Música em 2025: entre métricas, sobrevivência e alcance global

O anúncio do YouTube de retirar seus dados das paradas da Billboard em janeiro de 2026 será uma virada histórica. Depois de mais de uma década em que visualizações na plataforma ajudaram a redefinir o conceito de sucesso, a decisão expôs uma disputa central: medir a música pelo impacto econômico ou pelo alcance cultural?

Durante décadas, as paradas refletiam vendas físicas de vinil, fitas e CDs. Nos anos 2000, downloads digitais remodelaram cálculos. A grande revolução veio nos anos 2010, quando o streaming transformou hábitos de escuta. Em 2013, a Billboard incluiu visualizações do YouTube em seus rankings, reconhecendo que a descoberta musical havia migrado para o ambiente online.
Em 2025, porém, a metodologia passou a privilegiar assinaturas pagas, atribuindo maior peso a cada stream pago em relação ao gratuito. O YouTube reagiu, defendendo que o engajamento massivo em sua plataforma não deveria ser desconsiderado.
Essa disputa revela dilemas acadêmicos sobre a sobrevivência da indústria musical. A economia da atenção, baseada em alcance e engajamento, confronta a economia da monetização, que privilegia receita direta. A exclusão de dados gratuitos pode invisibilizar práticas culturais dominantes em países emergentes, reforçando desigualdades globais. Ao mesmo tempo, redefine narrativas de prestígio: quem aparece nas paradas não é apenas quem é ouvido, mas quem gera mais receita.

Os artistas mais ouvidos em 2025

Bad Bunny – Calvin Klein – Spring 2025 @ Mario Sorrenti

Apesar da controvérsia, os rankings de 2025 mostram a vitalidade da música global. No cenário internacional, Bad Bunny liderou novamente como artista mais ouvido no Spotify e no YouTube, acumulando bilhões de streams e consolidando sua posição como fenômeno cultural latino. Taylor Swift manteve hegemonia com lançamentos que dialogam com diferentes públicos, enquanto Drake e The Weeknd reforçaram sua presença com colaborações de grande alcance. Billie Eilish também figurou entre os cinco mais ouvidos, mostrando a força de uma estética alternativa que conquistou o mainstream.

Taylor Swift @ divulgação

No Brasil, o sertanejo se mantem em evidência. A dupla Henrique & Juliano foi a mais ouvida no país, liderando plataformas como Spotify e Deezer. O legado de Marília Mendonça permaneceu vivo, consolidando-a como a artista feminina mais escutada. Curiosamente, Charlie Brown Jr. apareceu entre os dez mais ouvidos, revelando a longevidade do rock nacional e sua capacidade de atravessar gerações. O pagode também ganhou espaço com Menos é Mais, enquanto o feminejo manteve protagonismo com Lauana Prado e Simone & Simaria.

Oscar 2024 Finneas O’Connell e Billie Eislish @ Matt Sayles AMPAS

O contraste entre rankings internacionais e brasileiros em 2025 evidencia duas tendências complementares. Globalmente, há uma disputa entre artistas que representam massividade cultural, como Bad Bunny e Drake, e aqueles que simbolizam sofisticação pop, como Taylor Swift e Billie Eilish.
No Brasil, a força do sertanejo mostra como a música regional continua sendo motor da indústria nacional, mesmo diante da ascensão do funk e do trap.
A presença de Charlie Brown Jr. e de artistas de pagode indica, por outro lado, que existe um público que busca diversidade, mas dentro de gêneros que oferecem forte identificação emocional e comunitária.

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