32ª Bienal de Artes de São Paulo | Incerteza Viva

Com o tema Incerteza viva [Live Uncertainty], a 32ª Bienal de Artes de São Paulo aposta na reflexão sobre as condições da vida e as estratégias oferecidas pela arte contemporânea para acolher ou habitar incertezas. A exposição reúne 81 artistas e coletivos. Alguns acertam em cheio na proposta, outros nem tanto. Prepare-se: a temática indígena está presente em diversas obras (ou instalações ou vídeo arte).
Com forte conotação política, a exposição se propõe a traçar pensamentos cosmológicos, inteligência ambiental e coletiva assim como ecologias naturais e sistêmicas. Dentro desta proposta, destaque para a instalação colorida do jamaicano Ebony G. Patterson. 32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-obra-de-ebony-g-patterson-jorge-marcelo-oliveira-01 32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-obra-de-ebony-g-patterson-jorge-marcelo-oliveira-02 32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-obra-de-ebony-g-patterson-jorge-marcelo-oliveira-03 32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-obra-de-ebony-g-patterson-jorge-marcelo-oliveira-04 32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-obra-de-ebony-g-patterson-jorge-marcelo-oliveira-05
Para que possamos enfrentar objetivamente grandes questões do nosso tempo, como o aquecimento global e seu impacto em nosso hábitat, a extinção de espécies e a perda de diversidade biológica e cultural, a instabilidade econômica ou política, a injustiça na distribuição dos recursos naturais da Terra, a migração global, entre outros, talvez seja preciso desvincular a incerteza do medo. A incerteza está conectada a noções endêmicas no corpo e na terra, com uma qualidade viral em organismos e ecossistemas. Embora esteja atrelada à palavra crise, não é equivalente a ela. Incerteza é, sobretudo, uma condição psicológica ligada aos processos individuais ou coletivos de tomada de decisão, descrevendo o entendimento e o não entendimento de problemas concretos.32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-jorge-marcelo-oliveira-9 32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-jorge-marcelo-oliveira-12 32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-jorge-marcelo-oliveira-13 32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-jorge-marcelo-oliveira-61
A noção de incerteza faz parte do repertório da matemática à astronomia, passando pela lingüística, biologia, sociologia, antropologia, história ou educação. Diferentemente do que acontece em outros campos, no entanto, a incerteza na arte aponta para a desordem, levando em conta a ambiguidade e a contradição. A arte se alimenta da incerteza, da chance, do improviso, da especulação e ao mesmo tempo tenta contar o incontável ou mensurar o imensurável. Ela dá espaço para o erro, para a dúvida e até para os fantasmas e receios mais profundos de cada um de nós, mas sem manipulá-los. 32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-jorge-marcelo-oliveira-22 32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-jorge-marcelo-oliveira-24 32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-jorge-marcelo-oliveira-27 32-bienal-de-artes-sao-paulo-novembro-2016-jorge-marcelo-oliveira-28
Aprender a viver com a incerteza pode nos ensinar soluções. Compreender diariamente o sentido da Incerteza Viva é manter-se consciente de que vivemos imersos em um ambiente por ela regido. Assim, podemos propor outras formas de ação em tempos de mudança contínua. Discutir incerteza demanda compreender a diversidade do conhecimento, uma vez que descrever o desconhecido significa interrogar tudo o que pressupomos como conhecido. Significa, ainda e também, valorizar códigos científicos e simbólicos como complementares em vez de excludentes. A arte promove a troca ativa entre pessoas, reconhecendo incertezas como sistemas generativos direcionadores e construtivos.
Curador: Jochen Volz
Cocuradores: Gabi Ngcobo, Júlia Rebouças, Lars Bang Larsen e Sofía Olascoaga
32ª Bienal de São Paulo – Incerteza viva
Data: até 11 de dezembro de 2016
Horário: terça, quarta, sexta, domingo e feriados – das 9h às 19h (entrada até às 18h) / quinta e sábado – das 9h às 22h (entrada até 21h)
Entrada gratuita
Local: Pavilhão Ciccillo Matarazzo – Parque do Ibirapuera – Portão 03 – São Paulo/SP
Atenção: Zona Azul – R$ 5,00 pelo período de 2h – Tem que credenciar a placa na hora do pagamento nos quiosques disponíveis dentro do Parque. Não compre de camelô, que aquele antigo papel não tem validade!