Paris voltou a testemunhar a força da casa Saint Laurent na noite de terça-feira, 29 de setembro, em mais uma apresentação marcante da Semana de Moda de Paris. Sob o olhar da Torre Eiffel e diante de uma plateia estelar, o diretor criativo Anthony Vaccarello celebrou dez anos no comando da marca com uma coleção de Womenswear Spring/Summer 2027 que combinou rigor histórico, apuro técnico e uma estética cenográfica arrebatadora.
Montada nos Jardins do Trocadéro, a arena a céu aberto teve como pano de fundo a vista panorâmica da Torre Eiffel iluminada na noite parisiense. A concepção e a direção de arte do espaço foram assinadas pessoalmente por Anthony Vaccarello, reforçando sua visão autoral completa sobre o desfile. O estilista desenhou uma estrutura que integrou os imponentes lustres suspensos aos reflexos da água e à arquitetura do entorno, criando uma atmosfera imersiva onde cenário, iluminação e coleção caminhavam em perfeita sintonia.

O grande triunfo da noite esteve na escolha radical do tom. Em uma demonstração de domínio técnico e coesão narrativa, a passarela foi tomada por um verdadeiro banho de ouro. Das 59 composições exibidas, a grande maioria desdobrou-se em variações de dourado, explorando diferentes superfícies e reflexos de luz.

Texturas metálicas em couro de efeito amassado, rendas guipure em tons solares, jacquards suntuosos e lâminas de ouro aplicadas sobre tecidos fluídos estruturaram a primeira e mais ostensiva parte do desfile. O brilho intenso das peças dialogou de forma harmoniosa com os imponentes lustres instalados na cenografia, criando um jogo de luzes hipnótico no coração da capital francesa.

No desenho das silhuetas, Vaccarello reafirmou os códigos estabelecidos por Yves Saint Laurent desde a fundação da maison. A alfaiataria de ombros bem demarcados e arquitetônicos surgiu em jaquetas bomber e spencers combinados a saias-lápis com fenda central, evocando o espírito de altivez e empoderamento que acompanha a grife desde o histórico Le Smoking de 1966.

O utilitarismo também ganhou nova leitura. A clássica jaqueta safari, imortalizada por Yves em 1968, e o visual biker surgiram traduzidos em couros e acabamentos metalizados de refinamento impecável. Em contraposição à rigidez da alfaiataria, vestidos fluidos de transparência velada trouxeram movimento à passarela, reforçando o contraste entre força e sensualidade.

A reta final da apresentação reservou uma virada dramática e elegante. Após o apogeu dourado, os últimos dez looks mergulharam no preto profundo. A transição homenageou a cor mais emblemática do fundador da marca, lembrando que a essência da Saint Laurent reside no corte preciso, na sofisticação noturna e no rigor do design.
Na primeira fila, Rosé, Zoë Kravitz, Hailey Bieber e Kate Moss acompanharam cada detalhe da coleção. No encerramento, a voz de Charlotte Gainsbourg entoando versos sobre a atmosfera parisiense selou uma noite que combinou o passado glorioso da maison e a visão afiada de Vaccarello para a moda contemporânea.
