As emoções do espetáculo Slava’s Snowshow

Confesso: NUNCA gostei de palhaços.
Na infância, quando ia a circos, não achava graça nos palhaços. Também achava que eles eram sinistros (não entendia porque alguém se escondia por trás de maquiagem para fazer algum rir).
O negócio piorou quando vi um filme de terror, onde o serial-killer era um palhaço.
Por longos anos, eu e palhaços ficamos em campos opostos.
Sábado, 17 de julho, porém, fizemos as pazes. O nome da cura: Slava’s Snowshow.
Em cartaz no Citibank Hall, o espetáculo russo teve palhaços russos que interagiram com efeitos especiais, como pancadas de chuva, fumaça, flocos de neve, neblina, ventos, trem e trilha sonora envolvente.
Liderada por um palhaço amarelo e seis verdes, a companhia circense russa retornou ao Brasil para um curta temporada (começou dia 14 e vai até 29 de julho), com direito a um humor sútil, emocional e envolvente. Não tem cambalhota, não tem o sádico que arranca risadas praticando maldades em cima das vítimas (pelo menos no palco)…
Esqueça os palhaços de circo, aqui, o humor é influenciado pela inteligência melancólica e física de Charles Chaplin e Marcel Marceu.
Dividido em duas partes, a primeira termina com uma surpresa que (literalmente) envolve quem estava próximo ao palco. O que acontece – que não vou contar – causa um estranhamento que seria a marca da segunda parte do show, muito mais melancólica (mas não triste… Emocional) do que física.
O grande momento, porém, chega no final apoteótico, onde a famosa música da ópera Carmina Burana, de Carl Orff protagoniza a lufada de neve que explode na cara da platéia, seguida pelas gigantescas bolas coloridas que são arremessadas, fazendo a (fria) plateia paulistana a participar da brincadeira, como se fossem crianças.
Realmente um belo espetáculo.
Maiores informaçôes: http://www.credicard.com.br/citibank-hall/home/index.htm

(Fotos: Jorge Marcelo Oliveira e Flávio Casagrande)