Mais do que simples acessórios de proteção, os sapatos têm desempenhado papéis fundamentais na hierarquia social, na expressão religiosa e na etiqueta ao longo da história da civilização.
Desde a Grécia Antiga até as normas de conduta do século XX, o calçado serviu como um termômetro de poder, riqueza e decência.

A relação entre divindade e calçados remonta à mitologia grega, onde Afrodite, a deusa do amor, era frequentemente representada nua, utilizando apenas um par de sandálias.

Esse simbolismo de destaque para os pés também era explorado de forma política por egípcios e romanos. Ambos os povos adotavam a prática de desenhar os rostos de seus inimigos nas solas das sandálias, permitindo que o portador pudesse, literalmente, pisar em seus adversários a cada passo dado.

No norte da Europa, a funcionalidade predominava desde a Idade do Bronze, com o uso de bolsas para os pés que se assemelhavam aos mocassins modernos. No entanto, a estética logo superou a utilidade.

No século XII, as biqueiras curvas tornaram-se uma medida de fortuna, onde o comprimento excessivo da ponta do sapato indicava a dimensão da riqueza de quem o calçava.

A influência das cortes europeias moldou o design que conhecemos hoje. O famoso salto Louis, caracterizado por ser largo na base e acinturado no meio, surgiu na corte francesa de Luís XV e permanece como uma referência para designers contemporâneos.

Já na corte de Luís XVI, a extravagância atingiu novos níveis, com homens ostentando saltos pintados com cenas bucólicas ou românticas em miniatura.

Os saltos vermelhos também se tornaram uma marca registrada de distinção nos séculos XVII e XVIII, sendo permitidos exclusivamente para as classes privilegiadas.

A obsessão pelo calçado encontrou seu auge em figuras como Maria Antonieta. A rainha possuía um criado dedicado exclusivamente aos seus 500 pares de sapatos, que eram rigorosamente catalogados por data, cor e modelo. Além do status, o sapato carregava significados rituais, como na tradição dos casamentos anglo-saxônicos, em que o pai da noiva entregava um sapato da filha ao noivo para simbolizar a transferência de autoridade.

Com o passar do tempo, as definições de moda e moralidade mudaram. No início do século XIX, o termo slipper passou a designar qualquer calçado delicado.

Nas décadas de 1880 e 1890, a sobriedade era a regra para as mulheres, exigindo sapatos escuros para evitar atenções desnecessárias em público. Nessa mesma época, o guarda-roupa feminino era considerado incompleto sem um abotoador, ferramenta essencial para lidar com os complexos fechos da época.

Originalmente utilizadas por piratas e contrabandistas, essas botas serviam para esconder valores roubados, chamados de booty em inglês, prática que acabou por originar o termo bootlegging para designar o contrabando.
No Século XX

O Século XX representou a era de maior transformação para a indústria calçadista, deixando para trás as convenções rígidas da Era Vitoriana para abraçar a tecnologia, a rebeldia cultural e o conforto de massa.
Ao longo de 100 anos, o sapato deixou de ser apenas um acessório de vestuário para se tornar um símbolo de movimentos sociais e inovações técnicas sem precedentes.

Nas primeiras décadas do século, a funcionalidade ainda era ditada por normas sociais estritas. Até os anos 1920, as mulheres utilizavam botas altas abotoadas, mas a libertação feminina do pós-guerra trouxe as melindrosas e seus sapatos de tiras, desenhados especificamente para a liberdade de movimento nas pistas de dança. Foi nesse período que o calçado começou a revelar mais a pele, desafiando conceitos anteriores de decência.

A escassez de materiais durante a Segunda Guerra Mundial, nas décadas de 1930 e 1940, impulsionou a criatividade dos designers. Com o couro racionado para o esforço de guerra, surgiram solados de cortiça e madeira, popularizando as plataformas e as anabelas.

Curiosamente, apesar da necessidade prática, os sapatos que mostravam os dedos eram frequentemente vistos com reserva, sendo considerados inadequados para ambientes formais de trabalho.

O cenário mudou drasticamente nos anos 1950 com a invenção do salto agulha, creditada a nomes como Roger Vivier e Salvatore Ferragamo. O estilete tornou-se o novo padrão de elegância e feminilidade absoluta.

Simultaneamente, o surgimento da cultura jovem introduziu os calçados de lona e borracha no cotidiano, pavimentando o caminho para o que viria a ser a febre dos tênis esportivos.

A partir da segunda metade do Século XX, o sapato passou a ser um estandarte de subculturas. Os anos 1960 trouxeram as botas de cano alto em materiais sintéticos e cores vibrantes, enquanto os anos 1970 resgataram as plataformas gigantescas da era disco.



Já na década de 1980, o foco voltou-se para a performance e o status, com marcas esportivas investindo em sistemas de amortecimento complexos que transformaram o tênis em um item de luxo e colecionismo.


O encerramento do Século XX consolidou o calçado como uma fusão de alta tecnologia e nostalgia. Dos coturnos pesados do movimento grunge nos anos 1990 ao minimalismo das passarelas, a diversidade tornou-se a regra.


O que antes era uma ferramenta de proteção evoluiu para uma forma de arte que define identidades e reflete as constantes mudanças no ritmo da vida moderna.

achei mara
eu quero uma dessas p mimmmmmmmm
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linda demais quero uma rs
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muito loka essa ou isso não sei se é bonito ou horroso !!!!!!!
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