A relação entre a imprensa local e a moda

Alexis-Mabille Couture
Alexis-Mabille Couture
Desde ontem, rumino um pensamento e gostaria de dividi-lo.
Entendo que a rotina numa redação de jornal, revista ou televisão é uma loucura. Contudo, nada impede que o repórter apure melhor as informações. Parece redundante esta informação, mas, juro, vejo cada absurdo que dá até pena!
Vamos lá:
1. Estamos flertando com o início do Outono brasileiro, que começa na quarta-feira, 20 de março.
2. As coleções de outono/inverno estão prontas. Algumas já chegaram às lojas. Faça um passeio no Iguatemi ou no Galleria e confirme esta informação.
3. No mercado internacional, estamos no meio das apresentações das coleções do Outono/Inverno 2013/2014. Começou em Nova York, passou por Londres e Milão e agora, Paris. O outono nos EUA, Inglaterra, Itália ou França começa em setembro. Ou seja, seis meses separam o início das estações.
4. Caros colegas: estas coleções refletem os rumos do que veremos, no mínimo, daqui um ano. Portanto, parem de divulgar que estas coleções são referências para o próximo inverno nacional. Isto não tem cabimento, pois é uma questão de logística!
5. Como uma indústria, uma confecção ou uma marca esperaria para saber o que vai acontecer no mercado internacional para começar pelas cópias num espaço tão curto?
6. Ok. Não existe mais tendência. A coisa se tornou muito pulverizada. Várias marcas são significativas no cenário internacional. Enfim, não dá para dizer que esta ou aquela apresentou a ‘melhor ideia’. Isto é uma tolice. Mesmo assim, uma temporada precisa de um ponto de partida. Mas, este, começou, no mínimo, há uns seis ou doze meses atrás.
Entendeu? O que foi apresentado em Nova York, Londres, Milão e agora, em Paris, não tem ligação com o nosso próximo inverno. Claro que algumas coisas acabam se repetindo, pois, num mundo globalizado, é bem díficil saber quem copia quem.
Outra coisa: no Brasil, como disse muito bem uma amiga estilista, quem determina o que será usado nas ruas é a telenovela! Assim, se é para orientar seus leitores, assista uma novela de sucesso. Certamente você entenderá o que estou afirmando.
Prada Inverno 2013
Prada Inverno 2013
Mídia impressa
As revistas especializadas em moda, produzidas no Brasil, se desdobram diante do tamanho de informações e sofrem para torná-las palatáveis aos seus leitores. Mesmo assim, com toda uma expertise, cometem atrocidades, principalmente, quando escrevem um texto explicando os conceitos de um desfile internacional, mas se contradizem nos editoriais de moda (principalmente quando reproduzem o que foi feito pelas matrizes americanas ou francesas).
Claro que, para o público médio, muitas vezes, isto passa em branco. Mas para o público antenado percebe rapidamente os truques.
Hoje não dá para enganar uma leitora nascida numa geração midiática. Ela é muito mais esperta do que a leitora do passado. Ela recebe uma batelada de informações um segundo após seu acontecimento do outro lado do mundo. Além do mais, ela assiste ao desfile que está acontecendo em Paris, sentada na cadeira do seu escritório… Simultaneamente com a plateia!
Neste cenário, qual seria o papel da mídia impressa? Mostrar informações mais completas, conseguir novidades, fazer análises ou comparações que muitas vezes não seriam possíveis na internet, edita-las com criatividade e ilustra-las com muitas fotos? Talvez seja um bom caminho.
Lembrando que, isto tudo pode ser em vão, pois o número de leitores de revistas e jornais diminuem drasticamente ano após ano. 
Portanto, caros colegas, apurem com mais cuidado as informações. Sejam menos óbvios. Não tentem o caminho fácil. Por mais que alguns editores acreditem na mediocridade de seus leitores, acredite: sempre haverá um, dois ou três que perceberá seu erro.
(Artigo: Jorge Marcelo Oliveira)

3 comentários

  1. Boa-tarde,
    Gostaria de entender: se te incomoda, de modo geral, a redação, os erros de concordância e a forma chula como você aponta que escrevo meus artigos, por que você continua acessando?
    Quando algo me incomoda num site ou num blog, eu simplesmente não sofro. Eu não entro no mais neste endereço.
    E tem mais: você, como toda sua autoridade máxima na língua portuguesa, deveria saber que, na frase: ‘Achei pertinente a colocação do repórter’ e ‘mas me incomoda’ falta uma vírgula!
    Att.

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  2. Achei pertinente a colocação do repórter mas me incomoda, de modo geral, a redação, os erros de concordância e a forma chula como escrevem os artigos neste Blog.

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