Exposição resgata trajetória de mulheres brasileiras na história da arte

A exposição Mulheres artistas: nos salões e em toda parte propõe a reavaliação de artistas brasileiras não pontuadas pela história da arte, que acontece entre os dias 04 de junho e 30 de julho na galeria Arte132.

Anita Malfatti – Nu Feminino – Nanquim sobre o papel – 1925 @ Everton Ballardin

Com curadoria de Ana Paula Cavalcanti Simioni, a mostra reúne obras de pintoras, parte delas egressas da academia, e em sua maioria com participações constantes nos Salões da primeira metade do século XX, mas chama atenção para o fato de que muitas ficaram no anonimato e raríssimas chegaram ao status alcançado por artistas homens.

Haydea Lopes Santiago – Sem Título – Óleo sobre Tela – 1947 @ Everton Ballardin

A mostra apresenta 30 obras, dentre elas as de Aurélia Rubião, Bellá Paes Leme, Dorothy Bastos, Georgina de Albuquerque, Haydéa Lopes Santiago, Helena Pereira da Silva Ohashi, Laurinda Pacheco de Carvalho Ribeiro, Lucília Fraga, Miriam Chiaverini, Lucci Citty Ferreira, Regina Liberalli Laemmert, Salma Mogames, Sinhá d’Amora, Yvone Visconti Cavalleiro e também de Anita Malfatti, que enfrentou questões de gênero e polêmicas envolvendo o escritor Monteiro Lobato.

Dorothy Bastos – Composio – Xilogravura – 1954 @ Everton Ballardin

“Além das questões de história da arte, comuns a todos os artistas, existem aquelas particulares às mulheres, muitas vezes denominadas por ‘questões de gênero’. Tradicionalmente, as produções feitas pelas criadoras foram vistas como menos profissionais do que as dos homens, como passatempos de amadoras e diletantes e, portanto, pouco merecedoras de atenção. Essa exclusão tem uma longa história, de matrizes econômicas, religiosas, culturais e políticas profundas, quase imemoriais, que compõem o que chamamos de patriarcado. No campo da história da arte, isso teve desdobramentos específicos”, explica a curadora.

Em Mulheres artistas: nos salões e em toda parte, vale destacar a gravurista Dorothy Bastos, que tem sete obras exibidas na galeria, produzidas nos anos 1950. Dorothy foi por duas vezes ganhadora do Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, em 1959 e 1962, mas acabou, posteriormente, sendo pouco lembrada pela historiografia e associada pela crítica à condição de aluna de Lívio Abramo.

Salma Mogames – Arranha Ceus – Óleo sobre Tela – 1954 @ Everton Ballardin

Sobre Ana Paula Simioni

Ana Paula Cavalcanti Simioni é professora do Instituto de Estudos Brasileiros da USP e membro do Instituto de Estudos Avançados de Nantes. Pesquisa mulheres artistas, especialmente no Brasil, desde 2000. É autora de: “Mulheres modernistas: estratégias de consagração na arte brasileira”, São Paulo: EDUSP, 2022 e “Profissão Artista: pintoras e escultoras acadêmicas brasileiras (1884-1922)”, São Paulo: EDUSP, 2008 (reedição 2019). Foi curadora das exposições “Mulheres artistas: as pioneiras, 1880-1930”, com Elaine Dias, na Pinacoteca Artística do Estado de São Paulo, em 2015; e “Transbordar: transgressões do bordado na arte”, no SESC Pinheiros, 2020-2021.

Helena Pereira da Silva Ohashi – Interior com cadeiras – Óleo Sobre Tela – 1942 @ Henrique Luz

Serviço
Mulheres artistas: nos salões e em toda parte
Data: 04 de junho até 30 de julho
Horários de visitação: de segunda a sexta, das 14h às 19h. Sábados, das 11h às 17h
Local: Arte132 (Av. Juriti, 132, Moema, São Paulo)
Entrada gratuita

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