A coleção de Nitratos da Cinemateca Brasileira foi formada por títulos sobreviventes advindos de arquivos e cinematecas de todo o país.
Entre as obras recuperadas pelo projeto estão raridades como “Barulho na Universidade” (1943), filme de Watson Macedo dado como perdido; “Cerimônias e Festa da Igreja em S. Maria”, documentário mais antigo do acervo, filmado em 1909; “Apuros de Genésio”, filme de 1940 que será exibido no Festival de Filmes Silenciosos de Pordenone, em outubro; e “Amazônia e Rio Exposição” de 1922, uma compilação de imagens feitas por Silvino Santos entre 1919 e 1926 na região Norte do país e na então capital federal.

De suma importância para a compreensão dos primórdios da cultura cinematográfica brasileira, a obra de Silvino Santos ganhou destaque recentemente com a (re) descoberta do seu primeiro longa Amazonas, o maior rio do mundo (1918-1920).
Trata-se da concretização de um esforço de décadas. As películas em nitrato de celulose, que eram utilizadas nos primeiros anos da indústria cinematográfica, são materiais extremamente delicados e que podem entrar em autocombustão.
Foram eles os responsáveis por quatro incêndios da história da Cinemateca: 1957,1969, 1982 e 2016. A recuperação da coleção de filmes do projeto Nitratos da Cinemateca Brasileira tem sido uma das principais frentes de trabalho da instituição desde sua reabertura, em 2022.
Para essa iniciativa, foram contratados 30 pesquisadores e técnicos de preservação e documentação de todo o país, que trabalharam por dois anos no projeto, recuperando cerca de 3.350 rolos de filmes – cinejornais, documentários, filmes de ficção, domésticos e publicidade. A maioria dessa equipe foi posteriormente incorporada ao quadro de funcionários da instituição.
A Cinemateca

A sede da Cinemateca Brasileira está localizada no Largo Senador Raul Cardoso, 207, local onde, durante o final do século XIX e início do XX, funciona o último matadouro da cidade de São Paulo. Inaugurado oficialmente no dia 21 de junho de 1887, tem grande importância para o desenvolvimento do bairro e para compreensão do processo de urbanização da cidade de São Paulo.

Em 1884, ocorre um concurso público para construção do edifício e o projeto vencedor é de autoria do arquiteto alemão Alberto Kuhlmann, também responsável pela construção da Companhia de Carris de Ferro São Paulo-Santo Amaro.
O Matadouro da Vila Clementino encerra suas atividades em 1927. Nos sessenta anos subsequentes, as edificações em área de 24.000 m² abrigam outras instituições municipais que, tentando adequar os espaços disponíveis aos usos pretendidos, descaracterizam o conjunto. Devido ao histórico de abandono e de mau uso das instalações, os galpões encontram-se em estado precário de conservação.

Em 1985 é finalizado o processo de tombamento do complexo pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo – Condephaat. Em 1991, é tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade – Conpresp.
No dia 09 de setembro de 1988, a Prefeitura do Município de São Paulo cede a área do antigo Matadouro para a Cinemateca Brasileira. O projeto inicial de restauração dos antigos galpões é idealizado pelos arquitetos Lúcio Gomes Machado e Eduardo de Jesus Rodrigues.

Nos edifícios antigos são abrigadas as áreas do Centro de Documentação e Pesquisa, Administração e as salas de exibição. Os depósitos climatizados e o Laboratório de Imagem e Som são implantados em novos edifícios, de forma a permitir o isolamento necessário das áreas técnicas.
Posteriormente, Nelson Dupré assume o trabalho de reconfiguração dos edíficios. Ao recompor as características estéticas e históricas, o arquiteto propõe elementos contemporâneos às edificações originais. Os galpões são conectados por uma cobertura envidraçada plana fixada nas paredes, com auxílio de tirantes. No galpão onde se encontra a sala de cinema Grande Otelo, os trilhos do trem, utilizados para o transporte de animais à época do Matadouro, estão preservados sob piso de vidro.
Salas de Cinema

A Cinemateca Brasileira conta com duas salas de exibição equipadas para a projeção dos diferentes formatos existentes em seu acervo de filmes. As salas contemplam desde a clássica e quase rara película em 35mm (padrão desde o início do cinema) até as tecnologias mais recentes de cinema digital, então, absorvidas pelo mercado exibidor.
As projeções em imagem digital na Cinemateca Brasileira acompanharam os desenvolvimentos de diversas tecnologias dos anos 2000 até a definição do mercado brasileiro de acolher a proposta do Digital Cinema Initiatives – DCI, atual referencial de qualidade para as grandes produções.
Filmes que não se enquadram dentro do modelo do mercado de produção e exibição também fazem parte da programação nas salas da Cinemateca e, trabalhando para permitir o acesso a estas obras, diversos formatos de vídeo (analógio e digital) e arquivos também são projetados.
A Sala Oscarito (antiga Cinemateca/Petrobras) foi inaugurada em 5 de novembro de 1997, construída no galpão II do antigo Matadouro, com capacidade para 107 espectadores, incluindo 03 assentos para cadeirantes. No final de 2005 passa por uma reforma para melhorias na qualidade da imagem e som exibidos e adequações de acessibilidade, sendo reaberta em março de 2006.
A Sala Grande Otelo (antiga Cinemateca/BNDES), com 210 lugares, incluindo 04 assentos para cadeirantes, foi inaugurada oficialmente em 12 de novembro de 2007, ocupando parte do galpão III do antigo Matadouro. Considerando o avanço nas tecnologias de projeção e discussões sobre a absorção do digital como principal tecnologia de exibição, esta sala teve o seu desenho adequado para a continuidade das projeções com as tecnologias originalmente analógicas em paralelo às tecnologias digitais que seriam absorvidas nos anos seguintes.
Na área externa, desde 2007, são realizadas sessões ao ar livre na área externa aos galpões do antigo Matadouro. Em 2012 foi instalado projetores de película 35mm e digital, e uma tela com as dimensões de 13m por 5,5m, com uma distância de 35m entre os projetores e a tela.
Cinemateca Brasileira está no Largo Sen. Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana – São Paulo – SP

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