O motivo do choque geral no meio da moda — o famoso estado de gag — não é apenas a genialidade inquestionável de John Galliano, mas a ousadia calculada de transformar uma figura tão polêmica em estrela do maior evento do calendário global da indústria. O anúncio do Metropolitan Museum of Art de Nova York sacudiu o ecossistema cultural ao colocar o estilista no topo do Costume Institute, provocando reações intensas de surpresa, fascínio e perplexidade.

A próxima grande exposição de moda do Met terá como destaque o legado de John Galliano. O estilista famoso tanto por seu talento singular quanto por um escândalo que lhe custou um dos cargos mais prestigiados do setor, será um dos três únicos criadores vivos a ganhar uma grande exposição individual no museu, feito antes alcançado apenas por Yves Saint Laurent, em 1983, e Rei Kawakubo, em 2017.

Galliano tenta recuperar sua reputação depois da demissão da Dior, em 2011, em decorrência de uma série de comentários antissemitas.
Em 2024 fez uma elogiada coleção para a Maison Margiela, desfile que provou que seu domínio da alta-costura continuava intocado. Após a passagem de uma década na marca, o estilista surpreendeu ao anunciar uma parceria de dois anos com a Zara, na qual ele irá ressignificar criações do arquivo da varejista espanhola.
No entanto, o museu não evitará abordar o passado controverso de Galliano.
A exposição, intitulada John Galliano: Horizons, promete encarar de frente a trajetória complexa do designer. O projeto analisa tanto a maneira como Galliano redesenhou o mapa do mundo por meio da moda quanto a forma como sua conduta, as consequências dela e as mudanças nos valores culturais remodelaram nossa compreensão de sua obra, afirma Andrew Bolton, curador-chefe do Costume Institute do Met, em um comunicado oficial.

