Lembranças da Rua Maria Monteiro do passado

Coluna assinada pela arquiteta Roseana Monteiro
Roseana Monteiro @ MONDO MODA
Roseana Monteiro @ MONDO MODA

A rua Maria Monteiro, no tradicional bairro do Cambuí, com certeza marca e continuará marcando o cenário de Campinas por muitos anos.

Rua intensa, cheia de vida e trânsito, mas que um dia já foi mais pacata. Entre as décadas de 1980 e 1990, no trecho compreendido entre as ruas General Osório e Sampainho, o escritório de um dos ícones da decoração campineira, Celina Duarte Martinho, despontava no visual da rua.
Na casa que o abrigava havia uma trepadeira Congea que, com suas flores em tom de rosa violáceo, invadia o muro e parte da calçada e enchia de encanto os olhos de quem passava por ali. Era impossível não se deter ao menos um minuto para admirar tanta beleza.
Mas foi nessa época que as características da Maria Monteiro foram mudando e uma nova paisagem, marcada mais por altos edifícios, foi aparecendo. O tempo não para, e com ele as transformações.

Outro profissional, o arquiteto Eduardo Homem de Mello, imprimiu sua marca no mesmo quarteirão, que nunca mais foi o mesmo. No lugar das residências unifamiliares, surgiam dois prédios de um apartamento por andar, com metragem equivalente à de uma casa térrea de alto padrão. Os prédios San Francisco, e posteriormente Saint Peter, eram sinônimos do luxo e bom gosto na época. Foram construídos pela não menos reconhecida BHM, que também marcou época no cenário da construção civil em Campinas, tal era o cuidado com que realizava suas obras.

Tive a felicidade de ter o Eduardo como professor na Faculdade de Arquitetura. As suas aulas de História da Arte, com todo seu conhecimento e vivência, transportava-nos a um mundo até então desconhecido para a maioria de nós, jovens  alunos, que vindos de várias partes do país se juntaram para formar a primeira turma de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas.
Prédios na Rua Maria Monteiro @ Reprodução
Prédios na Rua Maria Monteiro @ Reprodução
Passear, mesmo que com a ajuda da imaginação, pelos museus e igrejas da Europa com certeza marcou a produção dos escritórios dos arquitetos da primeira turma da faculdade. E também das demais turmas que ainda tiveram o privilégio de ter aulas com ele, pois um “boom” imobiliário o fez desistir da carreira docente para se dedicar somente ao escritório. Mas ele continuou influenciando novos profissionais, já que muitos nomes que hoje fazem parte da cena campineira e até mesmo em outras cidades do país passaram por seu escritório.
Azulejo na Rua Maria Monteiro @ Reprodução
Azulejo na Rua Maria Monteiro @ Reprodução
O mais gostoso, ao fazer esta retrospectiva, foi pesquisar o passado e ir enlaçando uma coisa na outra. Ir revirando a memória até me deparar com uma foto, no blog da Arq. Adriana Castanho, de um tromp l’oeil que ainda resiste soberano apesar de todas as transformações na Maria Monteiro. Compartilho com vocês a foto e lanço o desafio de encontrarem onde ele fica. Se descobrirem, escrevam para mim.
(Fotos: Acervo Pessoal)