Exposição une artes de Roberto e Haroldo Burle Marx

O universo das joias dos irmãos Roberto (1904 – 1994) e Haroldo (1911 – 1991) Burle Marx está na exposição Jewels by Brazil´s Burle Marx brothers na Arte 132. Esta é a primeira vez que aproximadamente 100 desenhos de joalheria de ambos são exibidos numa galeria.
Até 30 de julho, a exposição apresenta verdadeiras relíquias modernistas que o Brasil exportava para o mundo.
Apesar de não terem sido sócios, nem compartilhado ateliê, a mostra aproxima os irmãos com personalidades independentes. Haroldo Burle Marx foi o joalheiro preferido de colecionadores, estrelas de cinema, alta sociedade, dignitários e famílias reais. Roberto Burle Marx era considerado um multiartista: pintor, artista plástico, criador de painéis de azulejos, arranjos florais e muito mais.
Desta união, criou-se a primeira e verdadeira joia modernista realmente nacional: uma junção das pedras esculpidas por Haroldo Burle Marx, montada sobre uma estrutura de joias seguindo o paisagismo mágico de Roberto Burle Marx.

Joias Haroldo Burle Marx @ Suzana Mendes

Ao reunir e confrontar os croquis, instiga-se uma interpretação afetiva e ousada.

Segundo o museólogo Antonio Carlos Suster Abdalla, a exposição tem cunho apaziguador entre eles, que ficaram afastados por mais de quatro décadas por questões de incompatibilidade e assuntos privados.

“Cabe ao espectador, ou ao amante de design de joias, fruir e fazer a leitura das especificidades de cada artista presentes na mostra. Se deliciar com os traços dos desenhos como desenhos (nada mais), ou as possibilidades das tridimensionalidades das peças, ou ainda notar aproximações e diferenças óbvias entre ambos. Roberto, assina Roberto, e Haroldo assina Haroldo. Burle Marx faz jus a ambos”.

Sobre os artistas

Joias Haroldo Burle Marx @ Suzana Mendes

Mais velho que Roberto Burle Marx, Haroldo foi ourives/designer/estudioso de joias até o fim da vida. Ele tinha linhagem hereditária com o filósofo alemão Karl Marx (1818-1883) – seu avô era primo do grande teórico. Em 1945, começou a desenhar joias. Em 1954, decidiu se dedicar em tempo integral à pesquisa de pedras preciosas. Tornou-se hábil no manejo de metais e, por fim, produziu dentro de sua linguagem poética brasileira e universalista. As peças de Haroldo tinham influência da arte inca e egípcia.
Em 1981, ele conheceu Alta Leath, esposa do deputado democrata texano Marvin Leath no Rio de Janeiro e iniciaram uma parceria para que suas obras fossem expostas e comercializadas nos Estados Unidos. A Coleção Altomar, criada por Alta em 1982, promoveu o artista e o incentivou a desenvolver joias inclusive com ouro 18 quilates.
As atrizes Natalie Wood (1938-1981) e Cicely Tyson (1924-2021), o cantor lírico Plácido Domingo (1941) e a rainha Margarida (1940), da Dinamarca foram alguns de seus clientes.

Natalie Wood usa joia Haroldo Burle Marx @ Acervo Pessoal

O Museu de Ciências Naturais de Houston manteve uma sessão dedicada ao artista por dois anos. O The New York Times, a Vogue e a Connoisseur Magazine deram espaço editorial à qualidade e genialidade das pulseiras, colares, brincos, braceletes e anéis produzidos por ele.

Joias Haroldo Burle Marx @ Suzana Mendes

Multiartista – conhecido pelas pinturas, desenhos e tapeçarias – Roberto Burle Marx é uma referência internacional na dedicação à preservação da natureza e dado relevância ao paisagismo brasileiro.
Paulistano, nasceu num dos símbolos da cidade, a avenida Paulista esquina com a rua Ministro Rocha Azevedo. No cruzamento, seus pais construíram uma casa em estilo art nouveau batizada de Vila Fortunata, até hoje um pequeno pedaço de área verde.
Viveu quase toda vida no Rio de Janeiro, onde estudou com Cândido Portinari (1903-1962). Sempre pretendeu ser conhecido como pintor, mas ficou conhecido como o mais representativo paisagista brasileiro.
Sem excessos nacionalistas e limitadores, Roberto tinha fascínio pela floração tropical. O primeiro projeto paisagístico, em 1932, foi para a residência Schwartz, em Copacabana, Rio. Em Recife, atuou como diretor de parques e jardins, o que propiciou expandir ainda mais o conhecimento da paisagem brasileira. Anos depois, saíram de sua prancheta projetos do Aterro do Flamengo, no Rio, Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e o Eixo Monumental, de Brasília, entre outros.
Como pintor, foi do figurativo ao abstrato quando, em 1950, adere ao Abstracionismo Abstrato. Simultaneamente, produziu grandes tapeçarias como uma das mais representativas que pertencente ao Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, executada pelo paulistano Atelier Douchez-Nicola.
Roberto trabalhou ainda com painéis cerâmicos, gravuras e esculturas, além dos projetos de joias. Seus últimos anos de vida se passaram no exuberante sítio de Guaratiba, no Rio, com sede projetada por Lúcio Costa. A lista de exposições que participou é enorme, passando por sete edições da Bienal de São Paulo e três de Veneza, sem contar individuais e coletivas na Europa, Ásia, Estados Unidos e América Latina.

Serviço

Jewels by Brazil´s Burle Marx brothers
Data: até 30 de julho
Horários de visitação: de segunda a sexta, das 14h às 19h. Sábados, das 11h às 17h
Local: Arte132 (Av. Juriti, 132, Moema, São Paulo/SP)
Entrada gratuita

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