“O perfume nunca existe por si só, ele ajuda a contar histórias”, explica Sergio Momo.
Xerjoff é uma empresa italiana de fragrâncias de nicho criada por Sergio Momo e Dominigue Salvo, em Turin, em 2007.
“Comecei a pintar quando era muito pequeno”, conta Momo. Depois veio o mundo do design, que se tornou sua profissão, e, por fim, os perfumes.
Sua avó era uma colecionadora e mantinha frascos em casa e seu pai era um grande entusiasta, viajando pelo Oriente, entre a China e o Sudeste Asiático, em busca de matérias-primas como o sândalo e os incensos.
A decisão de transformar essa paixão em uma marca de nicho tomou forma em 2005, quando Momo foi a Grasse para estudar criação de perfumes e os fatores históricos e culturais que moldaram a perfumaria moderna, do século XIX até hoje, além de cursos de destilação.

O nome vem de “Joff”, apelido de Momo dado por sua avó eslovena, que foi acrescido com o pronome de tratamento em inglês “Sir”, dada pelos colegas do curso de Artes Plásticas da Grasse. De “Sir Joff” nasceu “Xerjoff”.
“Quando comecei a me ver não apenas como um usuário, mas também como um criador de perfumes, quis retornar às origens, entender como eram feitos no passado. Estudar o mundo da perfumaria antiga e utilizar a natureza por meio dos sistemas de transformação e destilação da matéria-prima”, conta Momo. “No início, éramos apenas dois: eu e minha sócia, Dominique Salvo.”
Hoje, a empresa conta com 50 colaboradores e está presente em 142 países. As primeiras etapas da internacionalização aconteceram na Inglaterra e na Rússia.

Impulsionada pelo desenvolvimento da plataforma online, a empresa cresceu registrou um aumento de 15% no faturamento durante a pandemia. “Isso mostra que o perfume não é mais visto apenas como algo para se usar ao sair de casa, mas também para ser apreciado no ambiente doméstico.”
A boutique digital tem um papel fundamental, pois “busca manter um contato direto com o consumidor”. No entanto, a Xerjoff aposta nas lojas físicas, “onde há alguém que pode explicar toda a filosofia por trás das fragrâncias.”
Este ano, a marca inaugurará duas novas boutiques em Mykonos e Frankfurt. No próximo ano, será a vez de Cingapura, e, em 2025, os Estados Unidos.
Perfumaria de Nicho
Existem muitas fragrâncias totalmente sintéticas, geralmente com baixos preços, que ditam as tendências da moda.
“O fato de a maioria das pessoas usar o mesmo perfume, assim como a mesma calça ou o mesmo casaco, é algo sem personalidade alguma. Foi o que aconteceu nos anos 80, quando se difundiu o conceito de unissex.”

Dessa forma, surgiu uma pequena revolução iniciada pela perfumaria de nicho. Em vez de enxergar o perfume sob a ótica da grande distribuição, “nós o reinterpretamos de uma maneira artística e individual, como se fosse a exposição de um ateliê de moda ou uma mostra.”
A ideia conquistou muitas pessoas, que passaram a perceber que o perfume pode expressar algo profundamente pessoal.
A maison produz mais de 140 perfumes, organizados em coleções, cada uma contando uma história inspirada pelo espaço ou pela literatura. “Trabalhar com a imaginação é importante, mas tudo o que fazemos tem uma base real.”

A coleção Shooting Stars nasceu de um estudo para criar uma linha de fragrâncias o mais experimental possível, dando a cada perfume o nome de uma estrela cadente. “Na realidade, uma estrela cadente não é exatamente uma estrela, mas um fragmento que viaja pelo espaço e, por acaso, chega à Terra”, conta Momo.
Como detalhe exclusivo, dentro do cofre de cada fragrância há um autêntico pedaço de meteorito, cuidadosamente selecionado através de uma rede de colecionadores ao redor do mundo.

Depois, há a coleção Oud Stars. O oud — uma resina oleosa extraída de uma árvore nativa do Sudeste Asiático — chegou ao Ocidente há poucos anos, mas tem uma história e uma cultura profundamente enraizadas nos países asiáticos. Trata-se de um óleo raríssimo e de difícil extração, citado diversas vezes no Alcorão e amplamente conhecido em todo o Oriente Médio.
A coleção se inspira em um livro do século XIV, escrito por Ibn Battuta, um explorador marroquino que, ao longo de 30 anos, percorreu o mundo conhecido de sua época, do Saara à Rússia, passando pela China e pela Índia. O relato de suas viagens foi registrado no Rihla, onde descreveu diversas cidades. A partir dos capítulos desse livro, a Xerjoff criou uma coleção de perfumes nomeados em homenagem às antigas cidades visitadas pelo explorador.

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