Vivienne Westwood é um ícone da moda de vanguarda

Vivienne Westwood nos bastidores do desfile Outuno Inverno 2011 @ Foto Rex Features
Vivienne Westwood nos bastidores do desfile Outuno Inverno 2011 @ Foto Rex Features

Não dá para falar de moda sem falar de Vivienne Westwood.

A britânica de 72 anos é o que se pode chamar de lenda viva, representante magnífica da música, arte, moda e história, claro, tudo com um toque de rebeldia. Como dizem: garotas boas vão para o céu e as más vão para Londres.

Nascida no vilarejo de Tintwistle (no condado de Derbyshire, na Inglaterra), a estilista mudou-se para Londres aos 17 anos, onde estudou moda na Faculdade de Arte de Harrow. Casou, teve um filho e se separou na década de 1960, quando o clima de rebeldia pairava no ar.

Pouco depois, conheceu seu segundo marido Malcolm McLaren. Em 1971 ambos se inspiraram no rock dos anos 1950 e abriram uma loja chamada Let it Rock, com roupas para o público marginalizado das periferias londrinas. Porém, problemas na justiça levaram o casal a mudar o nome da marca para Sex – referência a banda punk Sex Pistols, no qual Malcolm era empresário.

Como Vivienne vestia essa e outras bandas, ficou conhecida como estilista punk, o que virou sua marca registrada. Porém, no momento que o movimento perdeu sua força, em 1980, Westwood se divorciou e se mudou para a Itália, onde conheceu seu atual marido Marc Andréas.

Vivianne Westwood (5)No ano seguinte criou sua primeira coleção chamada Pirates, inspirada nas cortes do século XVIII. Dessa vez o toque era histórico, porém romântico. Em 1982, foi à Paris. Como estava mais madura e com um olhar diferente do mundo, passou a criar suas roupas inspiradas na história da moda, com toques exagerados e seu estilo forte, que era sempre presente.

Em 1987 fez uma coleção extremamente erótica para o público masculino e manteve sua rebeldia e sensualidade nos anos seguintes com bumbuns à mostra e camisetas ironizando os ataques terroristas na terra da rainha em 2005.

Há 34 anos, Vivienne Westwood é um ícone na moda, tanto inglesa quanto mundial, o que lhe rendeu vários prêmios e títulos, dentre eles o de Lady da Rainha Elizabeth II, aos 64 anos.

A estilista mostrou que veio ao mundo para marca-lo e ajuda-lo de alguma forma. Todas suas peças tinham algum objetivo, seja uma crítica política e social – incluindo o erotismo. Ela nasceu e viveu no lugar certo e na hora certa. Talvez tenha contribuído para a liberdade de expressão britânica, mas também aproveitou o espaço e o período de evolução histórica para encaixar-se em seu devido lugar.

Além de tudo, ela sempre representou muito bem a cidade de Londres e sua população, pois, assim como a capital inglesa, criava peças que mesclavam a tradição da corte real e a rebeldia dos jovens vanguardistas encontrados nas ruas. Sempre usando muito preto, vermelho, correntes, rasgos, espartilhos e até mesmo terninhos, com cortes diferenciados, é claro.

Em outubro passado, Vivienne anunciou o lançamento de sua biografia. Finalmente, ela promete dividir com o mundo o que estava por trás de seu olhar profundo e extremamente inteligente durante esses anos todos, recheado pela excentricidade, provocação, exagero e irreverência da lenda viva e seus cabelos cor de cobre.

(Artigo de Bruna Said Miguel, do blog Chá das Cinco | Fotos: Divulgação)