Artigo: Um olhar sobre moda, mídia e redes sociais

Na Era do domínio das redes sociais, o mundo da moda tenta se adaptar a velocidade desta forma de comunicação para não se tornar obsoleta. As Semanas de Moda, Nova York, Londres, Milão e Paris apresentam quase 300 desfiles. Destes, sucesso de mídia somente quando a it-girl do momento (Gigi e Bella Hadid, Alexa Chung, Kendal e Kylie Jenner ou Cara Delevigne, publicar uma foto (ou vídeo) em sua rede social usando alguma das criações. Ou quando uma estrela de Hollywood desfilar no tapete vermelho do Oscar, Globo de Ouro, Cannes ou MET Gala.

No Brasil, a mocinha da novela das nove aparece com uma nova gargantinha, cor de esmalte, saia ou vestido. No dia seguinte, os telefones das centrais de atendimento ao público disparam de ligações para saber onde encontrar tais peças. Giovanna Antonelli - Em Família - Esmalte Azul
Isto não é novidade. No passado, o cinema exercia o mesmo poder, no qual as pessoas copiavam roupas, acessórios, gestos e tudo mais de um determinado personagem (lembre-se que, graças a sua personagem em ‘Bonequinha de Luxo’, a mignon Audrey Hepburn virou referência de estilo dos anos 50). Depois, a música ganhou força, principalmente com a explosão do vídeo clipe nos anos 80, criando uma legião de seguidoras de Madonna, as ‘Wannabes’. A televisão veio na sequência, principalmente pelo sucesso de Carrie Bradshaw, personagem de Sarah Jessica Parker em ‘Sex And The City’, nos anos 90 e começo dos 2000. No Brasil, a novela é garantia de sucesso instantâneo de qualquer produto fashion.

Sex And The City - Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker)
Sex And The City – Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker)

Em 2016, a internet completa 25 anos no Brasil e 10 das redes sociais. Duas gerações nasceram neste período respirando este tipo de informação. Quem teve que se adaptar foi o pessoal das gerações anteriores – incluindo as outras mídias, como jornais e revistas impressas. Com isto, a moda passou por uma verdadeira revolução. Se até o final do século passado cabia aos estilistas e jornalistas determinarem os próximos passos do que vestir, a partir do novo milênio, a rua assumiu o controle. Primeiro foram as blogueiras (atuais digital influencers). Depois, as it-girls – garotas com grande força midiática, como atrizes e modelos – reinam absolutas. Com milhares de seguidores, elas têm o poder de determinar o sucesso ou não de um produto ou até de um estilo de vida. Goste-se ou não, isto é um fato.
O resultado disto foi uma democratização – e popularização – da moda. Com isto, observa-se uma revolução nas publicações de moda. Falar de moda, hoje, é agregar lançamentos, desfiles, tapetes vermelhos, beleza, design, decoração, artes, gastronomia, turismo, maternidade, etc. Para ser mais exato, nas publicações de moda, com a velocidade de informação, muitos se perdem para acompanhar o que acontece aqui e lá fora. Graças as diferenças de temporada, é muito comum numa mesma edição ter artigos completos sobre verão nacional e inverno internacional e vice-e-versa. Precisa ficar muito atento para não se confundir.

Betty Lago @ divulgação
Betty Lago @ divulgação

Com exceção de um ou dois resistentes, quadros e programas de moda sumiram das TVs abertas. No Jornal Hoje, Cristina Franco fez sucesso nos anos 70 e 80 com sua coluna de moda. Com sua saída, Regina Martelli assumiu a função. Porém, desde o final do século passado, o quadro deixou de existir. Na TV fechada, em 2000, Betty Lago apresentou e dirigiu o GNT Fashion – primeiro programa brasileiro que falava exclusivamente sobre moda. Durante cinco anos, com muito bom-humor, ela mostrava os bastidores que conheceu pessoalmente, de sua época de modelo internacional. Com sua saída, em 2005, quem assumiu o programa foi a jornalista Lilian Pacce, que deixou de lado a ferveção e direcionou o programa num foco mais jornalístico. Depois de um começo morno, ganhou força nas extensas coberturas do SPFW e Fashion Rio, com entradas ao vivo e resumos no final do dia com participações dos estilistas e jornalistas convidados. Foi o auge do programa. Contudo, depois de alguns anos, o assunto moda foi perdendo a força, obrigando o programa abrir espaço para falar de outros assuntos – mesmo que a moda continue sendo seu referencial.
No mercado de criação, estilistas surgiram. Depois de elogios da critica especializada, surgiram convites para tentar carreira internacional. Fizeram duas ou três coleções e voltaram… Ficaram quietinhos de volta aos ateliês, enquanto aguardavam propostas para licenciar seu nome. Alguns conseguiram, ganharam dinheiro e se arrependeram. Tempos depois, voltam ao mercado com outra marca ou tentam reaver seu ‘nome’.

Ilustração sobre trabalho escravo da Zara @ Sandro Almeida
Ilustração sobre trabalho escravo da Zara @ Sandro Almeida

Lojas abrem e fecham na mesma rapidez (meu último choque foi o fechamento da Forum no Iguatemi Campinas). Mas o assunto que dominou as conversas são as empresas envolvidas em trabalho escravo, como Zara, Pernambucanas, Marisa, C&A, Renner, M.Officer, Collins, Le Lis Blanc, Bo.Bô, Sete Sete Cinco, Gregory, Cori, Emme, Luigi Bertolli, Talita Kume, As Marias, Brooksfield Donna, etc. Pior é saber que este assunto não terminou.
É um momento confuso, claro. É um ótimo mercado de trabalho e de geração de renda. É o único que mulheres ganham mais do que os homens (modelos), além de ser um dos únicos que aceita a diversidade sexual sem questionamentos. São motivos para louva-lo, claro, mas as mudanças ocorridas nos últimos anos o colocaram a prova. É complicado fazer uma análise mais aprofundada e não parecer alarmista.
(Artigo: Jorge Marcelo Oliveira)

Um comentário

  1. Parabéns pelo artigo. Ótima análise de como a mídia e as redes sociais podem inlfuenciar ou se beneficiar com a Moda. Coloca os pingos nos devidos “is” sem deixar nenhuma dúvida.

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