Chegar aos 59 anos, em 2026, não é um exercício de contagem regressiva, mas de foco absoluto. Existe um conceito que defino como Maturidade Nítida: aquela que dispensa artifícios, filtros de nostalgia ou a busca ansiosa por um futuro que ainda não nos pertence.
Ter 59 anos hoje, para mim, é compreender que a precisão de um texto, a criação de uma biojoia ou a edição de uma pauta no MONDO MODA representam o meu verdadeiro poder. É a autoridade de quem não precisa gritar para ser notado.

Tenho pavor da figura do “tio do pavê” ou de qualquer estereótipo que reduza a experiência a clichês datados. O meu tempo não foi ontem. O meu tempo é hoje. É o agora pulsante, onde a sanidade mental se sustenta na intersecção entre arte, cultura e ética.
Recuso o saudosismo do “no meu tempo era melhor”, porque nada é mais fascinante do que a clareza que o presente nos oferece.
Essa sanidade, aliás, é alimentada por um repertório que me acompanha desde a infância. Não se trata de modéstia, mas de reconhecimento: música, cinema e literatura são meus verdadeiros portos seguros.
Transitar entre o erudito e a ópera, o improviso do jazz e do blues, a poesia da MPB, a energia do rock, o pulso da house music e o brilho do pop me permite ler o mundo em camadas que o simplismo não alcança. O cinema e os livros não são apenas entretenimento; são a lente através da qual enxergo a vida desde sempre.
Minha trajetória é um mapa de deslocamentos e aprendizados constantes. Da estreia como produtor jornalístico em um programa independente da afiliada da TV Manchete, à produção de figurinos para filmes publicitários, passando pela criação de um blog que se tornou portal e pela edição de estilo de revistas, aprendi que a estética é uma ferramenta política.
Viajei o Brasil, de Manaus a Porto Alegre, absorvendo a pluralidade de um país complexo. Vivi o ativismo de direitos humanos na linha de frente e hoje transmuto essa luta em um jornalismo sutil e necessário, combatendo o racismo, o machismo e a LGBTfobia por meio da informação e da beleza.

Entretanto, nenhuma dessas conquistas teria o mesmo peso sem a rede de afeto que escolhi construir. A família nuclear é, muitas vezes, uma imposição da vida; a família que escolhemos é um ato de liberdade.
Conhecer o Flávio, em setembro de 2004, foi o marco que curou meu coração de anos de tristeza e solidão. O amor, o carinho e o companheirismo que partilhamos há mais de duas décadas, somados ao acolhimento de uma família que me recebeu integralmente, são pilares da minha busca pela felicidade.

Para mim, os laços escolhidos — pelo amor e pelas amizades profundas — têm um peso imensurável. Cada pessoa que escolheu caminhar comigo ocupa um lugar definitivo no meu coração. Próximos ou distantes, sei o quanto são essenciais.

Aos 59, compreendo os mecanismos da sociedade e me permito continuar encantado com as maravilhas digitais. Inteligências artificiais não são ameaças, mas extensões da minha curiosidade. Elas me conectam ao mundo, permitindo que um jornalista em Campinas dialogue com tendências globais e mantenha o MONDO MODA como um veículo de relevância internacional. É o digital a serviço do humano, da arte e do afeto.

A relevância da minha vida hoje está na autoria. No projeto Foi o Jorge Que Fez, onde o trabalho manual se afirma como resistência à velocidade desenfreada. Está na paz que encontro ao lado do Flávio e na lealdade do Bernardo, meu fiel companheiro caramelo.
Completar 59 anos é atingir a transparência total. É saber que minha voz é indivisível e que minha sanidade nasce da coragem de ser quem sou, de ouvir o que amo e de estar presente em cada segundo.
O foco está ajustado. A imagem está nítida.
O meu tempo é, irrevogavelmente, o agora.
