A Geração Z transformou estate sales (Venda de Garagem de Luxo ou ‘Família Vende Tudo’) em um fenômeno cultural: jovens buscam peças únicas por motivos estéticos, econômicos e ambientais, e no Brasil esse movimento se manifesta pelo crescimento dos brechós, digitalização de leilões e entrada de compradores jovens no mercado imobiliário em leilões.
Atraídas por autenticidade e sustentabilidade, pessoas nascidas entre meados dos anos 1990 e início dos anos 2010 passaram a frequentar vendas de espólio que antes eram dominadas por gerações mais velhas. Essas vendas oferecem móveis, roupas e objetos com história e qualidade, e tornaram-se um espaço de curadoria pessoal e descoberta estética para a Geração Z.

Três vetores explicam a adesão jovem. Primeiro, a busca por peças únicas e narrativas pessoais que reforçam identidade estética. Segundo, a consciência ambiental que privilegia a reutilização em vez do consumo rápido. Terceiro, a economia: itens de qualidade aparecem por preços muitas vezes inferiores aos do mercado novo, embora a competição por achados esteja elevando valores em alguns casos.
Plataformas como TikTok e Instagram transformaram visitas a estate sales em conteúdo viral. Influenciadores especializados mostram garimpos, dão dicas de restauração e criam uma cultura de descoberta que amplia o público e profissionaliza a revenda. Esse ciclo de exposição acelera a procura e, em alguns mercados, eleva preços e atrai revendedores profissionais.

No Brasil a tendência não é idêntica, mas tem ecos claros. O mercado de brechós cresceu de forma acelerada e deixou de ser nicho para se tornar um setor relevante, com estimativas de 118 mil brechós e projeção de R$ 24 bilhões no mercado de second hand, segundo levantamentos recentes. Consumidores jovens passaram a ver a segunda mão como símbolo de estilo e responsabilidade ambiental.
A digitalização dos leilões e a divulgação online aproximaram jovens de modalidades antes técnicas. Relatórios de 2025 indicam que geração Z e millennials já representam mais de 40% dos compradores em leilões de imóveis, com ticket médio citado em estudos por volta de R$ 400 mil, o que mostra uma mudança no perfil do comprador e na democratização do acesso a ativos por meio de leilões.
A popularidade traz efeitos colaterais. A competição por peças raras pode inflacionar preços e transformar achados em mercadoria para revenda, reduzindo o acesso de consumidores que buscam itens para uso pessoal.
No Brasil, a profissionalização do mercado de segunda mão cria oportunidades de negócio e emprego, mas também exige regulação e transparência em leilões e plataformas digitais para evitar fraudes e práticas predatórias.
Brechós

A palavra brechó no Brasil descreve lojas de artigos usados, conceito que tem raízes na Europa do século XIX, quando mercados de segunda mão e lojas de caridade passaram a organizar vendas regulares de roupas e objetos. Esses pontos de venda atendiam populações com menor poder aquisitivo e também funcionavam como canais de redistribuição de bens. No exterior a distinção entre lojas “vintage” e “second hand” foi se consolidando ao longo do século XX, com a primeira focada em peças de época e a segunda em itens usados em geral.
No século XX os brechós mantiveram papel social e econômico, mas a partir das décadas recentes houve três mudanças centrais. Primeiro, a curadoria: lojas passaram a selecionar peças por estilo e época, criando valor estético. Segundo, a digitalização: plataformas e redes sociais ampliaram alcance e criaram mercados de revenda online. Terceiro, a profissionalização: surgiram revendedores que compram para revender, elevando preços de itens raros e transformando o setor em negócio rentável.
No Brasil o brechó tradicional convive com modelos de consignação, bazares beneficentes e lojas especializadas em vintage. A popularização nas redes sociais e o crescimento do consumo consciente fizeram com que brechós deixassem de ser nicho e passassem a integrar a oferta de moda e decoração urbana.
Plataformas digitais e marketplaces locais facilitaram a entrada de jovens consumidores e vendedores, ampliando a circulação de peças e a profissionalização do setor.
