Globo exibe especial ‘Tim Maia – Vale o Que Vier’ com cenas do filme que estreou em outubro

Tim MaiaA Rede Globo irá exibir o especial Tim Maia – Vale o Que Vier nos dias 01 e 02 de janeiro, depois da novela Império. É uma recriação para a TV do filme dirigido por Mauro Lima, que estreou em outubro passado. No especial, além das cenas do longa original, foram acrescidas com inéditas e imagens de arquivo. Quem assina a direção é Luis Felipe Sá.
Tim Maia - Filme
Tim Maia @ Divulgação
Sobre o filme original, o que posso dizer é que se trata de uma obra emocionante.  Falar que o cara era intenso, apaixonado, arrogante, chato, machista e, acima de tudo, genial, é chover no molhado – qualquer pesquisa no Google têm estas informações. São as características de praticamente todos os grandes nomes da música que entraram para a história.
O filme transita dos cinco aos 55 anos. Da infância pobre na Tijuca, RJ, onde ajudava a mãe a entregar marmita – sempre era aberta e saboreada antes de chegar às mãos do cliente… (fetiche que só um gordo entende… hehehe), suas primeiras experiências religiosa e sua pela fase que, ao lado de Roberto Carlos e Erasmo Carlos montou o grupo de ‘The Sputnicks’, se apresentando no programa Carlos Imperial – neste momento, Roberto é apresentando com um cara ambicioso, que não pensou duas vezes em sair do grupo para se jogar numa carreira solo, para fazer imitação do estilo do Elvis Presley (confesso que me irritou um pouco a forma que o ator George Sauma, mas, assistindo entrevistas e documentários da época, era exatamente daquela forma que Roberto era).
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Roberto Carlos e Tim Maia @ Divulgação
Em seguida, o filme conta sua passagem pelos EUA, onde, entre suas prisões, que resultaram em sua deportação, ele foi apresentado ao soul music – que definiria sua carreira. De volta, se jogou em São Paulo, procurando Roberto Carlos, que era já fazia sucesso na carreira solo. Depois de muitas tentativas, Roberto só se preocupou em dar um par de botas do seu acervo pessoal, além de uns ‘trocados’.
Com a ajuda de um amigo carioca, ele começou a cantar em inglês num bar alternativo – aqueles que não tocam canções das rádios. Numa das noites, Roberto vai assisti-lo. Em seguida, pediu uma composição, pois planejva apresentar outro estilo de música. Nasceu a excelente ‘Não vou Ficar’ – que faria parte da trilha sonora do filme ‘Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa’, de 1970.
Em seguida, Tim conseguiu gravar o primeiro álbum ‘Tim Maia’ – que permaneceu 24 semanas no primeiro lugar no Rio de Janeiro. Entre as faixas, as clássicas ‘Azul da Cor do Mar’, ‘Primavera’ e ‘Eu Amo Você’. Aí, finalmente, o sucesso bateu em sua porta. Com a intensidade e voracidade que marcaram sua vida, Tim saboreia com vontade, prazer e todos os excessos possíveis.
Alinne Moraes - Tim Maia @ Divulgação
Alinne Moraes – Tim Maia @ Divulgação
O filme acompanha o tumultuado romance com Janaína (na vida real era Maria de Jesus Gomes da Silva, a Geisa, que ele conheceu aos 17 anos), sua passagem por Londres, onde ele experimenta todos os tipos de drogas possíveis, que iria definir seu comportamento daí em diante.
Outro momento marcante foram seus dois anos na seita Cultura Racional, que resultou nos elogiados – mas pouco vendidos – álbuns Tim Maia Racional, volumes 01 e 02 – considerados por muitos críticos os melhores de sua carreira.

O filme vai relatando a intensidade de sua vida – alternando entre dois atores (Róbson Nunes, adolescente) e Babu Santana (adulto) a difícil tarefa de compor uma figura tão sui-generis.  Dentro da proposta do filme, ambos estão muito bem, mas nenhum tem o ‘momento’ – aquela cena que o cinema americano usa na hora da apresentação das premiações. Além deles, o restante do elenco também funciona. Até os astros Cauã Reymond (um dos produtores da fita) e Alinne Moraes mostram algo mais do que apenas rostos bonitos – seus personagens somatizam diversas pessoas que passaram pela vida de Tim – numa liberdade de expressão do roteiro, que, ora funciona, ora perde a veracidade.
Enfim… Tim Maia é um daqueles filmes que emocionam, mesmo que seja engolido pela voracidade genial de seu retratado.
PS: preste atenção para o excelente trabalho da figurinista Reka Koves, que soube retratar fielmente as roupas de período com fidelidade.
(Artigo: Jorge Marcelo Oliveira)