A Arte na decoração de interiores

A arte tem a capacidade de transmutar os ambientes ao produzir atmosferas que mexem diretamente com nossas emoções e sensações, que vão do conforto até a inspiração e a reflexão. Para a arquiteta Ana Rozenblit, à frente do escritório Spaço Interior, a arte é essencial para dar alma aos espaços, revelando a identidade e a história de quem vive ali. “Quando o ambiente transmite algo, ele emana vida. A arte tem esse papel de nos despertar e dar identidade à casa”, argumenta.

Tela de Jotape na decoração do Spaço Interior @ Kadu Lopes

Cada obra, seja uma pintura, escultura ou fotografia, entre outras possibilidades, carrega consigo conexões que tornam o lar mais pessoal e repleto de significados. Inserir a arte nos projetos de interiores é, segundo a profissional, uma forma de expressão autêntica que convida os moradores a viverem seus espaços de maneira mais profunda e sensível, enriquecendo seus cotidianos.
A arte ultrapassa a simples função decorativa, pois atua profundamente na psique e diversas vertentes estudam as benesses nos seres humanos. Para a Filosofia, a apreciação do belo educa nossos sentimentos, revela virtudes e atua como um poderoso instrumento de formação e autoconhecimento. Para a Psicologia, ela produz respostas emocionais positivas, como a redução do estresse, a sensação ampliada de bem-estar e o aumento da capacidade de concentração.

Escultura de Syria Maya Raslan na decoração do Spaço Interior @ Rafael Renzo

Segundo o neurologista e psiquiatra alemão Dr. Kurt Goldstein, as cores com comprimentos de onda mais longos — como amarelo, vermelho e laranja — tendem a exercer um efeito estimulante no cérebro, despertando energia e ativando respostas mais intensas em comparação àquelas com comprimentos de onda mais curtos, como verde e azul, que evocam calma e serenidade.

Theatro Municipal do RJ 1909, de Flávia Junqueira, na decoração do Spaço Interior @ Kadu Lopes

As fotografias carregam um poder particular: capturam memórias e as transformam em presença cotidiana. Inseridas na decoração, funcionam como obras de arte com valor simbólico. “A imagem tem o poder de nos transportar. É como deixar nossas lembranças expostas de maneira sofisticada”, comenta a arquiteta. Organizá-las em painéis, emoldurá-las com destaque ou distribuí-las com leveza transforma corredores e salas em verdadeiras galerias pessoais.

Tela de Kiolo na decoração do Spaço Interior @ Kadu Lopes

Quando a arte se mistura à própria estrutura do ambiente, o resultado transcende o decorativo. Obras moldadas para dialogar com paredes, espelhos e volumes arquitetônicos concebem uma narrativa espacial mais ousada e envolvente. “A arte precisa dialogar com o espaço, se permitir moldar e ser envolvida por ele. Isso é integração verdadeira”, observa a arquiteta. Esse tipo de intervenção renova áreas de passagem como o hall de entrada.

Tela de David José na decoração do Spaço Interior @ Rafael Renzo

As esculturas trazem materialidade e presença tridimensional aos ambientes. Posicionadas com critério, elas dialogam com volumes, texturas e sombras, criando cenários táteis. Para Ana, “elas nos fazem parar e nos sintonizam de forma sensível com o entorno”. São peças que pedem contemplação, especialmente quando confeccionadas em metal, pedra, cerâmica ou madeira, contrastando com elementos lisos ou reflexivos.