Tudo sobre a Arte Naïf

Arte naïf é um termo usado para designar um tipo de arte popular e espontânea. A palavra francesa significa ‘puro’, inocente’ ou ‘ingênuo’.
Possui características baseadas na simplificação dos elementos e costuma exibir grande quantidade de cores, valorizando a representação de temas cotidianos e manifestações culturais do povo.
É produzida por artistas autodidatas, os seja, que não possuem conhecimento formal e técnico de arte, mas que exibem produções em que outros princípios são considerados, como a autenticidade.

Djanira Motta e Silva – Obra Três Orixás – 1966 @ Reprodução

A arte naïf costuma ser mais associada à pintura e foi instituída no século XIX, apesar de seus atributos estarem presentes nas pinturas rupestres do paleolítico.
O pintor francês Henri Rousseau (1844-1910) é considerado o precursor do estilo e foi reconhecido dessa forma quando expôs suas obras no “Salão dos Independentes” na França, em 1886. Sua tela Um dia de Carnaval (1886) chamou a atenção de vários artistas, como os modernistas da época, como Pablo Picasso (1881-1973), Léger (1881-1955) e de surrealistas, como Joan Miró.

Henri Rousseau – Jardins de Luxemburgo @ divulgação

Também conhecida como arte primitiva moderna, essa expressão é permeada por imagens do cotidiano, retratados de modo a lembrar desenhos infantis, dada a espontaneidade e pureza, o que remete a uma “aura” de ingenuidade.
Essas produções são realizadas por artistas independentes e sem formação sistemática, que dominam técnicas que lhe permitem total liberdade de expressão, onde o informalismo acadêmico é característica marcante.
Dessa maneira, eles renunciam às regras instituídas para a pintura. Isso pode ocorrer por que não tiveram acesso a elas e resolveram dificuldades técnicas sem o auxílio daquelas normas.

Maria Auxiliadora da Silva – Sem Título – Guache sobre cartão – 1971 @ divulgação

Ou ainda porque artistas contemporâneos apresentam despojamento da forma e da técnica academicista, o que os tornam mais próximos da linguagem naïf.
Essa liberdade artística é notada na maneira como são utilizadas as cores nas composições e na dimensão onírica que é projetada em muitos trabalhos.
Desse modo, a arte naïf pode ser considerada como uma corrente artística com plena liberdade estética, por estar livre das convenções acadêmicas.
Apesar do direcionamento estético definido, esse desafio à norma acadêmica, a princípio, não foi intencional nem comercial. Portanto, não é recomendável enquadrar as criações naïf como sendo de natureza modernista ou popular.
Ainda assim, esse estilo criativo influenciou e deixou-se influenciar pelas tendências mais eruditas, permitindo à arte contemporânea novas formas de expressão, tendo em vista que vários pintores com sólida formação acadêmica usaram procedimentos da arte naïf em suas criações.

Arte Naif – Andréa Borges @ Acervo Jorge Marcelo Oliveira

Nomes como Henri Rousseau, Camille Bombois, Séraphine Louis e Pilar Sala são nomes do mercado internacional. No Brasil, Djanira da Motta e Silva, Maria Auxiliadora da Silva, Mestre Vitalino e Heitor dos Prazeres.

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