Madonna ainda é relevante à música Pop?

“Quando se trata dos direitos das mulheres, ainda estamos na Idade das Trevas. O fato das pessoas acreditarem que uma mulher não pode expressar a sua sexualidade e se aventurar depois de uma certa idade é a prova de que vivemos ainda numa sociedade sexista que não aceita o envelhecimento das mulheres”.

Em abril passado, Madonna manifestou sua indignação quando rádios britânicas se recusaram a tocar a canção Medellin, primeiro single de ‘Madame X’, 14º álbum em estúdio lançado na sexta-feira, 14 de junho.
Em entrevista ao programa ‘Fantástico’ de domingo, 16, ela reforçou a questão e ainda me provocou com outra: ‘Se eu fosse homem, não estaria passando por isso’.
Pois é… Será?
Passei a manhã pensando no assunto. Madonna não inventou a música pop, mas soube, como poucas a domina-la. Além de todas as regras, ela misturou fartas doses de polêmica.

Madonna Madame X @ divulgação

Historinha do Pop

O gênero surgiu EUA na década de 50. Incorporando elementos dance, rock, música latina, soul e country, a música Pop conta com canções duração média-curta (em torno de três a quatro minutos), escritas em um formato básico (muitas vezes a estrutura verso-refrão), empregam refrãos e batidas repetidas, ganchos, as letras abordam temas universais, como romances, namoro, paquera e separação, porém, nada específico demais para atingir um maior número de pessoas e de fácil assimilação.
Acrescente público jovem. Seu principal consumidor.
Para chegar á ele, ela precisou se aliar com outras mídias: rádio, cinema e, principalmente, a televisão. A partir desse momento, surge outro elemento: o visual.
Nos anos 60, a palavra o Pop entrou em choque com seu principal rival: o rock. Enquanto o rock desejava a autenticidade de letras mais profundas, o pop era mais comercial, efêmero e acessível.
Porém, as coisas eram confusas. Nomes da época, como Elvis Presley, The Beatles e Rolling Stones transitaram tranquilamente pelos dois gêneros. Na década seguinte, David Bowie, Elton John e o Queen também beberam nas fontes do pop de diferentes formas – principalmente no quesito imagem.
O Pop Music viveu seu ápice com explosão da Disco Music na década de 1970. Das raízes negras do funkadelic e dos inferninhos dançantes gays e latinos, o gênero tornou-se um fenômeno cultural da época. Centenas de nomes surgiram, contudo, poucos resistiram ao seu final.
Mesmo assim, a Disco Music é continua fonte de influência de todos os artistas pop desde então.
Na década de 1980, o surgimento da MTV, um canal voltado ao videoclipe, o gênero foi revitalizado, principalmente pelos talentos e ambições de Michael Jackson e Madonna. Eles ser tornaram o Rei e a Rainha da Música Pop. Michael, morreu. Quanto a Madonna…

Madonna Sex Book @ Steven Meisel

Reinado

Seu primeiro hit foi ‘Everybody’, em 1982. Ou seja, há 37 anos. Desde, então, ela vendeu 300 milhões de discos. Ela reina como a Artista Feminina mais rentável de todos os tempos pelo Guinnes World Records. Na mesma lista, ela só perde para The Beatles, Elvis Presley e Michael Jackson, mas está na frente do Elton John, Led Zeppelin, Rihanna e Pink Floyd, entre os artistas que venderam mais de 250 milhões de discos.
Madonna também é dona de outros títulos. Destaco um: é visionária. Desconheço um artista que entendeu tão bem outro ponto muito importante da música pop: o tempo.
Sendo um gênero tão ligado ao atual, ou ao ‘efêmero’ e ao rapidamente consumido, canções e artistas pop têm um prazo de validade bem curto.
Sendo assim, a cada geração, nomes vão surgindo e criando novas formas de comunicação com o público jovem, que é o desejado pela Indústria da Música Pop. Esses artistas interpretam o que o público deseja naquele momento.

Madonna Anos 80

Madonna também ‘conversou’ com as gerações seguintes. A Confessions Tour, em 2005, arrecadou mais de US$ 194.7 milhões de 60 shows com 1.2 milhão de espectadores, e quebrou seu próprio recorde com a Sticky & Sweet Tour, com um público de 3.5 milhões em 32 países, arrecadando um total de US$ 408 milhões. É a turnê mais bem sucedida de uma artista feminina.
Só um parêntese: claro que a música pop pode ser consumida por pessoas de qualquer idade, porém, quanto jovem… Suas obrigações estão ligadas à escola, amigos, namorados, baladas, clubes, bebidas, passeios… E tempo livre! Ou seja, é a época dourada (e mais romanceada) de uma vida, antes da temida fase adulta ligada às responsabilidades, como trabalho, família, filhos, status sociais…
Aos 60 anos, Madonna continua com o título de Rainha pelos recordes obtidos em quatro décadas de carreira. Dizer que ela se comunica com a geração atual é um erro, óbvio. Cada época segue o que diz seu artista do momento. Além do mais, desde da explosão das redes sociais no início dessa década, as formas de comunicação são bem diferentes e muito mais rápidas de se esgotarem.
Mariah Carey, Whitney Houston, Celine Dion, Britney Spears, Christina Aguilera, Beyonce, Jennifer Lopez, Rihanna e Lady Gaga passaram por isso, como Taylor Swift, Pink, Katy Perry, Demi Lovato, Selena Gomes e Ariana Grande irão passar. É natural.
Madonna conta quatro décadas de fãs. Não é qualquer uma que tem isso.
Quanto às rádios inglesas que deixaram do tocar suas músicas é uma questão é preconceito de idade e gênero. Nada além.

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