A Pinacoteca de São Paulo inaugura no dia 16 de maio de 2026 uma exposição dedicada exclusivamente às gravuras de Beatriz Milhazes que pertencem ao seu acervo. A mostra acontece na Pina Estação e reúne um conjunto de 27 obras, tornando a Pinacoteca o único museu do mundo a possuir este conjunto específico de gravuras da artista.
O foco da exposição é a produção realizada em colaboração com a Durham Press, em Nova York, ao longo de mais de duas décadas. Essas obras entraram para o acervo da instituição por meio de doações importantes feitas em 2009 e 2024.

As gravuras revelam a experimentação técnica de Milhazes com a serigrafia e o bloco de madeira, onde ela subverte a natureza chapada dessas técnicas para criar transparências, sobreposições e uma vibração cromática intensa.
O vocabulário visual de Milhazes nestas peças inclui: elementos florais e arabescos que remetem ao barroco e ao artesanato popular, estruturas geométricas e mandalas que organizam o espaço da composição e diálogo entre a tradição brasileira e a geometria moderna, com influências que passam por Tarsila do Amaral e o modernismo estadunidense.
A exposição deve seguir em cartaz até março de 2027, ocupando o quarto andar da Pina Estação. Além das gravuras recentes, o acervo também conta com obras históricas como “O Pato” (1996) e a imponente colagem “Moon” (2007).
Sobre a artista

Beatriz Milhazes é a artista brasileira viva mais valorizada no mercado internacional, uma posição consolidada por uma trajetória que une rigor técnico a uma exuberância visual inconfundível.
Nascida no Rio de Janeiro em 1960, ela foi uma das protagonistas da Geração 80, movimento que marcou o “retorno à pintura” no Brasil após o domínio do conceitualismo nos anos 70.
A Técnica de Assinatura: Monotransfer
No final dos anos 1980, Milhazes desenvolveu uma técnica autoral que mudaria sua produção: o monotransfer. Em vez de pintar diretamente na tela, ela pinta elementos em folhas de plástico transparente e, após a secagem, aplica essas películas na superfície da obra.
• O Efeito: Essa técnica permite a sobreposição de inúmeras camadas sem criar relevo excessivo, resultando em uma superfície lisa, mas visualmente densa.
• O Conceito: O processo lida com a ideia de “pele” da pintura e permite que a artista “planeje” a composição de forma quase arquitetônica.
Estilo e Vocabulário Visual
O trabalho de Beatriz é uma intersecção entre a alta cultura e o popular, o rigor geométrico e o excesso ornamental. Suas principais influências incluem:
• Barroco Brasileiro: A profusão de detalhes, arabescos e o sentido de movimento.
• Modernismo: Um diálogo direto com Tarsila do Amaral e o uso da cor de Henri Matisse.
• Cultura Popular: Referências ao artesanato, rendas, folclore e, notadamente, ao Carnaval carioca.
• Abstração Geométrica: O uso de círculos, mandalas e listras que organizam o caos cromático.
Marcos da Carreira Internacional

Milhazes rompeu as fronteiras nacionais nos anos 90 e hoje está presente nas coleções permanentes das instituições mais prestigiadas do mundo, como o MoMA, o Guggenheim e o Metropolitan (Nova York), além da Tate Modern (Londres) e do Centre Pompidou (Paris).
• Bienal de Veneza: Representou o Brasil na 50ª edição (2003) e teve uma participação de destaque na 60ª edição (2024) com um pavilhão no Arsenale.
• Rigor e Beleza (2025): Recentemente, o Museu Guggenheim de Nova York dedicou uma grande retrospectiva individual ao seu trabalho, consolidando sua importância no cânone da abstração global.
• Exposições em 2026: Atualmente, além da mostra de gravuras na Pinacoteca de São Paulo, o Museu de Arte da Bahia (MAB) apresenta a exposição “Beatriz Milhazes: 100 Sóis”.
Outros Suportes: Além da Tela
Embora a pintura seja seu eixo central, Beatriz expandiu seu universo para outros suportes:
• Intervenções Arquitetônicas: Criou painéis imensos para lugares como o Hospital Presbiteriano de Nova York e a Ilha de Inujima, no Japão.
• Cenografia: Colaborou com a Márcia Milhazes Companhia de Dança (sua irmã), fundindo artes visuais e performance.
• Gravura e Colagem: Como visto no acervo da Pinacoteca, suas gravuras são laboratórios de experimentação para suas cores e formas.
Beatriz Milhazes define seu trabalho como uma busca pela “felicidade visual”, mas que esconde uma estrutura matemática e um pensamento crítico profundo sobre a história da arte brasileira.
