Você conhece a cantora lírica Yma Sumac?

Fãs de RuPaul’s Drag Race jamais esqueceram o lipstick battle entre Jinkx Monsoon vs Detox na semi-final do reality show em 2013. A canção escolhida foi a inusitada Malambo No1, maior sucesso da cantora peruana Yma Sumac. Jinkx estava imbatível.
Soprano coloratura dos anos 50, Yma nasceu com o nome de Zoila Augusta Emperatriz Chavarri del Castillo, em Cajamarca, 13 de setembro de 1922 e se tornou um sucesso internacional graças ao seu notável alcance vocal.
Ela transitava entre notas de baixo-barítono ao soprano ultra leggero, chegando a 5 oitavas de acordo com o Guiness – numa época onde o alcance de um cantor de ópera variava entre 2,5 e 3 oitavas. Quando morreu, aos 86 anos, suas cordas vocais intactas, trabalhando com sua voz por 55 anos.

Yma Sumac @ Reprodução

Além da voz, seus cabelos negros e roupas extravagantes a fizeram uma figura popular entre plateias americanas da época.
A primeira aparição de Yma Sumac foi em 1942 numa rádio. Ela gravou 23 canções da música folclórica peruana na Argentina em 1943. Essas gravações foram bem recebidas pela Odeon (gravadora que produziu suas primeiras canções) e teve a participação do grupo de Moisés Vivanco (seu marido), Compañía Peruana de Arte, composto por 46 dançarinos, cantores e músicos de origem indígena.
Em 1946, Yma e Vivanco se mudaram para Nova York onde atuaram como o Inca Taky Trio. Ela se apresentava ao lado de sua prima, a contralto Cholita Rivero e Vivanco no violão. Em 1954, apareceu cantando e atuado em O Segredo dos Incas, um filme de aventuras estrelado por Charlton Heston e Robert Young. Três anos, esteve no filme ‘Omar Khayyam’, ao lado de Cornel Wilde.

Sua voz

Yma Sumac foi a notável extensão de sua voz, que ia de notas de soprano coloratura (‘Der Hölle Rache’, ária de ‘A Flauta Mágica’, de Mozart) até notas típicas de barítono (o papel de “Papageno” na mesma ópera).
Nas canções do álbum “Legend Of The Sun Virgin”, do início da década de 1950, ela canta esta nota dezenas e repetidas vezes, com intercalações com notas absurdamente graves.
Em 1954, o compositor erudito Virgil Thomson descreveu a voz de Sumac como “muito baixa e quente, muito alta e semelhante a um pássaro”, observando que seu alcance “é muito próximo a cinco oitavas, mas não é de modo algum desumano ou estranho no som”. Oficialmente, era classificada como um soprano coloratura.
Na canção ‘Chuncho’ Yma emite um Lá#2. Durante o recital na Marina Room no Edgewater Hotel em Chicago, em 21 de janeiro de 1953, na apresentação de Chuncho Yma subiu até o Láb7, essa versão ao vivo encontra-se no CD intitulado “The Voice”, com gravações inéditas que faziam parte de uma coleção privada deixada por Yma Sumac. Dessa forma seu alcance demonstrado ao vivo ia do Lá#2 ao Láb7, porém de acordo com o Guiness, Yma cantava do Lá#2 ao Si7.

Cultura Pop

Em 1992, ela foi tema de um documentário na TV Alemã chamado ‘Yma Sumac – Hollywood’s Inca Princesss’. Sua canção ‘Ataypura’ esteve no filme ‘O Grande Lebowski’, dos irmãos Coen, em 1998.
A canção ‘Bo Mango’ para comercial do licor Kahlúa, em seguida, foi sampleada na canção ‘Hangs Up’ do The Black Eyed Peas.
‘Gopher Mambo’ apareceu nos filmes ‘Happy Texas’, ‘Confissões de Uma Mente Perigosa’, entre outros. Também foi usada numa dos atos do espetáculo ‘Quidan’ do Cirque Du Soeil.
‘Malambo No.1’ apareceu no filme ‘Morra, Smoochy, Morra’, sampleada na canção ‘Everything I Can’t Have’ do cantor Robin Ticke, mencionada na canção ‘Joe le Taxi’, de Vanessa Paradis e no videoclipe ‘Mad About You’, da cantora Belinda Carlisle.
Aos 85 anos, Yma Sumac morreu em novembro de 2008, em Los Angeles, nove meses depois de diagnosticada como câncer no cólon.