Os Desenhos Animados despertaram minha paixão pelo Jazz

Tom @ Jerry @ Divulgação
Tom @ Jerry @ Divulgação

Meu estilo musical preferido é o jazz. Mesmo não sendo um profundo conhecedor (por falta de tempo para me dedicar como gostaria), adoro a sonoridades.

Do vocal, Billie, Ella, Sarah, Dinah, Nina, Duke, Dianne, Louis, Nancy, Frank, entre outros, me acompanham em diversos momentos – dos tristes aos alegres – com a mesma facilidade.
Há alguns anos comecei uma pesquisa das canções de jazz que gostava. Quando chegou a 200, eu parei. Mesmo assim, rendeu uma coletânea com clássicos. Algumas canções, inclusive, surgem em diversas interpretações. Virou até clichê os Standarts ganharem novas roupagens.
Durante muito tempo, martelava uma dúvida: de onde veio este gosto? Da minha memória musical surgiam as canções de Maysa Matarazzo, cantora preferida de minha mãe, ouvidas a exaustão. Além dela, Nora Ney, Dolores Duran e todas as cantoras do rádio dos 50. Infelizmente, não lembro o gosto musical do meu pai. Assim, recorri a minha babá eletrônica: a televisão.
Sabe o que descobri? Foram os desenhos dos estúdios Disney, Hanna Barbera e Warner, entre outros, os responsáveis por este gosto.
Tom & Jerry, Mickey, Donald, Os Jetsons, Manda-Chuva, Os Flintstones e A Pantera Cor de Rosa (com o inesquecível tema criado por Henry Mancini) foram os principais veículos para me apresentar este gênero musical. Acredite se puder, mas é verdade!
Este ritmo embalou diversas gerações a partir dos anos 30, graças, principalmente, as reprises. Inclusive agora pouco, no único horário de desenhos da Rede Globo, passou um com o Donald, embalado por uma deliciosa canção de Jerry Goldsmith.
Voltando para trás, é impressionante o poder de nossa memória. Eu me lembro até daqueles desenhos que ensinavam as canções usando uma bolinha. Mesmo não sabendo inglês, eu decorava a sonoridade das palavras.
Quando entrei para um curso de inglês aos 10 anos, foi um grande momento. Aprendi as primeiras regras básicas com facilidade. Também ajudou no desenvolvimento de outra paixão: o cinema.
Enfim… Com este aprendizado, estas canções ficaram registradas. Tempos depois, conheci o pop chiclete das trilhas sonoras das novelas globais, a disco music e as breguices descartáveis dos programas de auditórios.
No final da adolescência, o jazz encontrou uma concorrente a altura no meu gosto musical: o rock inglês misturado com sintetizadores dos anos 80 – The Smiths, Eurythmics, Depeche Mode, New Order, Bronsky Beat. Volúvel, eles dividiriam espaço com a impressionante força do pop americano. Mas isto já outra conversa.
Quanto ao jazz… Tirando a Lisa Simpson, do desenho da família amarela, não sei de outros desenhos que toquem este ritmo. Assim, lamento profundamente que as novas gerações não terão esta bela influência musical!
(Artigo do editor do MONDO MODA Jorge Marcelo Oliveira)
Pantera Cor de Rosa @ Divulgação
Pantera Cor de Rosa @ Divulgação