Coleção Roberto Burle Marx por H.Stern

Os padrões característicos da obra de Roberto Burle Marx (1909 – 1994) ganham uma releitura na coleção da H.Stern. Nos jardins do paisagista, canteiros de pedras geométricas se moldavam às linhas orgânicas do ambiente refletindo intensa paixão pela natureza.
Da mesma forma, sua assinatura artística inconfundível se estendeu às mais diversas formas de expressão. Telas multicoloridas, peças de tapeçaria, painéis de pastilhas ou azulejos, esculturas e até mesmo as icônicas calçadas de Copacabana, no Rio de Janeiro, repetem os traços deste multiartista de criatividade inesgotável.
Tal painel de formas, jogos de cores e proporções pode ser apreciado sob a perspectiva da arte joalheira na nova coleção Roberto Burle Marx por HStern que chega às lojas esta semana.
Brincos, anéis, pendentes e braceletes equilibram a força dos ângulos retos à suavidade das linhas sinuosas. Há joias de ouro amarelo com diamantes e quartzos negros e versões de prata de lei –com acabamento polido ou acetinado – ora também complementadas por quartzos ou por diamantes.

Sobre Burle Marx

Nascido em São Paulo, no dia 04 de agosto de 1909, Roberto Burle Marx era o quarto filho de Cecília Burle (de origem pernambucana e portuguesa) e de Wilhelm Marx, judeu-alemão nascido em Stuttgart e criado em Trier (cidade natal de Karl Marx, primo de seu avô).
Na infância, Burle Marx viveu em uma ampla casa na Avenida Paulista, e desde pequeno teve contato com rosas, begônias, antúrios, gladíolos, tinhorões e muitas outras espécies que cultivava em seu jardim. Por causa dessa proximidade com as plantas, aos poucos ele aprendeu a preparar canteiros e a observar a magia da germinação das sementes em seu quintal.
Aos 19 anos, Burle Marx teve um problema nos olhos e sua família se mudou para Alemanha em busca de tratamento. Ficaram dois anos, época que Marx entrou em contato com as vanguardas artísticas, e ficou fascinado com a vegetação brasileira em uma estufa do Jardim Botânico de Dahlem, em Berlim.
Interessado em desenhar a figura humana, ele ficou dividido entre a pintura e as plantas. Escolheu estudar intura e passou a visitar todas as semanas o Jardim Botânico, observando atentamente as espécies ali existentes, entre as quais plantas brasileiras que ele não conhecia, e estudando pintura no ateliê de Degner Klemn.

Pintura Roberto Burle Marx @ Reprodução

Elaborada no final dos anos 20 até o início da década de 40, a pintura de Marx revelava-se presa ao expressionismo em seus temas, ordenação de figuras, formas estilizadas ou simplificadas, cores intensas, ou mesmo o efeito psicológico que procurava imprimir aos autorretratos e retratos de tipos populares, cenas intimistas com nus femininos, naturezas mortas, paisagens, favelas…
Na década de 40, Burle Marx se interessou pela pintura pré-cubista e cubista de Cézanne, Picasso, Braque, Léger, Gris, Lhote, entre outros, e em alguns depoimentos afirma ter maior afinidade pela obra de Braque – principalmente pela influência na arte contemporânea e compreensão do conceito pictórico.
Roberto teve como suporte a tela e o papel, e utilizava óleo, guache, e até mesmo a combinação desses e outros materiais como o nanquim para fazer a sua arte. Essa aparente indiferenciação entre desenho e pintura explicou a razão de muitas de suas obras picturais lembrarem desenhos coloridos. Ele atribuía a mesma dignidade plástica e poética aos desenhos, à pintura e à estamparia ou à pintura sobre tecido. Dessa maneira, as suas exposições realizadas no Brasil e no exterior sempre incluíam obras entendidas que eram unificadas com a denominação pura e simples de “pinturas”.

Roberto Burle Marx @ Reprodução

Mesmo sem educação formal em arquitetura paisagística, o aprendizado de Burle Marx na pintura influenciou a criação de seus jardins. Ele aceitava, embora de forma relutante, que “pintava” com as plantas, apesar de seu trabalho não ser reduzido ao efeito pictórico e visual produzido por suas paisagens, pois Marx se autodefinia como um artista de jardins.
Conhecido por sua preocupação ambiental e pela preocupação com a preservação da flora brasileira, Roberto inovou ao usar plantas nativas do Brasil em suas criações e isso se tornou sua característica marcante. Afinal, foi ele quem valorizou as bromélias, por exemplo, e as tornou populares. Hoje, plantas naturais da Mata Atlântica se tornaram conhecidas e são cultivadas em viveiros para serem vendidas. Por esse motivo, o “estilo Burle Marx” tornou-se sinônimo do paisagismo brasileiro no mundo.

Paisagismo

Seu primeiro projeto paisagístico foi o jardim de uma casa desenhada pelos arquitetos Lúcio Costa (que projetou Brasília) e Gregory Warchavchik, em 1932. A partir de então ele não parou mais de projetar paisagens, pintar e desenhar, e em 1949 comprou uma área de 365.000 m² em Barra de Guaratiba, litoral do Rio de Janeiro, aonde começou a organizar sua enorme coleção de plantas. Em 1985, essa propriedade foi doada à Fundação Pró-Memória Nacional, entidade cultural do governo federal que atualmente se chama Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Hoje é possível encontrar um jardim ou uma estufa projetada por Roberto Burle Marx em várias partes do mundo, como em Longwood Gardens (Filadélfia), no aterro do Flamengo (Rio de Janeiro), em Caracas (Venezuela), e claro, no Parque Burle Marx (São Paulo).

Roberto Burle Marx @ Reprodução

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