposição anual.
Os temas são relativamente livres, seguindo apenas um ponto de partida.
Além de mim, são convidadas outras pessoas, algumas são ligadas a moda e publicidade e outras, que gostam do assunto.
A única regra é ser criativo.
O resultado deste trabalho foi exposto num determinado estabelecimento comercial no Cambuí. 
O vernissage reúne uma fauna daquilo que, poderia ser conhecida com, os descolados da cidade.
Como eu, alguns colegas participantes são formadores de opinião, que atraem atenção – tanto de mídia, quanto público.
Gosto de ver meu trabalho exposto. Mesmo que as fotos não tenham crédito e, salva raras exceções, ninguém sabe qual eu fiz.
Além do mais, participo em respeito ao trabalho de todos os envolvido na produção.
Problemas
Contudo, até hoje, toda vernissage foi um dilema.
Por um lado, reunir no mesmo espaço amigos e colegas de trabalho é bacana.
Por outro, a irritação é uma constante pelo caos que é o atendimento do local.
Todas as vezes que fui – e não apenas nos vernissages com produções que participo – eu sou pessimamente atendido.
Conseguir uma bebida é um parto. Comer algumas das supostas comidinhas, então, nem pensar.
Fico tão envergonhado, que, anualmente, quando convido meus amigos e colegas, já alerto sobre o que esperar.
Mesmo assim, ainda me engano que este ano a casa vai mudar. Infelizmente, porém, sempre é igual.
No término das tais vernissages, vamos comer em outro local.
No começo, até comentei com alguns colegas participantes da exposição sobre o que acontecia.
Alguns, habitués da casa, justificavam que a casa não comporta a quantidade de pessoas que aparecem nos dias do coquetel… Que o staff não dá conta… Que é pouca bebida… Pouca comida…Blá-blá-blá..
Só que nada se justifica.
Semanalmente, sou convidado a uma ou duas festas.
Em todas, com lotação ou não, o atendimento é correto – em alguns casos, impecável. Aqui, nesse estabelecimento, isto é IMPOSSÍVEL.
Aniversário
Anyway… Mesmo com este histórico – e na tentativa de dar mais um crédito ao local – no ano passado, resolvi comemorar meu aniversário lá.
Diferente de outros locais, porém, a casa não oferecia nada. Nem desconto, nem bolo. Nada. Mesmo assim, aceitei.
Convidei 20 pessoas – meu namorado, minha mãe, amigos e colegas da minha mais alta estima.
Chegando, sou informado que a casa não forneceria comanda individual.
Perguntei o motivo, a garçonete apenas respondeu que era ordem da casa.
Certo. Como estou num grupo de amigos e colegas de trabalho muito próximos, não vai dar nada de errado.
Pouco depois, uma das minhas convidadas – que era habitué do lugar, surgiu com uma comanda individual…
Enquanto estava consumindo, tudo ocorreu sem problemas. Pensei: a casa só consegue apresentar um atendimento correto quando você é pagante.
Aí… Na hora de pagar a conta…
A garçonete explicou que cada um poderia ir ao caixa, pagar o que consumiu, pegar o comprovante e me entregar. Assim, eu teria em mãos o controle do que foi pago.
Isto funcionou nos primeiros, mas, num determinado momento, os últimos foram informados que o computador, a impressora ou sei lá o que, deu pane e ele não poderia mais emitir recibo – ou cupom fiscal…
Nesta hora, eu já estava na fila e tinha certeza que daria algum problema.
Confirmando o óbvio, o problema custou R$ 180,00, que segundo a pessoa do caixa, era o que faltava ser pago.
Falei que era impossível, uma vez que todo mundo pagou e, eu, meu namorado ou minha mãe consumimos refrigerante e apenas um prato de entrada.
A pessoa do caixa nem piscou diante do que falei. Pedi para chamar a gerente. Fui informado que ela não poderia atender.
Muito a contragosto, pagamos a conta.
Quando saímos, contamos para os amigos que nos esperavam e eles queriam voltar para descobrir o que acontecer para poder dividir a conta por igual.
Como minha mãe já estava cansada, resolvemos não fazer nada.
Para mim e para meu namorado, apenas uma certeza: fomos enganados! Não pisaremos mais neste local!
Última tentativa
Contudo, contrariando o nosso desejo, meses depois, voltamos por causa do vernissage da nova exposição – que novamente estava participando.
Confirmando o óbvio: o atendimento foi ridículo. Pior, desta vez, nem um copo de água foi servido… Comer, então, nem pensei.
Se eu fosse o único, estava começando achar que era racismo, pois, somente isto explicaria tal descaso comigo.
Ao contrário do que algumas pessoas poderiam imaginar, até então, não escrevi uma linha sobre as estas baixarias.
Mas tudo tem um limite.
Sabe da penúltima?
Em maio passado, novamente fui convidado para participar da nova exposição do fotógrafo.
E novamente fui informado que o vernissage seria lá.
Apesar do tudo, aceitei  – principalmente porque o tema era cinema. Mesmo sabendo que eu não iria participar do vernissage e muito menos veria a exposição nos dias seguintes…
Questionado pelo fotógrafo, contei o que aconteceu no meu aniversário. Ele não sabia e ficou visivelmente chateado.
Perguntou se não me importava que ele contasse para o dono do local, que, certamente, não sabia do que aconteceu.
Concordei e não voltei a pensar no assunto.
Aí…
Como a foto da minha produção era externa, o tal estabelecimento serviria para montar o camarim. Profissional como sou, passei por cima da minha irritação e fui.
No final da sessão de fotos, a gerente do local me procurou, para, segundo ela, justificar seu desconhecimento, explicar que a casa mudou o staff e se desculpar pelo ocorrido.
No final, ela fez um convite para eu e meu namorado jantarmos no estabelecimento, com direito a bebida. Tudo por conta dela.
Muito a contragosto e sem olhar na minha agenda, aceitei. Marcamos para a terça-feira, dia do primeiro jogo do Brasil na Copa.
Neste dia, logo pela manhã, ansioso de como estaria a cidade caso o país vencesse, envie um torpedo para a gerente, explicando que não iria e avisando que poderia ir numa outra data.
Recebi a seguinte resposta: “Ok”.
Não teve um “não tem problema”, “entendo”, “um abraço” ou “beijo”. Nada. Apenas “OK”.
Disposto a esquecer, eu nem liguei mais.
Ai…
Sabe da última?
Na semana passada, no meio de uma reunião com minha assistente de produção no Iguatemi Campinas, surge a gerente.
Voltou a fazer o convite e sugeriu na próxima terça ou quinta-feira. Aceitei na quinta-feira, ou seja, ontem, 08 de julho.
Depois de recusa de meu namorado para me acompanhar, pois ele não estava engolindo as desculpas delas e ainda ainda afirmou: “É claro que você será bem atendido. Se bobear, você ainda terá um garçom exclusivo. Quero ver se você fosse novamente lá sem se anunciar como seria o tratamento”.
Diante de sua recusa, convidei uma amiga para me acompanhar – ela
esteve no meu aniversário e sabia do histórico.
Mesmo assim, pouco antes de entrar na casa, avisei: “olha, se acontecer alguma coisa que eu não goste, a gente vai embora, ok?”
Entramos… Casa vazia… Apenas umas duas mesas ocupadas…
Um garçom veio nos receber. Pedi para chamar a gerente.
Ele me respondeu que ela entrou de férias HOJE.
Ele ainda chamou uma pessoa, que, segundo ele, era o gerente substituto.
Sem me cumprimentar nem com um “Boa-noite”, ou qualquer coisa parecida ou muito menos, se apresentar, ele confirmou que a gerente estava de férias.
Respirei fundo e perguntei se ele poderia passar um recado para a ela.
Falei: “Só estou aqui por que esta casa fez uma baixaria comigo. Esta gerente que entrou em férias me convidou para jantar aqui, na tentativa de se desculpar pelo o ocorrido. Contudo, diante da falta de respeito comigo, de me convidar, confirmar data e simplesmente sair de férias neste dia, ela comprova o que eu já sabia: que  o atendimento deste estabelecimento é a coisa mais BOCA-DE-PORCO de Campinas. Que outro termo eu poderia usar?”
Ele não falou nada.
Eu e minha amiga nos viramos para sais, mas ainda deu tempo para ouvir risadas de escárnio vindas por parte do staff. Como a casa estava vazia, estas risadas vieram, ou do gerente ou dos garçons que ouviram minha reclamação.
Ou seja, não basta fazer uma baixaria! Precisa fazer duas, três, quatro, cinco… E quantas mais forem necessárias. Inclusive debochar!
Até pensei em voltar para perguntar qual o motivo do riso.
Desisti.
Sabe por quê?
Se eu voltasse, eu iria me nivelar a eles.
Quer saber o nome do lugar que tem o atendimento mais BOCA DE PORCO de Campinas?
Pergunte a qualquer descolado – com opinião própria, claro – da cidade. Tenho certeza que ele saberá o nome!