Preto é a cor do protesto no Globo de Ouro 2018

O tapete vermelho do Globo de Ouro 2018 entrou para a história da moda. Exagero? Eu explico: atrizes de todas as idades, épocas, escalas de poder e sucesso (Meryl Streep, Viola Davis, Angelina Jolie, Nicole Kidman, Reese Whiterspoon, Gal Gadot, Halle Berry, Dakota Johnson, etc), do cinema e televisão, escolheraram roupas na cor preta. Era uma forma de protesto e símbolo da campanha Time’s Up (#timesup) criada para dar um basta no número de assédio e violência sexual sofrido por mulheres na indústria do cinema.

Globo de Ouro 2018 Angelina Jolie, Viola Davis e Catherine Zeta-Jones @ Getty

O gatilho aconteceu ano passado com o número de denúncias contra o produtor Harvey Weisten, responsável pelo sucesso de diversas atrizes desde sua ascenção na década de 90, quando criou, ao lado do irmão, o estúdio Miramax. Nomes como Gwyneth Paltrow e Mira Sorvino foram premiadas com o Oscar sob sua tutela. Hoje, o número de denúncias sobre seu comportamento predador chega a 80. Depois de dele, uma infinidade de outros profissionais de diversas áreas do entretenimento foram denunciados, incluindo o atores Kevin Spacey, Dustin Hoffman, Casey Affleck, diretores como Brett Retmer, entre outros.

Globo de Ouro 2018 Yvonne Stravoski, Hong Chau, Missy Pile e Jessica Biel @Getty

A dimensão desses casos provocou uma celeuma na indústria do cinema. Atrizes se uniram às vozes de ativistas de direitos humanos que lutam pela igualdade no tratamento entre homens e mulheres.

Globo de Ouro 2018 Chrissy Metz, Octavia Spencer e Kelly Clarkson @Getty

No tapete vermelho do Globo de Ouro, Meryl Streep, Michelle Willians e Emma Watson surgiram de mãos dadas com algumas dessas mulheres militantes. Premiadas ou apresentadoras, elas aproveitaram seu momento para falar sobre a assunto.
Mas o discurso da noite pertenceu a Oprah Winfrey. Premiada com o prêmio honorário Cecil B DeMille, ela falou sobre a força das mulheres, assédio sexual e racismo. Desde que foi criado, Oprah é a primeira artista negra a ser premiada.

Oprah Winfrey ganhou o prêmio honorário Cecil B DeMille @Getty

Sororidade foi a resposta que essas mulheres deram na cerimônia da 75a edição dos Prêmios da Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood, escolhendo uma única cor para passar a mensagem de união em prol de uma causa, que não acontece apenas na indústria do entretenimento americano, mas em todas as esferas sociais e corporativas no qual mulheres não são respeitadas no seu direito de ir e vir, expostas à predadores sexuais.

Assim como em outros momentos de comprometimentos socias, a roupa foi escolhida como instrumento político. No caso, a escolha da cor preta. Diante de sua força, a famosa pergunta: “O que você está usando?” ficou para segundo plano.
Foi um momento único. Independente de gostar ou não de prêmios, Hollywood ou afins, foi um capítulo especial da história da moda.

Pontos destoantes

Globo de Ouro 2018 Blanca Banco, Barbara Meier e Meher Tatna @Getty

A “atriz” Blanca Blanco escolheu um ousado assimétrico modelo vermelho de veludo, destoando o Dress Code da noite. Pesquisando no IMDB, descubro que sua “carreira” conta com uma participação na continuação do clássico trash “Showgirl”,  séries desconhecidas e produções latinas sem expressão. Ou seja…
Outras que não usaram preto foram a desconhecida modelo alemã Bárbara Meier e… A presidente da Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood, Meher Tatna, que escolheu o vestido com sua mãe. “Como parte da cultura indiana, é costume escolher uma cor alegre para participar de uma festa”, contou uma fonte à revista Vanity Fair. “(Mas) Eu sou totalmente solidária a escolha delas”.
Ok. Tatna seguiu uma tradição cultural de seu país. É compreensível.
Mas as outras duas? O que dizer?
(Artigo assinado por Jorge Marcelo Oliveira)

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