LEGO é a estrela da exposição do artista Nathan Sawaya

Coluna assinada pela correspondente internacional Ana Paula Barros, direto de Basel (Suíça)
Ana Paula Barros @ Selfie
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Na semana passada terminou em Zurique a exposição The Art Of The Brick, do norte-americano Nathan Sawaya. Ela seguirá para Barcelona, depois de passar pelos Estados Unidos, Taiwan, Israel, Austrália, Holanda e África do Sul.

Não tem como ficar indiferente às esculturas criativas do artista estadunidense Nathan Sawaya. São coloridas, lúdicas, divertidas e algumas carregadas de significados, trazendo uma temática para reflexão sobre a condição humana, a sociedade, os sentimentos.
Ela contou com cerca de 100 peças, trazendo um novo significado ao conhecido bloco de plástico, com peças conceituais e releituras de obras clássicas como “O Beijo” (Gustav Klimt), “Monalisa” (Da Vinci), “Davi” (Michelangelo), entre outros.
Em um vídeo de introdução, Sawaya contou sua trajetória, de como se lembrava de sua infância feliz, adorava ficar rodeado pelas peças de Lego e como suas possibilidades construtivas o estimulavam. Escolheu a carreira no Direito, porém logo se viu infeliz ao ter que lidar com papéis, mas ainda mantinha os blocos coloridos como hobby.
Em 2004 decidiu abandonar sua profissão e se dedicar à sua paixão. Começou a trabalhar na Lego, o que durou seis meses. Após esse período decidiu abrir seu próprio estúdio em Nova Iorque e desde então tem recebido encomendas de empresas, museus, galerias, colecionadores e celebridades.
Seus trabalhos são essencialmente mosaicos que, consequentemente, criam um efeito pixelado e esculturas, ambas produções em diversas escalas. Sawaya é o único artista com dois certificados de excelência reconhecidos pela Lego: “LEGO Master Builder” e “LEGO Certificate Professional”.
Uma das seções mais interessantes da exposição mostra o resultado da parceria de Sawaya com o fotógrafo australiano Dean West. São composições que combinam modernas técnicas de fotografia e esculturas em Lego, criando uma estética única, visualmente muito bonitas.
Muitas pessoas questionam se sua produção pode ser caracterizada como obras de arte. Na minha opinião, Nathan Sawaya encontrou no Lego um meio de fazer arte. Pode parecer simplório à vista de alguns por ser um material comum, de plástico, um brinquedo. Mas ao observar as esculturas e a complexidade de sua construção, você fica admirado com o resultado estético, assim como com os detalhes.
Arte é expressão. Cada época tem suas particularidades, meios e materiais e, com o passar do tempo, vão se consolidando, se transformando, encontrando seu lugar e importância na história da arte, ampliando o repertório para novas gerações.
Imagine se Duchamp tivesse duvidado de sua “Fonte” (1917, o famoso mictório)? Além de ser uma de suas obras mais conhecidas, é também uma das mais representativas, que contribuiu para o desenvolvimento da arte conceitual.
Para finalizar, Nathan Sawaya fundou a “The Art Revolution Foundation”, uma organização que busca ampliar o ensino de arte nas escolas (segundo ele, esta matéria vem sendo cada vez mais suprimida do currículo escolar) e também estimular sua continuidade em casa. Um trabalho junto a professores, famílias e comunidades.
“Art is not optional. It is a necessary as breathing and eating.” (Nathan Sawaya)

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