Em setembro de 2026, o mundo irá celebrar os 50 anos da estreia de “As Panteras (Charlie’s Angels)”, o fenômeno televisivo que não apenas mudou a face do entretenimento, mas que serviu de berço para uma das trajetórias mais inteligentes e lucrativas da história de Hollywood.
No centro está Jaclyn Smith, a eterna Kelly Garrett, que aos 80 anos, está na lista das 30 atrizes mais ricas de Hollywood, ostentando um patrimônio líquido que ultrapassa a marca dos US$ 150 milhões.

Mais do que uma sobrevivente de uma era de ouro, Smith é a arquiteta de um modelo de negócios que ensinou as mulheres a transformarem sua imagem em soberania econômica, desafiando as amarras do etarismo com uma elegância e inteligência que o tempo apenas refinou.
Nascida em Houston, no Texas, em 1945, Jacquelyn Ellen Smith iniciou sua jornada longe dos refletores de Los Angeles, mergulhada na disciplina do ballet clássico. Filha de Jack Smith (um dentista de origem judaico-russa cujo sobrenome original era Kupferschmidt) e da dona de casa Margaret Ellen Hartsfieldde, ela tinha uma visão muito pragmática sobre a vida.
Após estudar na Balanchine School of American Ballet em Nova York, sua beleza padrão e simétrica capturou o olhar de agentes publicitários, transformando-a na icônica Breck Girl – um dos maiores ícones da publicidade estadunidense do século XX, criada pela marca Breck Shampoo. Para entender o que isso representava, pense nelas como as “it girls” originais, antes mesmo de o termo existir, servindo como o padrão de ouro da beleza e da saúde capilar por décadas.

Jaclyn Smith
A entrada de Jaclyn Smith em “As Panteras” foi o estopim de uma revolução cultural. Enquanto a indústria tentava enquadrar as atrizes em papéis secundários, o trio de investigadoras provou que as mulheres podiam ser agentes de sua própria narrativa.
O processo de escolha para se tornar Kelly Garret foi um dos mais comentados dos anos de 1970 nos bastidores de Hollywood. Inicialmente, a ideia dos produtores Aaron Spelling e Leonard Goldberg era formar um trio composto por três mulheres brancas – loira, ruiva e morena.
Kate Jackson já estava confirmada no projeto e, originalmente, deveria interpretar Kelly, mas optou pela personagem Sabrina Duncan. Farrah Fawcett foi convidada diretamente após sua performance no filme “Fuga no Século 23”, deixando a lacuna da terceira protagonista em aberto. Foi então que Jaclyn Smith, já reconhecida pelo público estadunidense como a Breck Girl, entrou no escritório de Spelling para um teste que entrou para a história.

Diferente de centenas de outras atrizes que compareceram às audições com uma ambição visível e muitas vezes paralisante, Jaclyn manteve uma postura serena e quase despretensiosa. Ela declarou em entrevistas que, por não estar desesperada pelo papel, conseguiu se divertir durante a leitura das cenas, algo que Spelling captou imediatamente. O fator determinante para fechar contrato, no entanto, foi a faísca instantânea que surgiu quando ela foi colocada ao lado de Fawcett e Jackson.
Os produtores perceberam que a beleza de Jaclyn não era apenas plástica, mas possuía uma profundidade e frieza que equilibrava o trio, tornando-as uma unidade orgânica em vez de figuras intercambiáveis. Os expressivos olhos que transitavam entre o azul e o avelã (hazel), aliados com farta dose de sofisticação sulista selaram seu destino.

Em 1979, no auge da “As Panteras”, a revista People a elegeu a Mulher mais bonita de Hollywood (e do mundo). O feito ganhou matéria especial no programa “Fantástico”, da Rede Globo, que destacou como sua beleza era considerada o “padrão de ouro” da época: uma mistura de elegância clássica, traços simétricos e uma aura de sofisticação que a diferenciava das outras estrelas. Enquanto Farrah Fawcett saboreava o título de símbolo sexual, Jaclyn representava uma beleza perene e refinada.
Durante os cinco anos da série, ela foi a única integrante do elenco original a permanecer em todas as temporadas, demonstrando uma lealdade e uma visão estratégica que lhe garantiram cachês que chegavam a US$ 40 mil por semana em seu ápice.

Diferente de outras atrizes que aceitavam ser “garotas-propaganda” de perfumes ou cosméticos de luxo, Jaclyn Smith não queria apenas emprestar seu rosto; ela queria ser a dona do negócio.
Quando a Kmart a procurou para uma campanha, em 1985, ela rebateu com uma contraproposta revolucionária para a época: ela só assinaria se tivesse controle criativo sobre as peças e se seu nome fosse a marca principal.
Seus agentes e colegas tentaram demovê-la da ideia, alegando que trabalhar para uma fast fashion “baratearia” sua imagem. Jaclyn, demonstrando uma visão de mercado muito à frente de seu tempo, percebeu que o público que assistia a “As Panteras” era exatamente o mesmo que comprava na Kmart.

Ela entendeu que o poder financeiro real não estava no nicho do luxo, mas no consumo de massa da classe média estadunidense.
Outra grande sacada foi a estrutura do contrato. Em vez de aceitar um pagamento único pelo uso de sua imagem, ela negociou royalties sobre cada peça vendida.
Ela se envolveu pessoalmente na escolha dos tecidos e cortes, garantindo que as mulheres estadunidenses pudessem ter acesso a um visual “estelar” por um preço acessível. Essa honestidade com o produto gerou uma fidelidade de marca que durou décadas, mantendo-a relevante no mercado de varejo por mais de 35 anos.
Como a linha foi um sucesso avassalador desde o primeiro ano — vendendo milhões de unidades de blusas, calças e, posteriormente, itens de decoração — ela criou uma fonte de renda passiva que superava em muito os seus cachês como atriz.

Como poucas, ela entendeu que, licenciar seu nome era o caminho para a independência financeira total, libertando-se da dependência de produtores e diretores.
Sua pele, sua postura e seu cabelo continuam sendo referências de um padrão de cuidado que celebra a maturidade sem tentar apagar a história vivida em seu rosto.
Em 2026, aos 80 anos, mantem uma vitalidade impressionante, como demonstra nas redes sociais (@realjaclynsmith, com 607 mil seguidores), se mantendo como diretora criativa de seu império, prova que relevância de uma mulher não termina quando deixa de ser apenas mais um rostinho bonito.

Seu legado na TV e no cinema é indissociável de sua visão como empreendedora. Ela ensinou a gerações de mulheres, de Reese Witherspoon a Margot Robbie, que a verdadeira liberdade em Hollywood nasce do controle sobre a própria marca e da capacidade de diversificar ativos.

O ranking das 30 atrizes mais ricas de 2026 é finalizado com nomes que continuam em ascensão meteórica ou mantêm legados sólidos na indústria estadunidense:
1. Jami Gertz com 8 bilhões de dólares.
2. Oprah Winfrey com 3 bilhões de dólares.
3. Selena Gomez com 1,3 bilhão de dólares.
4. Mary Kate e Ashley Olsen com 1 bilhão de dólares.
5. Reese Witherspoon com 440 milhões de dólares.
6. Jennifer Lopez com 400 milhões de dólares.
7. Victoria Principal com 350 milhões de dólares.
8. Jennifer Aniston com 320 milhões de dólares.
9. Jessica Alba com 300 milhões de dólares.
10. Julia Roberts com 250 milhões de dólares.
11. Sandra Bullock com 250 milhões de dólares.
12. Nicole Kidman com 250 milhões de dólares.
13. Julia Louis Dreyfus com 250 milhões de dólares.
14. Michelle Pfeiffer com 250 milhões de dólares.
15. Jane Fonda com 200 milhões de dólares.
16. Demi Moore com 200 milhões de dólares.
17. Jaclyn Smith com 200 milhões de dólares.
18. Charlize Theron com 200 milhões de dólares.
19. Scarlett Johansson com 165 milhões de dólares.
20. Miley Cyrus com 160 milhões de dólares.
21. Courteney Cox com 150 milhões de dólares.
22. Cameron Diaz com 140 milhões de dólares.
23. Drew Barrymore com 125 milhões de dólares.
24. Angelina Jolie com 120 milhões de dólares.
25. Margot Robbie com 105 milhões de dólares.
26. Melissa McCarthy com 90 milhões de dólares.
27. Rebel Wilson com 85 milhões de dólares.
28. Anne Hathaway com 80 milhões de dólares.
29. Meryl Streep com 80 milhões de dólares.
30. Sofia Vergara com 75 milhões de dólares.
Este levantamento revela que a verdadeira riqueza no mundo das artes hoje não é medida apenas por salários, mas pela capacidade dessas mulheres de serem as donas das empresas que as contratam.
Ao investirem em suas próprias visões e apoiarem outras mulheres, elas garantem que o etarismo seja uma barreira do passado.
O legado dessas 30 atrizes estadunidenses serve de inspiração para um mercado que finalmente compreende que o talento e o poder econômico feminino só tendem a crescer com a experiência.
