SPFWN43 | Primeiro Dia

Lembra daquela mulher ousada, sexy e contemporânea do começo da história da Animale, personificada com tanta propriedade por Raquel Zimmermann, que abriu as temporadas de desfile do SPFW no passado? Ela não mora mais aqui. Faz tempo, né?
A Animale foi uma das marcas que mais sofreu transformações para se adequar ao tédio que virou a moda nacional atual, onde a repetição de fórmulas é uma constante.

Animale – SPFW – N43 –
Março 2017 @ Marcelo Soubhia / FOTOSITE

Inesquecíveis os looks com tecidos tecnológicos criados por Marta Ciribelli, Claudia Jatahy e Priscila Darolt. Eram tão aguardados, que, a cada temporada, a gente ansiava para entendê-los e descobri-los com as mulheres iriam usar. Enfim… Estou sendo nostálgico, eu sei. Moda é uma constante evolução, mas precisa ficar chata?
Em terras campineiras, Animale era A marca de vanguarda. Mulheres antenadas eram suas principais clientes. Ao encontra-las nas festas ou até no corredor do shopping, era fácil de identifica-las. Pois é.
Os tempos são outros. Hoje, ela está tão ‘igual’ a todos, que, sinceramente, se pegar uma foto de um look qualquer e botar legenda de outra marca, pouca gente saberá a diferença.
Sobre seu desfile que abriu o SPFWN43… Segundo a lenda, a Itália foi sua inspiração, em especial Florença, Veneza, Roma, Costa Amalfitana e Milão. Ou seja, é uma mulher eclética… Levando em conta as diferenças gritantes das cidades citadas… O que resultou? Branco/Preto, Couro, Snake Print, Transparências, Assimetria, Geometrias, Bordados e Jeans. E… Sapatos baixos (detalhe interessante na história da marca, que sempre trabalhou com os altíssimos).
UMA

SPFW UMA N43 @ Agência Fotosite

Uma das últimas representante da intelectualidade da moda nacional, a UMA segue firme e forte fiel ao seu DNA. Para a temporada do inverno 2017, os tons escolhidos foram o preto, branco, vermelho intenso, grafite e cinza mescla, em tafetá, tricô mescla de lã virgem, lã dublada, crepe de acetato, camurça reversível dublada com pele artificial, crepe de seda, tricoline de algodão, tule bordado. A silhueta é alongada e esportiva. Nada de novo, na realidade. Eventualmente, surge um volume graças a um tecido mais fluído.
As peças são jaquetas acolchoadas e casacos em pele artificial, saias longas em tafetá ou malha de lã mescla, calças com gancho mais longo, vestidos drapeados ou transpassados, coletes e pelerines, ternos em tafetá e crepe, tops com mangas extra-longas, tricots em fio de algodão e viscose.
Destaque para as botas em couro com solado reforçado em borracha, estilo militar, nas cores preto e vermelho e as meias bordadas.
João Pimenta

Joao Pimenta SPFW – N43 – Março / 2017 @ Zé Takahashi / FOTOSITE

No Brasil, moda masculina sempre foi um desafio. Quase impossível sair do lugar comum, poucos estilistas se arriscar a apresentar um trabalho mais autoral e conseguir vender. Propor ousadias é fundamental. Vender é outra história. João Pimenta ganhou um merecido lugar nas passarelas do SPFW por apresentar propostas ‘fora da casinha’. Com um ótimo trabalho de alfaiataria, suas peças se destacam e despertem um segundo olhar. Sabe quando você está assistindo um desfile e começa a bater aquela preguiça pela repetição? Então, João tem o mérito de apresentar peças que despertam a atenção e espantam o tédio.
Calças, saias e casados oversized chegam em moletons, neoprene, nylon e t-shirts de tricô nas cores preto, dark blue, cáqui e roxo.
Lilly Sarti

SPFW Lilly Sarti N43 @ Agência Fotosite

Osklen

Osklen SPFW – N43 Março / 2017 @ Sergio Caddah / FOTOSITE

A participação de Oskar Metsavaht no exercício criativo do filme Soundtrack foi o ponto de partida para a construção do Inverno 17 da Osklen. A inspiração não veio do filme em si, mas do próprio conceito e do roteiro em evolução, que foram criando um imaginário rico enquanto os autores e diretores preparavam suas equipes de filmagem (cenógrafos, fotógrafos, figurinistas e artistas). Oskar e sua equipe de design desenvolviam paralelamente sua proposta para a temporada, tanto o filme quanto a coleção surgiram ao mesmo tempo.
As referências visuais – colhidas em uma viagem à Islândia -, somadas às leituras do roteiro, foram se desenrolando nos elementos de cor, formas e texturas da coleção.
O plot
O filme retrata um artista que parte para uma temporada em uma estação científica de pesquisa na Antártida em busca de um novo significado para sua arte.
Metaforicamente, essa mesma atmosfera marcou o princípio do processo criativo de Oskar Metsavaht. Preparando-se para uma expedição científica nos Andes no final dos anos 80, o diretor criativo da Osklen desenvolveu sua primeira peça, um casaco utilitário de neve. Atuando como ortopedista na época, seu conhecimento em anatomia e ergonomia, aliado às suas habilidades artísticas, já indicavam o caminho futuro da Osklen.
A ciência, a arte e a natureza presentes no roteiro do filme estabelecem uma sinergia com o início da história da marca e de Oskar Metsavaht como artista.
Cartela de cor: off white, rosa claro, azul claro, cinza mescla, preto, areia, café, amarelo, laranja e azul royal.
Estampas: Daybreak, Interference, Script, Frost
Matéria-prima: tricoline, sarja, veludo, georgette de seda pura, tricot de rayon, cashmere e os e-fabrics – tricot de alpaca, tyvek, moletom pet e pirarucu
Silhueta: looks compostos por sobreposições que contrastam formas fluidas e estruturadas. Destaque para os moletons, parkas e anoraks oversized.