Crônica de um Amor Louco – Sujeira e paixão em Los Angeles

Coluna assinada pela livreira Micaela Huertas (@micaescreve)

Só de falar o nome de Charles Bukowski uma áurea de safadeza com cheiro de álcool já preenche os sentidos. Mesmo que você nunca tenha lido nada do velho safado mais famoso da literatura contemporânea, com certeza já ouviu alguma frase dele por aí, sendo atualmente muito usada em memes no Instagram.
Na faculdade tive amigos apaixonados pelo velho Buk, daqueles capazes de gritar citações inteiras numa mesa de boteco para impressionar os outros universitários. Era louca para ler e acho que demorei muito. Esperei que um livro do autor surgisse no sebo. Não escolhi qual leria, fui no que caiu no meu colo. E não gostei.
Bukowski é mesmo tudo o que falam dele: um velho bêbado safado, com uma linguagem direta e suja, que escreve sobre si mesmo, sobre a vida comum sem fantasias, a realidade rasgada, o humano em seu estado mais cru e tendo como cenário sua amada cidade, Los Angeles (EUA).
O que me fez não gostar não foi uma decepção. Foi estar na época errada. Não estou na fase de sentir prazer no desprezo pela realidade. Devia ter lido enquanto estava na faculdade.

Crônica de um louco amor @ Acervo Micaela Huertas

Mas Crônica de um Louco Amor é exatamente isso: amores loucos, regados a álcool e desespero. A maior parte das crônicas são autobiográficas. Característica marcante de Buk até quando usa o alter ego Henry Chinaski, suas histórias são reais ou inspiradas no que realmente viveu.
Este livro é o primeiro de dois volumes de seu duo “Ereções, ejaculações e exibicionismos”, com crônicas sobre amor, sexo, porres e uma vida toda à margem do que a sociedade considera normal e aceitável, com muitas críticas a esta mesma sociedade.
A crônica que abre o livro “A mulher mais bonita da cidade” serviu de inspiração para o filme de 1981 “Crônica do louco amor”, que erradamente é visto como a história de vida de Buk. Não é a história de vida do autor, apesar de ser uma das histórias que o autor viveu e uma das melhores crônicas do livro.
Também recomendo “Espremedor de Culhões” que nos mostra como somos tolhidos e moldados para ser exatamente o que não somos, em favor do bem comum.
Não li no momento certo, mas não deixo de reconhecer a genialidade da ousadia de Buk. Apesar da época em que escreveu não pode ser incluído na literatura beat, pois Bukowski era mais irreverente, debochado e sem a áurea transcendental que acompanhava a época. Com uma escrita seca, obscena e vulgar, denunciou mais as garras da sociedade do que a comunidade intelectual e de uma forma atemporal. Suas crônicas retratam a miséria da sociedade e nos mostram que nada mudou. Minha recomendação, leia o velho Buk sim, só se prepare melhor que eu.
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