Quinze anos do mercado Plus Size

Pode acreditar: o mercado de moda começou a falar sobre Modelos Plus Size há 15 anos! Na época, modelos com manequim 52-54 começaram a aparecer em catálogos de marcas desconhecidas. Tempos depois, elas chegaram às mídias especializadas, renderam matérias e abriram uma discussão sobre novos padrões de beleza. Tudo lindo e maravilhoso, mas… Quinze anos depois, o que mudou no universo da moda?
Vamos lá:
  1. Para campanhas, desfiles e catálogos, as modelos Plus Size precisaram se enquadram nos manequins 44-48. Ou seja, tiveram que emagrecer. Quando Crystal Renn, umas das primeiras modelos Plus Size, começou a fazer sucesso, logo começou a emagrecer. Hoje, seu manequim é 42. Ela representa o tamanho M existente em boa parte das marcas. No Brasil, muitos homens podem acha-la ‘gostosa’, mas, para o padrão do mercado de moda (as medidas são manequim 36 e altura 1,77), ela é ainda é gorda. No caso, ela é Curvy.
  2. Leitoras de Vogue, ELLE, Harper’s Bazaar, Marie Claire, L’Officiel, Glamour, Nova, etc. se acostumaram a encontrar modelos magras. Elas representam o sonho da perfeição que pouquíssimas irão atingir. Um ou outra até questiona, contudo, não querem mudança nestas imagens.
  3. Ainda sobre o item anterior, a indústria da beleza sabe disto e continua a alimentar o sonho da magreza e saúde, mesmo que, muitas vezes, uma coisa não tenha nada a ver com a outra.
  4. A publicidade – que alimenta o sonho das leitoras das publicações de moda e da indústria – não está disposta a entrar em discussões sociais. Assim, o casal de margarina – aquele que surge como o perfeito, que usa os melhores produtos de cosméticos, dirigem os mais potentes carros ou vendem casas/apartamento em condomínios fechados – sempre será magro. Imagina se vão colocar uma gorda para vender margarina? Rapidamente surgiriam piadas nas redes sociais, relacionando seu peso ao produto divulgado!
  5. Num campo oposto, rapidamente a indústria da saúde adora relacionar ‘gordo’ com ‘doente’.
  6. Criadores de moda podem até colocar uma modelo manequim 44 e 48 na passarela na moda, para chamar atenção. Só que, uma coisa é discutir. A outra é vender. Nas araras, raramente, ele irá criar para mulheres acima do manequim 42.
  7. Aquela desculpa usada por criadores que a mulher magra é o cabide ideal é uma construção cultural muito antiga. Como aprenderam a desenhar e produzir roupas pensando nas mulheres magras, por preguiça, não querer ter muito trabalho para adequar sua criação para um corpo com formas. Leia-se: preguiça.
  8. O mercado econômico adora divulgar que houve um aumento de lojas que começaram a surgir voltadas a este público. Sim, é verdade. Lojistas perceberam um belo filão para produzir roupas com melhor qualidade, modelagem, padronagem e cores. Contudo, são lojas específicas.
  9. Eventualmente, redes de fast fashion produzem coleções especiais voltadas ao Plus Size. Convidam estrelas da televisão ou música para divulgar. Vende certa. Aí, quando a coleção termina, pergunta se as mesmas gordas irão encontrar peças do seu tamanho durante o resto do ano?
Apesar destas questões, comendo pelas beiradas, surgiram lojas especializadas para este público, que investiram em desfiles e catálogos, fazendo crescer o interesse por modelos que se enquadrem neste manequim. Algumas, ainda tentam ser tornar estrelas internacionais. O que, infelizmente, ainda é muito raro.
Tara Lynn, Candice Huffine e Robyn Lawley na Vogue Italia Junho 2011 @ Steven Meisel

Um comentário

  1. Republicou isso em Seja mais, seja você!e comentado:
    Esse post mostra a beleza das modelos nos padrões “plus size” como chamam, mas na verdade, nos padrões da vida real!
    Vejam que o tamanho nada tem a ver com estética, elegância e sensualidade! Dá para ser linda de qualquer tamanho! Acho que a beleza está mais relacionada a auto-estima e por consequencia a vaidade do que propriamente ao tamanho.
    Se você está fora do tamanho que a indústria acha ideal, não se deixe abater! Encontre seus pontos fortes e explore-os para mostrar sua beleza, charme e identidade.
    Seja mais, seja você!

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