Sirât é uma palavra árabe que significa “caminho” ou “via”; no contexto religioso islâmico refere‑se tanto ao “Caminho Reto” (Sirat al‑Mustaqim) quanto à ponte sobre o Inferno que os fiéis deverão atravessar no Dia do Juízo, conceitos centrais na teologia islâmica.
Vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cinema de Cannes 2025, Sirât é o novo filme do cineasta galego Óliver Laxe. A obra é uma experiência sensorial e perturbadora que mistura road movie, misticismo e rave no deserto, com direito a uma das cenas mais tristes exibidas no ano.
Sirât acompanha um pai, Luís (Sergi López), e seu filho pequeno numa busca obsessiva pela filha desaparecida, atravessando raves clandestinas e paisagens desérticas no sul do Marrocos.

A narrativa se desenrola como uma peregrinação moderna: os personagens mostram a foto da jovem para todos, seguem pistas em festas intermináveis e se entregam a rituais coletivos que os empurram para limites físicos e psicológicos. A trama evita explicações fáceis sobre o sumiço, preferindo explorar o impacto do luto e da esperança em ambientes de êxtase e perigo.
A recepção internacional tem destacado o filme como uma experiência cinematográfica intensa, comparável a um choque sensorial que privilegia a jornada sobre a resolução narrativa. Funciona como um exercício de tensão e imersão, onde a trilha sonora eletrônica e a mise-en-scène transformam o deserto em um purgatório contemporâneo.

Veículos estadunidenses elogiaram a ousadia formal do filme. A Variety chamou Sirât de uma viagem “bizarra e brilhante” que desafia gêneros e coloca o espectador diante de uma visão pessoal e perturbadora do diretor, ressaltando a construção de um clima de desamparo cósmico e a atuação magnética de Sergi López.

O Indiewire destacou o filme como uma possível “tragédia de rave”, elogiando sua capacidade de transformar elementos de cultura eletrônica em matéria dramática e cinematográfica, e apontou a direção de Laxe como um dos pontos centrais que tornam o filme singular.
Resenhas de festivais ressaltam a combinação de solidariedade humana e confronto com a natureza, descrevendo Sirât como um filme que testa limites e, por vezes, repete momentos de choque que mantêm o público em estado de alerta constante; a experiência é frequentemente qualificada como visceral, mas inegavelmente poderosa.
Sirât é um filme que exige do espectador entrega e resistência. Para quem busca cinema que arrisque formalmente e provoque respostas físicas e emocionais, a obra de Óliver Laxe oferece uma experiência intensa e inesquecível; para públicos que preferem narrativas mais convencionais, pode soar implacável.
Prêmios e trajetória em festivais
Com produção de El Deseo, do diretor espanhol Pedro Almodóvar, Sirât teve passagem de destaque pelo Festival de Cannes, onde conquistou o Grande Prêmio do Júri e de Melhor Trilha Sonora, consolidando-se como um dos títulos mais comentados da temporada e impulsionando sua circulação internacional e presença em mostras e críticas especializadas.
Representante oficial da Espanha para o Oscar 2026 (Melhor Filme Internacional), ele está indicado ao Critics Choice Awards 2026 (Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Som), Satellite Awards 2026 (Melhor Filme Internacional) e British Independent Film Awards 2025 (Melhor Filme Internacional, entre outras categorias).
