Fast Fashion – traduzido como moda rápida – é o sistema usado por grandes lojas do mundo fashion para produção rápida e de frequentes novidades. As coleções variam rapidamente e com elas os modelos e designs das peças. Essas lojas costumam ter um preço mais acessível e podem até mesmo ter coleções assinadas com parceria de estilistas. Esse sistema teve inicio em lojas de marcas europeias, como a Zara ou a H&M, mas com seu sucesso, logo chegou às lojas de varejo do Brasil, como a C&A, Riachuelo ou Renner. Uma coisa curiosa é que muitas dessas lojas estão envolvidas em processos por utilizar mão-de-obra escrava, será culpa do fast fashion?
Em 2011 durante uma fiscalização, foi descoberta uma casa em Americana que funcionava como confecção e moradia de 52 trabalhadores bolivianos que viviam em condições precárias, semelhantes á escravidão. No local havia uma produção de calças jeans com etiquetas da marca Zara, Ecko, Gregory, Billabong, Brooksfield, Cobra d’Água e Tyrol. Esse não foi o primeiro e nem o ultimo escândalo no qual a Zara se envolveu – ela se tornou referência quando assunto é mão de obra escrava.
No mesmo dia em que a Gregory lançava a sua coleção Outono-Inverno 2012, uma equipe de fiscalização trabalhista flagrava situação de cerceamento de liberdade, servidão por dívida, jornada exaustiva, ambiente degradante de trabalho e indícios de tráfico de pessoas em uma oficina que produzia peças para a marca, na Zona Norte da cidade da capital paulista. As inspeções resultaram na libertação de 23 pessoas, todas elas de nacionalidade boliviana.
Em 2013, em uma ação conjunta realizada pelo Ministério Público do Trabalho e pelo Ministério do Trabalho e Emprego, foram resgatadas duas pessoas que produziam peças para a M.Officer (do empresário e estilista Carlos Miele) em uma confecção no Bom Retiro em São Paulo. Os dois trabalhadores, casados, vivam no local com dois filhos. Os quatro moradores bolivianos dividiam a mesma cama de casal e mesmo assim tinham o valor da moradia e das despesas da casa, descontados do salário de ambos, que correspondia a R$7 por peça produzida. Neste ano, a marca passou por escândalos semelhantes – por isto, ou não, algumas de suas lojas foram fechadas – inclusive a Carlos Miele do Iguatemi Campinas.
Em março de 2013 foi a vez da Cori, Luigi Bertolli e Emme. Após uma investigação de dois meses feita pela Receita Federal, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho e Emprego. As marcas foram processadas por manter 28 costureiros bolivianos em condições análogas à escravidão em uma oficina clandestina em São Paulo, os trabalhadores foram submetidos a condições degradantes, jornadas exaustivas e servidão por divida.
A história se repetiu em junho de 2013. As lojas Lelis Blanco e Bo.Bô, tiveram seus “funcionários” resgatados de três oficinas clandestinas, 28 bolivianos. Eles recebiam de R$2,50 a R$7 reais por peça costurada, a qual era vendida a cem vezes mais cara.
A C&A passou por complicações semelhantes. Foi acusada por submeter funcionários a jornadas excessivas de trabalho em shoppings de Goiás em 2014. Foi processada pelo TST (Supremo Tribunal de Justiça) e condenada a pagar 100 mil reais em indenização.
Além dos fast-fashions
Mas não são só os fast fashions que estão envolvidos com trabalho escravo. Até mesmo um dos terceirizados responsáveis pela produção dos coletes do IBGE foi condenado por utilizar mão de obra escrava. Na fiscalização do local, foram encontrados bolivianos vivendo em condições análogas as de escravos e vestindo os coletes do IBGE.
Após esses vários escândalos, algumas pessoas deixaram de comprar em lojas que tinham seus nomes ligados a processos por trabalho escravo. Pensando nisso, foi criado o aplicativo Moda Livre.
Disponível gratuitamente para download em versões para iPhone e Android, ele avalia as ações que as principais marcas e varejistas de roupas no país vêm tomando para evitar que as peças de vestuário de suas lojas tenham sido produzidas por mão de obra escrava e facilita para discernir uma marca que respeita os princípios humanos, de uma marca que apenas visa o lucro.
Afinal, máquina de costura não é cela.
(Artigo Louise Fávaro – Especial para o MONDO MODA)





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