Os 130 anos do arquiteto Mies van der Rohe: o solitário caçador da verdade

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Em 2016 será comemorado o aniversário de 130 anos do nascimento do arquiteto alemão mais importante do movimento modernista: Ludwig Mies van der Rohe.

Nascido na fronteira da Alemanha com a Holanda, em março de 1886, é o próprio Mies van der Rohe quem nos dá a chave para a compreensão de sua arquitetura ao comentar, em artigo publicado em 1961, que toda sua obra foi influenciada pelas construções de sua cidade natal e antiga capital do Império Romano Germânico: Aachen.

Ludwig Mies frequentou a escola da catedral católica construída por Carlos Magno, a Kaiserdom,  e ajudou o pai em sua firma de cantaria. Passando sua infância e adolescência entre lápides e igrejas medievais, sua formação não foi acadêmica, mas de natureza essencialmente prática e com forte influência religiosa.

Foi no contexto cultural, problemático, do final do século 19 e início do século 20 que Mies encontrou em Berlim no ano de 1905, a chance de trabalhar no escritório do arquiteto Bruno Paul. Dois anos mais tarde, o professor de filosofia Alois Riehl queria que sua casa fosse construída por um arquiteto jovem. Paul indicou Mies, que aos 21 anos projetou e construiu a residência de um dos principais filósofos berlinenses do século XX.

O projeto lhe abriu as portas da sociedade da época, pondo-o em contato com intelectuais e lhe possibilitando trabalhar com Peter Behrens, para quem outros arquitetos famosos do movimento modernista da arquitetura, Le Corbusier e Walter Gropius, também haviam trabalhado.

Behrens incorporou os fundamentos de um novo estilo, baseado na síntese da vida e da arte, no espetáculo arquitetônico e na recepção estilizada da antiguidade clássica. Ele distanciou-se do traço sinuoso do Art Nouveau, sendo precursor de um estilo baseado na linha reta.

Entretanto, a visão de Mies van der Rohe não combinava com o formalismo de Behrens e procurou a influência de um outro precursor do movimento modernista, o arquiteto holandês Hendrik Berlage. Os princípios de Berlage baseavam-se no neoplatonismo da Idade Média, na filosofia de Santo Agostinho, cuja frase “a beleza é o brilho da verdade” tornou-se praticamente o axioma de Mies.

Seguindo os passos do mestre Berlage, a lei universal não era mais a verdade histórica, mas a procura da essência, da verdade da construção. Foi por essa busca constante da essência construtiva, da precisão do detalhe, que Walter Gropius apelidou Mies de “o solitário caçador da verdade”.

Mies estava no auge de sua carreira na Alemanha, quando foi convidado para projetar o pavilhão alemão para a Feira Mundial de Barcelona em 1929, hoje ícone da modernidade. Em 1930, ele assumiu a direção da Bauhaus, a escola de design mais importante do mundo.

Anos depois, com a Europa em guerra, a Bauhaus é fechada e Mies emigra para os EUA  aceitando o convite para dirigir o departamento de arquitetura do Instituto de Tecnologia de Illinois, em Chicago, cujo campus também projetou.

Quando chegou aos Estados Unidos, já era considerado pelos americanos como um pioneiro da arquitetura moderna. Em 1949, já o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque lhe dedicava uma retrospectiva. É, de fato, no seu país de adoção que encontra todas as condições para promover suas experiências com uma possível industrialização da arquitetura e da construção: um mercado capitalista muito mais desenvolvido que o alemão, com fortes demandas por novas tipologias imobiliárias e desenvolvimento tecnológico promissor.

Em 17 de agosto, 1969 Mies van der Rohe morreu em Chicago, deixando como legado um conjunto de novos cânones que, inspirados por seu mundialmente famoso discurso menos é mais, defendeu uma arquitetura sóbria e universal.