Atores e diretores podem ser as principais peças na produção de um filme, mas o trabalho dos figurinistas ajudam – e muito – na elaboração da essência dos personagens. Pense: o que seria de Batman sem seu famoso uniforme com cara de armadura? Ou de Indiana Jones sem seu clássico chapéu?
Na história do cinema, frequentemente, os figurinos se destacam e entram no imaginário de fashionistas.
O último grito fashion aconteceu em 2007, graças ao vestido de seda jade usado por Keira Knightley em ‘Desejo e Reparação’, dirigido por Joe Wright. O vestido aparece num momento chave do filme, que desencadeia o grande conflito da estória.
Quem assina este belíssimo trabalho é a figurinista Jacqueline Durran, que volta a trabalhar tanto com o diretor Joe Wright, quanto com a atriz Keira Knightley, na refilmagem de “Anna Karerina. Resultado: seu trabalho novamente concorre ao Oscar 2013 e ao prêmio do Sindicado dos Figurinistas de Hollywood.
Confira a entrevista que Jacqueline deu ao site The Fashion Spot sobre seu trabalho neste filme.
Assim como o vestido jade que você criou em Desejo e Reparação, existe um vestido tão marcante em Anna Karenina, a ponto de interferir na trama?
O filme não seguiu o que acontece no livro tão fielmente, pois este não é muito descritivo nas roupas. Não estamos reproduzindo o que aconteceu em 1870, mas fazendo uma versão estilizada. No entanto, a única coisa que o diretor (Joe Wright) realmente estava preocupado era com o vestido de baile, porque no livro, Anna se veste de preto. No filme, porém, colocamos as pessoas dançando com vestidos idênticos, porém, em 25 cores diferentes, para Anna poder se destacar. Cada vez que Anna tem uma cena com seu grupo social, aqueles vestidos iguais aparecem, para contrastar com suas roupas.
Como figurinista, o que você acha das escolhas feitas por Keira Knightley por tantos filmes de época, como Anna Karenina e Orgulho e Preconceito?
Keira é uma ótima atriz e é muito gratificante trabalhar com ela. Também ajuda o fato de ser muito elegante (magra e educada) e não dar metade do trabalho de outras atrizes. Há momentos no filme o qual ela está incrivelmente bonita, trazendo a personagem Anna Karenina uma nova aura. Realmente ela tem uma beleza atemporal e isto ajuda na construção de personagens de diferentes épocas.
Quando você cria uma roupa para Keira, de antemão você colabora com alguma ideia ou situação diferente do roteiro?
Antes de começar a produzir os figurinos, Joe faz um descritivo detalhado do que quer, pois ele sempre tem uma ideia muito clara do que irá rodar. Em Orgulho e Preconceito, ele me disse para pensar no dia-a-dia de pessoas no campo e na cidade. Para Anna Karenina, ele pediu que nos concentrasse nas silhuetas de Alta Costura dos Anos 50 e como este período poderia se misturar com o que aconteceu em 1870. Keira também colaborou comigo para dar a ideia da forma que pensava na construção do personagem. É muito mais interessante produzir um figurino quando você tem um bom relacionamento com o ator.
Em Anna Karenina, as personagens só usam joias Chanel. Como foi esta seleção e quais peças você destacaria?
Nós três discutimos sobre a possibilidade de termos muitos diamantes e outras joias mais delicadas para elaborar os figurinos de cada personagem. Keira e Joe têm um ótimo relacionamento com a casa Chanel e eles estavam empolgados em nos ajudar a conseguir as peças que precisássemos. Eu escolhi peças que tinham uma elegância barroca e atemporal – isto na maior parte das vezes. No entanto, não são peças com cara de modernas que ela usa no baile da Ópera, pois o aparecimento da personagem precisa ter um grande impacto e com muito glamour. As joias Chanel deram ao filme uma incrível energia, que ampliou a presença cênica de Anna Karenina.
(Fotos: Getty Images)






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