A trama da 13ª temporada de American Horror Story começa com Ben (Joey Pollari) ao lado da namorada, Kira (Madelaine Petsch), em uma sessão de terapia de casal. Ela está irritada porque ele se recusa a acompanhá-la em uma viagem de aniversário com 13 amigas. Ben explica que sofre de triscaidecafobia, o medo patológico do número 13.
Apesar de seus receios, Ben acaba cedendo e decide embarcar. Durante o voo comercial, a aeronave é atingida por uma violenta tempestade e começa a se desintegrar em pleno ar. A tragédia deixa poucos sobreviventes, entre eles Ben, que escapa praticamente ileso como o 13º sobrevivente dos destroços.
No exato instante em que o avião enfrenta a catástrofe, a centenas de quilômetros, a Suprema Cordelia Goode (Sarah Paulson, de American Horror Story: Coven e American Horror Story: Apocalypse) é tomada por uma visão aterradora. Na Academia Miss Robichaux, em Nova Orleans, ela compartilha com suas discípulas o presságio de uma ameaça sobrenatural de grandes proporções. O que está por vir, entretanto, ainda é um mistério.

Um mês depois da tragédia, Ben aceita um novo trabalho como cuidador noturno do Sr. Nas (Fedor Steer), um homem de 87 anos que vive em um espaçoso apartamento no 13º andar do edifício Apollyon, em Nova York. O paciente recebe acompanhamento médico de Mr. Phibes (John Waters) e é cuidado durante o dia pela misteriosa Constance Langdon (Jessica Lange, de American Horror Story: Murder House).
Com seu característico sotaque sulista estadunidense, uma postura professoral e uma malevolência apenas parcialmente disfarçada, Constance instrui Ben sobre os cuidados que deverá dispensar ao paciente. As orientações incluem procedimentos de higiene bastante íntimos.
Embora visivelmente desconfortável, Ben procura cumprir suas obrigações. Não demora, porém, para perceber que há algo estranho naquele lugar. O comportamento pouco convencional de Constance e os procedimentos médicos de Phibes, que coleta semanalmente 13 frascos de sangue do paciente, somados à condição física perturbadora do Sr. Nas, transformam o trabalho em uma experiência cada vez mais inquietante.

Enquanto isso, em Nova Orleans, Cordelia Goode começa a mobilizar o Coven para enfrentar a ameaça anunciada por sua visão. Entre suas primeiras iniciativas está a tentativa de trazer de volta do inferno sua mãe, a poderosa bruxa Fiona Goode (Jessica Lange). A Suprema acredita que a experiência e os poderes de Fiona poderão ser decisivos para enfrentar o Mal que se aproxima.
No exato momento em que retorna, Fiona encontra Cordelia aparentemente morta, assassinada por James Patrick March (Evan Peters). O infame arquiteto do Hotel Cortez também conseguiu romper as barreiras de seu confinamento espiritual em Los Angeles graças a uma fenda provocada pelas forças das trevas, que o libertaram para comandar um bando de assassinos históricos em um ataque direto à Academia Miss Robichaux.
March tenta convencer Fiona a se aliar às forças de Satanás. Ela rejeita a proposta e usa seus poderes para fazer os próprios assassinos se voltarem contra ele. Depois, elimina os criminosos e ressuscita Cordelia.
Ao examinar os corpos dos assassinos, as bruxas encontram uma substância negra e uma serpente, sinais que apontam para a interferência direta de Satanás.

Fiona aconselha Cordelia a procurar alguém que conhece muito bem o mundo demoníaco: Papa Legba, agora interpretado por Orlando Jones, que assume o papel de Guardião dos Portões do Inferno em uma marcante releitura após o falecimento do saudoso ator Lance Reddick.
Cordelia negocia com Papa Legba uma maneira de enfrentar Satanás. Ele aceita ajudar, mas impõe uma condição: para trazer Marie Laveau (Angela Bassett) de volta do inferno, outra alma precisa ocupar seu lugar.
Queenie (Gabourey Sidibe) acaba se oferecendo para o sacrifício. No inferno, ela reencontra sua antiga inimiga, Madame Delphine LaLaurie (Kathy Bates), e protagoniza uma das sequências mais grotescas e vingativas da temporada.
Marie finalmente retorna ao mundo dos vivos. As duas bruxas, historicamente rivais, voltam a se confrontar. Papa Legba, entretanto, deixa claro que a magia das bruxas e a magia do vodu precisam trabalhar juntas para derrotar o inimigo comum. Fiona e Marie aceitam uma trégua e passam a integrar a resistência contra Satanás.
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Quando American Horror Story estreou em 2011, Ryan Murphy e Brad Falchuk redefiniram o formato antológico na televisão a cabo estadunidense. Ao longo de 13 temporadas, o projeto funcionou como um espelho grotesco, histriônico e fascinante das neuroses da sociedade estadunidense. No entanto, o balanço final dessa trajetória de mais de uma década deixa um forte sabor de desgaste, em que o ápice da invenção deu lugar a uma fórmula repetitiva que há muito pedia trégua.
O percurso da franquia pode ser dividido entre a era de ouro e o declínio da autoparódia. Nos anos iniciais, com o auge criativo de “Murder House”, “Asylum (considerada a melhor de todas)” e “Coven”, a produção dominava o equilíbrio raro entre o estilo camp, o medo genuíno e a crítica social afiada, sustentada por atuações monumentais de Jessica Lange, Sarah Paulson e Evan Peters. Havia ali uma assinatura visual marcante e a coragem de arriscar.
A produção funcionou até a saída de Jessica Lange do projeto após o término da quarta temporada, “Freak Show”, que, embora já demonstrasse os primeiros sinais de oscilação, ainda mantinha relevância temática.
Foi nessa temporada que ocorreu o retorno da personagem Pepper (vivida por Naomi Grossman) e da Irmã Mary Eunice (Lily Rabe), revelando a história de origem da paciente antes dos eventos de “Asylum” (segunda temporada).
Era o início da fase “Universo Cinematográfico de Ryan Murphy e Brad Falchuk”, ao misturar personagens de anos anteriores a novas tramas. Na quinta temporada (Hotel) e na sexta temporada (Roanoke), surgiram participações diretas de figuras de “Murder House” e “Coven”, como a médium Billie Dean Howard, o doutor Charles Montgomery e a bruxa Queenie.
Contudo, a oitava temporada, “Apocalypse”, foi a consolidação definitiva dessa fase. A trama abandonou a premissa de antologia com pequenos ganchos nostálgicos e se transformou em um grande evento de crossover, fundindo diretamente os arcos de “Murder House”, “Coven” e “Hotel” para dar sequência à história do Anticristo, Michael Langdon. Foi a comprovação final de que a fórmula estava esgotada.

Cabe fazer uma ressalva à 11ª temporada (NYC), cujo ponto de partida trazia um sopro de maturidade ao trocar o sobrenatural grotesco e extravagante pelo suspense policial e pela tragédia real da epidemia de HIV na década de 1980. Mesmo assim, causou profundo incômodo a maneira como a série reduziu a vivência gay do início daquela década a um recorte focado em trauma, autodestruição e fetichismo. Ao estetizar a epidemia de HIV/Aids e a violência contra homens homossexuais dentro da engrenagem do terror estilizado, o roteiro flertou com a espetacularização da dor, transformando um momento histórico devastador em mero recurso de entretenimento pop.
Outro ponto bastante problematizado foi a falta de pluralidade e afeto. A narrativa concentrou-se excessivamente na clandestinidade do armário, na culpa e em dinâmicas de poder tóxicas — representadas com peso na figura do detetive Patrick Read —, enquanto invisibilizou a rede de solidariedade, o ativismo político emergente e a resistência comunitária que também definiram aquela geração.

Despertou forte desconforto esse olhar niilista de Ryan Murphy para a história LGBTQIAP+, em que a identidade homossexual aparece quase indissociável do castigo, da tragédia e da morbidez. A sensação foi a de que a temporada retratou aqueles homens não como indivíduos complexos em busca de vida, mas como corpos predestinados ao sofrimento.
A 12ª temporada (Delicate) foi um ponto tão baixo na trajetória do projeto que sequer exige maiores comentários.
Com o anúncio da 13ª temporada, o grande chamariz foi o retorno de Jessica Lange, Sarah Paulson e Evan Peters. Porém, o resultado entregue foi uma melancólica sucessão de furos de roteiro e um excesso de liberdade criativa que desrespeitou a própria mitologia construída ao longo dos anos. Foi uma falta de consideração direta com os fãs, os únicos responsáveis por manter o título no ar por tanto tempo.
Por mais que o gênero terror possibilite uma gama do mais alto grau de bizarrices, os roteiros precisavam ter alguma coerência narrativa. Na fase cruzada dos criadores, essa exigência deixou de existir. Quanto mais bizarro e grotesco o roteiro ficava, maior era a sensação de que a dupla estava satisfeita com o choque pelo choque.
No saldo definitivo de suas 13 temporadas, American Horror Story consolidou seu lugar no entretenimento televisivo. Contudo, sua conclusão revela também o preço de esticar uma premissa até o limite absoluto: o horror que um dia chocou e fascinou a audiência terminou transformado no ruído burocrático de uma fórmula gasta.
