Exposição ‘Rêveries Urbaines’ discute a relação Natureza e Cidade

Artigo assinado pela correspondente internacional Ana Paula Barros, diretamente de Basel, na Suíça

Ana Paula Barros @ Selfie
Ana Paula Barros @ Selfie

A exposição Rêveries Urbaines é resultado de um ano intenso de pesquisas, questionamentos e estudos da dupla de designers franceses, Ronan e Erwan Bourollec, que, pela primeira vez, focou em soluções para espaços públicos. São conhecidos pelo design de mobiliário para Cappellini, Ligne Roset, Vitra, Kartell, entre outras.Os irmãos Ronan, nascido em 1971, e Erwan, nascido em 1976, na cidade de Quimper, cursaram, respectivamente, a École Supérieure des Arts Décoratifs em Paris e a École Nationale Supérieure des Arts em Cergy Pontoise. Ronan fundou o escritório e mais tarde Erwan tornou-se seu sócio, trabalhando juntos há 15 anos em um estúdio em Paris.
A atividade da dupla é multidisciplinar, transitando entre arranjos espaciais, arquitetura, design industrial, vídeos e fotografias. Além da produção comercial, mantêm uma intensa produção experimental, que dizem ser essencial para o desenvolvimento do trabalho.
Os resultados dessa prática são diversos prêmios e publicações, assim como objetos que se tornaram referência de design e hoje integram coleções permanentes de importantes museus, como o Centre Pompidou (Paris) e o MoMA (Nova Iorque), além de várias exposições especiais, como esta na Vitra.
exposicao-reveries-urbaines-ana-paula-barros-11A ideia principal de “Rêveries Urbaines” é mostrar novas formas de interação entre a natureza e a cidade, trazendo novos espaços nos quais a qualidade das relações entre prédios, áreas livres, elementos urbanos e naturais seja aprimorada.
A exposição pode ser entendida como um grande “sketchbook”. São apresentadas 14 maquetes, cada uma representando uma nova atividade urbana: Lianes (Trepadeiras – mais plantas na cidade), Cascade (Cachoeira – mais água na cidade), Kiosque (Quiosque – arquitetura “nômade”, espaço multi-uso), Tourniquets (Catracas – plataformas giratórias para contemplação), Abris et rochers (Abrigo e rochas – pedras arranjadas , formando pequenos montes para serem escaladas e ampliar o horizonte, sob uma cobertura), Forêt suspendue (Floresta suspensa – Árvores plantadas em plataformas, formando caminhos cobertos), Cheminées (Lareiras – mais calor na cidade, como abrigos aquecidos), Nuages (Nuvens – mais abrigos na cidade, uma estrutura mista, meio pérgola, meio natural), Ruisseau (Córrego – um corredor de água, demarcando caminhos), Fontaine longue (Fonte longa – um extenso e inclinado cano que deságua em bacias, pode ser usado para brincar e também pela ‘vida-selvagem-urbana’), Chapiteau lumineux (Tenda iluminada – espaço de encontros, postes em diferentes alturas que são interligados por guirlandas iluminadas que lembram uma tenda de circo), Pergola (um caminho sombreado e coberto), Plateforms (Plataformas – Espaços de encontros e múltiplas atividades) e Toits et Troncs (Telhados e troncos – abrigos comunitários para viver e conviver).
São propostas utópicas para o futuro e que, face à sua abstração, podem atender muitas questões de uso e ocupação que ainda nem foram formuladas, bem como serem aplicadas em qualquer lugar do mundo nos quais se busquem novas formas de vivenciar o urbano.
vitra-zaha-hadid-ana-paula-barrosNOTA: O campus da Vitra é famoso por seu conjunto arquitetônico. O prédio que abriga essa exposição é de Zaha Hadid, a “Fire Station”, e foi o primeiro projeto da arquiteta iraquiana a ser construído (concluído em 1993). Até então, suas ideias eram consideradas inviáveis de serem executadas.