MONDO MODA preparou um artigo sobre O videoclipe e a moda jovem.
Em três partes, o editor Jorge Marcelo Oliveira irá discutir o conceito do videoclipe, apresentará os principais nomes deste universo e relembrar os primeiros anos da geração pré-youtube e iPods.
O videoclipe nasceu da união de música e imagem. De pais imponentes – cinema e música, ele se torno um filho rebelde, com identidade própria.
A fórmula inicial era montagem com cortes rápidos, ritmo acelerado, movimentos frenéticos de câmeras e influência iconográfica – imagens usadas como referência cultural, como literatura, teatro, cinema, artes plásticas, moda, entre outros.
A estética conhecida ganhou força no começo dos anos 80, com Michael Jackson, Madonna, Annie Lennox, Peter Gabriel, entre outros, que entenderam sua força de comunicação com o público jovem.
Naquele momento, o videoclipe saiu do simples ‘filminho com imagens sobrepostas com uma canção’ para ganhar uma linguagem própria e se transformar numa indústria rica e influente.
Ganhou investimento, contratou diretores de cinema, técnicos em efeitos especiais, fotógrafos e estilistas, que encontram espaço para se aproximar de um público, até então, desprezado, a juventude.
A partir daí, numa rapidez inimaginável, canções deixam de ser lançadas em rádios e sim, na televisão. Num certo momento, o videoclipe ganhou mais importância do que a própria canção em si.
A moda, objeto de identificação da história, que acompanha a evolução da sociedade, se apropriando de diversos instrumentos usados pelo homem, ‘pegou carona’ e encontrou um fértil campo de comunicação de massa.
Rockabilly
O primeiro movimento jovem da história moderna começou no final anos 30, com os Zoot-Suits (negros dândis americano, que cultuavam os clubes de jazz). Depois, surgiram, os Beatnicks/Existencialistas (vestiam calça Levis 501, com suas camisa jeans sem gravata ou t-shirt, barba e bigode para fazer, sandálias e bolsa tiracolo para carregar seus livros). No começo da década de 50, foram os rockabillys que se beneficiaram com a ‘invenção’ do videoclipe.
Em 1954, Bill Haley and his Comets lançaram ‘Rock Around the Clock’, que se tornaria a canção título de um movimento jovem que acabara de nascer: rockabilly. Calça jeans, jaqueta de couro e topete para rapazes, vestidos ou saias amplas (usadas com anáguas que davam volume), camisas brancas ou suéteres e cabelos presos com fitas, para as garotas – o visual feminino era uma reprodução mais leve do New Look adotado pelas mães. A gravação da canção foi feita em estúdio.
Em 1957, surge Jailhouse Rock de Elvis Presley. Num cenário com grades e barras, rapazes vestem calças e jaquetas escuras, camisas com listras preto/branco e sneakers escuros. Seguindo o que fala a letra, a ideia estilizava os presidiários ‘do rock’.
Filmado em preto e branco e com cara de quadro de programa de TV, ‘Jailhouse Rock’ é considerado o primeiro videoclipe da história, pois adotava os elementos básicos (música, letra e imagem).
Na década seguinte, The Beatles fazem sua primeira aparição na TV americana com a gravação ao vivo da canção She Loves You.
O visual comportado do grupo, usando ternos sequinhos, paletó sem gola sobre camisa de manga longa e sapatos pretos, era o contraponto da rebeldia que Elvis ditou quase 10 anos antes.
Enquanto os rapazes incorporavam o visual comportado dos rapazes de Liverpool, as garotas tinham uma representante: Nancy Sinatra, com sua minissaia, meia calça preta, botas de cano baixo e ‘boufant hair’, no videoclipe These Boots Are Made For Walking.
Confira Parte 2 – Hippies
(Artigo: Jorge Marcelo Oliveira)


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