Oscar 2018 | Me Chame Pelo Seu Nome

Não tenho certeza que o chiste ‘É mais empolgante ver grama crescer do que esse filme’ tenha sido dito pelo polêmico jornalista e escritor Paulo Francis (1930-1997), mas lembrei dele ao terminar de assistir a Me Chame Pelo Seu Nome – o filme gay da temporada de prêmios americana.
Com estreia marcada para 18 de janeiro, o filme é dono – até o momento – de 88 indicações e 31 vitórias da crítica americana, principalmente pela atuação do jovem Timothée Chalamet e pelo roteiro de James Ivory.
Até então, aos 22 anos, Chalamet era mais conhecido por participar da segunda temporada da série ‘Homeland’, em 2012 e uma breve aparição em ‘Interestelar’, em 2013. O filme pode o colocar num outro patamar.
O veterano James Ivory teve seu grande momento entre os anos de 1985 a 1993, quando dirigiu ‘Uma Janela Para o Amor’, ‘Maurice’, ‘Retorno a Howard’s End’ e ‘Vestígios do Dia’. Todos com vitórias ou indicações ao Oscar. Desde então, porém, sua chama se apagou.
Sua volta com o roteiro de ‘Me Chame…’ lembra algo de ‘Maurice’ – drama que se passa 1.909, quando Maurice Hall (James Wilby) entra para a Universidade de Cambridge e faz amizade com Clive Durham (Hugh Grant). Rola um romance, mas o clima de repressão do período (Oscar Wilde foi preso e condenado por sodomia em 1895) é forte. Sem aguentar a pressão social, principalmente pela sociedade rica e homofóbica que Clive transita, Maurice e Clive se separam. Porém, o destino garantirá uma guinada para os envolvidos. Aos 30 anos, o filme permanece lindo e vigoroso.
Porém… Aqui, as coisas não são iguais. ‘Me Chame Pelo Seu Nome’ (na norma culta, o correto seria ‘Chame-me Pelo Seu Nome’) se passa em 1983 no bucólico interior de Itália, onde vive a intelectual família americana com ascendência italiana e francesa Perlman, entre eles, o adolescente de 17 anos, Elio. Sua vida é passear de bicicleta. Encontrar com os amigos italianos e franceses e ficar com uma coleguinha. Seu tédio será quebrado com a chegada do bonitão Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que ajudará na pesquisa do seu pai. Como o título entrega, eles irão se apaixonar.
Contudo… Tirando aquela confusão hormonal da adolescência, temos o principal problema do filme: a falta de drama.
Na primeira parte do filme, lindo cenário natural do país é a estrela. O tédio é quebrado com o primeiro beijo entre o casal. Depois disso, o que temos é: uma família compreensível (que apoia e até incentiva), uma ficante que serve para aliviar a tensão sexual, mas se limita a isso e um desencontro que não tem muita explicação de acontecer, a não ser a indecisão entre ambos. Piora em relação a falta de ação do acadêmico que já passou dos 30, mas parece um adolescente tão indeciso quanto o próprio.
Isso poderia até render algum drama, mas a chatice é uma constante.
Apesar da temática gay, o filme é tímido – quase ingênuo. A câmera do italiano Luca Luca Guadagnino não registra um único minuto de ousadia. Pior: ela desvia o foco nas cenas de intimidade entre o casal. Pelo amor, né? Estamos em 2017! Até ‘Brokeback Mountain’ era mais ousado!
A comentada atuação de jovem Timothée Chalamet não passa da monótona. Seu único bom momento é a cena dos créditos no final do filme. Mas depois que aquela preguiçosa atuação de Casey Affleck em ‘Manchester à Beira-Mar’ rendeu um Oscar de Melhor Ator, não me surpreenderá que Timothée também possa ganhar.