As confissões de um apaixonado por premiações de cinema e televisão

A primeira cerimônia Oscar que assisti foi em 1980. Ano das vitórias de ‘Kramer vs Kramer’ (filme), Dustin Hoffman (ator) e Meryl Streep (atriz coadjuvante). Tinha 13 anos. Não tinha acessos aos filmes indicados.
Na época, os filmes demoravam até um ano para chegar ao Brasil. Além do mais, eu morava em Americana (com uma única sala de cinema) e vinha para Campinas somente nos finais de semana, mas tinha que contar com a boa vontade da minha mãe me acompanhar às salas do centro, como Cine Windsor, Regente ou Jequitibá.

Mesmo sem ter assistidos aos filmes concorrentes, gostei da dinâmica da premiação. Conforme os anos foram passando, minha paixão por cinema aumentou e, às vésperas do Oscar, me programava para assistir tudo o que era indicado. Lembro-me que, eventualmente, assistia a três filmes no mesmo dia. Trocando de salas de cinema, percorrendo a Rua Regente Feijó à General Osório para não perder nem os trailers.

Meryl Strepp ganha o Oscar 1980 de atriz coadjuvante por Kramer vs Kramer @ Getty

Comprei revistas e livros sobre cinema – a saudosa Cinenim se tornou obrigatória. Num certo momento, mensalmente, começou a encartar fascículos sobre a História do Oscar. Finalizados, eles se tornaram o melhor livro o assunto até hoje publicado no Brasil.
Devorei até decorar praticamente tudo. Na época, sabia todos os premiados de 1927 a 1992 – ano da segunda edição do livro. Pessoas próximas costumavam me testar sobre isso, como Marta Rauscher, que ficou fascinada com minha memória.

Revista Cinemin @ reprodução

Na época, comecei a montar um arquivo sobre o assunto com direito a mais de dez caixas de papelão com folhas de A4 separando pastas sobre atrizes, atores e diretores em ordem alfabética. Era uma coisa incrível, confesso. Porém, no inicio da década de 2000 quis doa-lo a Secretaria de Cultura de Campinas, que recusou. Sem saber o que fazer, mais de 20 anos de pesquisas foi parar no lixo.
Enfim… O tempo foi passando. Outras premiações foram surgindo, como Globo de Ouro e o Emmy (comecei a acompanhar a partir de 1996 quando assinei a TV à cabo). Empolgue-me com vitórias… Chateei-me com derrotadas… Irritei-me com injustiças…
No YouTube, tenho pastas das premiações que mais me emocionam. Sempre que preciso chorar (que não é uma tarefa das mais fáceis, infelizmente…), revejo. Funciona super…

Sobre o tapete vermelho… Ele só despertou meu interesse depois que comprei um VHS chamado ‘Os Melhores Momentos do Oscar – 1971-1991’. Mas esse é outro assunto!

VHS Os Melhores Momentos do Oscar – 1971-1991 @ reprodução

Cinema em casa

Há alguns anos, graças às maravilhas da internet, tenho acesso aos filmes concorrentes antes das premiações. Assisto tudo no conforto do meu lar.
Passei do tempo de achar que cinema era para assistir numa sala escura. Tinha umas justificativas, tipo, a magia da sala escura, blá-blá-blá… Isso é bobagem de gente velha. Eventualmente até assisto, mas escolho com atenção o dia e o horário.
Desde que celular foi inventado, a classe média ABCDEF assumiu sua falta de educação. Tornou-se um hábito a pessoa acreditar que pode ter o mesmo comportamento de casa num espaço público. Não se respeita o espaço alheio. Mesmo com os avisos de DESLIGAR o aparelho, as pessoas não respeitam. E isso acontece em todas as salas de qualquer shopping. Dos mais ou menos badalados… Já me irritei até em pré-estreia com convidados chamados de VIPS de Campinas… Tive que gritar para uma ‘famosa’ para calar a boca…
Sendo assim, penso duas vezes antes de sair de casa para ir ao cinema. Mesmo assim, escolho um dia e um horário específicos. Como sou assumidamente intolerante com qualquer tipo de barulho, conversa ou ‘luz do aparelhinho’, evito ao máximo.
E vamos combinar: pagar R$ 72 para ver um filme, como no Cinemark XD / 3D D-BOX do Iguatemi Campinas, é irreal.
A pessoa precisa levar uns tapas na cara por pagar um negócio desses ao invés de doar esse dinheiro a alguma entidade filantrópica nacional ou internacional.

(Artigo escrito por Jorge Marcelo Oliveira)

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