A pele negra possui características fisiológicas peculiares que tem impacto considerável nos cuidados diários, bem como na realização de tratamentos cosméticos. Outra característica deste fototipo é que as camadas cutâneas estão fortemente unidas em uma estrutura rígida que a torna mais firme e resistente do que a pele branca, minimizando o aparecimento de rugas, flacidez e celulite. “É importante lembrar que essas características não protegem a pele negra a ponto de dispensar o uso de filtros solares. Recomenda-se a utilização diária de produtos com FPS 15, principalmente para quem se expõe ao Sol”, alerta a dermatologista.
SensibilidadeEntretanto, a maior produção de melanina, apesar de proteger contra os malefícios do sol, aumenta também a possibilidade de pigmentação. Isto deixa a pele mais propensa a manchas, pois tende a escurecer e a produzir mais pigmento quando sofre qualquer forma de agressão, como uma cirurgia, uma queimadura ou mesmo um procedimento cosmético.
A pele negra também tem maior tendência à oleosidade e ao desenvolvimento de acne, pois suas glândulas sebáceas produzem maior quantidade de sebo. “Como este tipo de pele mancha com mais facilidade, as lesões de acne (cravos e espinhas) não devem ser manipuladas. Em decorrência da maior oleosidade e dos pelos encaracolados, essas pessoas apresentam mais frequentemente pelos encravados e foliculite (inflamação e/ou infecção do orifício por onde o pelo se exterioriza)”esclarece Dra. Luciana Conrado.
Dentre as patologias mais comuns da pela negra está a chamada “dermatose papulosa nigra”, lesões que são pequenos pontos acastanhados a negros, elevados que surgem na face. Este problema acomete entre 35% e 77% das pessoas negras e pode ter transmissão genética. No entanto, o tratamento é simples: com cauterizações ou curetagem pode-se resolver o problema, tendo muito cuidado para não desenvolver outras manchas na tentativa de remover a lesões.
Cuidados e tratamentosLuciana explica que, como existe um risco maior de desenvolvimento de manchas escuras em função de tratamentos cosméticos ou cirúrgicos, é preciso ter muito cuidado antes de realizar qualquer procedimento dermatológico.
“Os ‘peelings’ e laser sempre foram indicados com muita cautela para a pele negra. Hoje, as técnicas encontram-se bem mais estabelecidas e seguras para esses pacientes, observando-se os cuidados após a realização dos procedimentos e sempre com o acompanhamento médico. Os ‘peelings’ indicados são os superficiais e a depilação a laser deve ser feita com equipamentos específicos para a pele negra e bronzeada, que agridem menos. Em geral, não se recomenda o uso do laser ablativo ou a realização de ‘resurfacing’, pois são procedimentos mais agressivos e que apresentam maior risco de desenvolver queloides, forma de cicatrização exuberante e inestética, que são muito comuns na pele negra. Em qualquer situação, não esqueça: o ideal é sempre realizar tratamentos supervisionados por profissionais qualificados”, finaliza a dermatologista.

Você precisa fazer login para comentar.