Os vencedores do Grammy 2026

A 68ª edição do Grammy Awards foi um realinhamento na história da indústria fonográfica estadunidense. Conforme analisado pela Variety e pelo The Hollywood Reporter, a noite marcou o fim de barreiras linguísticas e o estabelecimento de novas hegemonias técnicas.
A Recording Academy entregou uma lista de vencedores que, segundo o The New York Times, reflete um equilíbrio entre o impacto comercial massivo e o reconhecimento de legados artísticos inquestionáveis, consolidando o ano de 2026 como o marco da música sem fronteiras.

A vitória de Bad Bunny na categoria de Álbum do Ano por “Debí Tirar Más Fotos” foi o evento mais significativo da noite. Como destaca o Deadline, é a primeira vez que um álbum inteiramente em espanhol conquista a honraria máxima da música. Além deste, ganhou também Melhor Álbum de Música Urbana e Melhor Performance de Música Global (Eeo).
A análise da Vogue aponta que o porto-riquenho não venceu apenas por números de streaming, mas por uma sofisticação sonora que funde o urbano com o experimental. Seu discurso político, marcado por críticas severas às políticas de imigração e ao ICE, ressoou como um manifesto cultural.
A vitória sobre nomes como Lady Gaga e Kendrick Lamar valida a tese da Variety de que o centro de gravidade da música pop se deslocou para o Sul Global. Pelo menos, por enquanto.

Bad Bunny Grammy 2026 @ Getty

Kendrick Lamar saiu da cerimônia não apenas como o vencedor de Gravação do Ano por “Luther” (em colaboração com SZA), mas como o rapper mais premiado da história. Ao atingir a marca de 26 gramofones dourados, Lamar superou o recorde anterior de Jay-Z.
O The New York Times descreve sua trajetória com o álbum “GNX” como uma aula de resiliência e inovação técnica.
O triunfo de Luther demonstra que a Recording Academy abraçou a densidade lírica de Kendrick como o padrão ouro da excelência contemporânea.
Para o The Hollywood Reporter, Lamar está definindo os parâmetros do que a música de protesto e celebração deve ser nesta década.

Kendrick Lamar Grammy 2026 @ Getty Images

Embora Bad Bunny tenha levado o prêmio principal, Lady Gaga reafirmou sua soberania técnica ao vencer Melhor Álbum Vocal Pop com Mayhem e Melhor Gravação Dance-Pop por Abracadabra.
A análise da ELLE destaca que Mayhem é um retorno às raízes teatrais da artista, porém com uma maturidade de produção que a coloca num lugar único. A Recording Academy reconheceu em Gaga uma capacidade de reinvenção que poucos veteranos conseguem sustentar, mantendo-se na vanguarda estética e comercial simultaneamente.
Com essas duas vitórias, ela soma 16 Grammys em sua trajetória, empatando com Adele como a sexta mulher mais premiada da história do evento.
A faixa “Abracadabra” também rendeu o prêmio de Melhor Gravação Remixada para o DJ Gesaffelstein, e o produtor de seu álbum, Cirkut, venceu como Produtor do Ano (Não-Clássico). No entanto, esses troféus são creditados formalmente aos técnicos/produtores e não à artista.

Lady Gaga Grammy 2026 @ Getty

Ao vencer o prêmio de Canção do Ano por Wildflower, Billie Eilish e seu irmão Finneas O’Connell tornaram-se os primeiros artistas na história da Recording Academy a conquistar este troféu específico por três vezes. Conforme analisado pela Variety e pelo The Hollywood Reporter, este feito coloca a artista de 24 anos em um patamar de prestígio que supera lendas da indústria, isolando-a como a recordista absoluta de uma das categorias mais cobiçadas do General Field.
Além do recorde na categoria de composição, esta vitória permitiu que Billie atingisse a marca de sete prêmios nos campos principais (as chamadas Big Four), empatando com Adele como a artista feminina com mais vitórias nas categorias de maior prestígio da noite.
Para o Deadline, o sucesso de “Wildflower”, uma balada introspectiva reeditada como single em 2025, prova que a sensibilidade de Eilish possui uma longevidade que desafia os ciclos rápidos do streaming.

Billie Eilish Grammy 2026 @ Christopher Polk – Getty Images

A vitória de Olivia Dean como Artista Revelação (Best New Artist) foi a confirmação de que ela é a herdeira de uma linhagem de vozes britânicas que redefiniram o soul e o pop global nas últimas décadas.
Ao subir ao palco da Crypto.com Arena, Dean foi oficialmente “batizada” pela crítica especializada — incluindo The Guardian e Variety — como a sucessora natural de ícones como Adele e Amy Winehouse.

Olivia Dean Grammy 2026 @ Getty

Outra surpresa da noite, conforme reportado pela Variety, foi a vitória de outra britânica, Lola Young, como Melhor Performance Solo de Pop por Messy. Derrotando Lady Gaga e Sabrina Carpenter, a vitória de Young sinaliza um retorno ao apreço pela crueza vocal e pela composição confessional.
Embora tenha perdido o prêmio de Artista Revelação para Olivia Dean, a conquista de Young é vista pelo The Hollywood Reporter como uma validação da nova onda de talentos britânicos que priorizam a autenticidade emocional em detrimento da superprodução.

Lola Young Grammy 2026 @ Getty Images

Para o público brasileiro, a vitória de Caetano Veloso e Maria Bethânia na categoria de Melhor Álbum de Música Global por Caetano e Bethânia Ao Vivo representa um momento de reparação histórica.
A análise do The New York Times destaca que o projeto captura a essência da canção brasileira em sua forma mais pura. Para Bethânia, este é o primeiro Grammy de sua carreira, uma consagração que a Variety descreve como tardia, porém necessária. Já Caetano amplia seu legado como um dos maiores intelectuais da música mundial.
O reconhecimento deste álbum ao vivo prova que a sofisticação da MPB continua a ser uma força diplomática e artística insuperável no palco internacional.

Bethânia e Caetano vencem Grammy 2026 @ Divulgação

Confira os vencedores das principais categorias do 68º Grammy Awards:

Categorias Principais (General Field)
• Álbum do Ano: Debí Tirar Más Fotos — Bad Bunny
• Gravação do Ano: “Luther” — Kendrick Lamar & SZA
• Canção do Ano: “Wildflower” — Billie Eilish & Finneas O’Connell
• Artista Revelação: Olivia Dean

Pop & Dance
• Melhor Álbum Pop Vocal: Mayhem — Lady Gaga
• Melhor Performance Solo de Pop: “Messy” — Lola Young
• Melhor Performance de Dupla/Grupo Pop: “Defying Gravity” — Cynthia Erivo & Ariana Grande (de Wicked)
• Melhor Álbum de Pop Tradicional: A Matter of Time — Laufey
• Melhor Gravação de Dance Pop: “Abracadabra” — Lady Gaga
• Melhor Álbum de Música Dance/Eletrônica: EUSEXUA — FKA twigs
• Melhor Gravação de Dance/Eletrônica: “End of Summer” — Tame Impala

Rock & Música Alternativa
• Melhor Álbum de Rock: Never Enough — Turnstile
• Melhor Canção de Rock: “As Alive As You Need Me To Be” — Nine Inch Nails
• Melhor Performance de Rock: “Changes (Live From Villa Park)” — YUNGBLUD (feat. Nuno Bettencourt)
• Melhor Álbum de Música Alternativa: Songs of a Lost World — The Cure
• Melhor Performance de Música Alternativa: “Alone” — The Cure

Rap & R&B
• Melhor Álbum de Rap: GNX — Kendrick Lamar
• Melhor Canção de Rap: “TV OFF” — Kendrick Lamar (feat. Lefty Gunplay)
• Melhor Performance de Rap: “Chains & Whips” — Clipse (feat. Kendrick Lamar & Pharrell Williams)
• Melhor Álbum de R&B: MUTT — Leon Thomas
• Melhor Performance de R&B: “Folded” — Kehlani

Música Global & Latina
• Melhor Álbum de Música Global: Caetano e Bethânia Ao Vivo — Caetano Veloso & Maria Bethânia
• Melhor Álbum de Música Urbana: Debí Tirar Más Fotos — Bad Bunny
• Melhor Álbum de Pop Latino: Cancionera — Natalia Lafourcade

Visual Media (Vídeo & Filme)
• Melhor Videoclipe: “Anxiety” — Doechii
• Melhor Filme Musical: Music by John Williams — (Produzido por Steven Spielberg, Dirigido por Laurent Bouzereau)
• Melhor Canção Escrita para Mídia Visual: “Golden” — HUNTR/X (do filme KPop Demon Hunters)

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