A importância de Madame Juliette Récamier na decoração e na moda

O sofá Récamier ganhou esse nome como uma homenagem a Jeanne Françoise Julie Adélaīde Bernard, a mais influente socialite de seu tempo. Filha de um conselheiro do rei, aos 15 anos, se casou o banqueiro – um dos mais importantes no império de Napoleão Bonaparte – Jacques-Rose Récamier, tornando-se Madame Juliette Récamier.
Ela era muito influente nos círculos literários e políticos na metade do século 19. Boatos afirmavam que, de fato, Jacques seria o pai da garota e se casou para garantir a ela sua herança. Nunca foi comprovado por qualquer historiador, porém, numa carta enviada pelo banqueiro a um amigo, ele revela que o relacionamento com a mãe de Juliette ‘não foi meramente platônico’.
O fato é: o casamento nunca foi consumado e a Juliette permaneceu virgem até os 40 anos. Essa fofoca foi alimentada por Prosper Mérimée – autor da novela ‘Carmen’, que se tornaria a base para a ópera composta por Georges Bizet em 1975. Ao mesmo tempo, o escritor e historiado François-René de Chateaubriand tornou-se assíduo frequentador da casa da socialite, despertando novas suspeitas.
Em 1800, Jacques-Louis David começou a pinta-la, mas, insatisfeito com o resultado, quis refaze-la, deixou-a inacabada. Irritada pela lentidão do trabalho, Juliette convidou o Barão François-Gérard para fazer outra pintura. A primeira tela ficou guardada até ser conhecida pelo público quando foi adquirida para acervo do Louvre, em 1826. Tornou-se um sucesso. Um dos destaques mais inovadores era a pintura ser horizontal, modificando o padrão vertical dos retratos – até então. Outro destaque foi a ausência de outros objetos de decoração, ressaltando o simplicidade do vestido.

Julliete Récamier por François Pascal Simon, Baron Gérard, 1802 @ reprodução

Juliette usou um vestido de algodão branco com braços quase nus, e cabelo curto “à la Titus”. O vestido inaugura o estilo Diretório – perfeita para a época que pedia linhas mais próximas ao natural.

Juliette Récamier por Jacques-Louis David 1800 @ Reprodução

O sofá, uma espécie de divã com cabeceira mais alta e suavemente curvada, acabou se tornando o termo usado para designar qualquer banco sem encosto e com braços em ambas as extremidades menores.
Os melhores artistas da época como os escultores Antonio Canova e Joseph Chinard e os pintores Louis David e o barão Gérard, se sentiam felizes em poder retratar Juliette Récamier.

Busto de Madame Juliette Récamier por Joseph Chinard 1801–1802 @ reprodução

Em 1818, Juliette e o príncipe Augusto – seu novo amor – encomendam ao barão Gérard o quadro Corine no Cabo Misene, para prestar homenagem à amiga Madame de Staël, quem acabara de falecer. Foi diante deste quadro que Chateaubriand em Abbaye-aux-Bois faria a primeira leitura pública de suas Memórias de Além Túmulo. O quadro está hoje exposto no Museu de Belas Artes de Lyon.
Aos 71 anos, Juliette Récamier morreu em 1849 de cólera. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de Montmartre, na época, um vilarejo ao norte de Paris.