‘Cinderela em Paris’ é um delicioso ‘suflê’ fashion

1957 Cinderela em Paris (1957)Cinderela em Paris é um daqueles filmes ‘suflês’, que, apesar da simplicidade da trama, o sabor é delicioso.
Estrelado pelos encantadores Audrey Hepburn e Fred Astaire, é um dos preferidos do mundo da moda.
A estória é uma deliciosa bobagem. Um fotógrafo, Dick Avery (Fred Astaire), trabalha para a publicação de moda Quality Magazine, editada por Maggie Prescott (Kay Thompson). Insatisfeita com os últimos trabalhos, ela precisa encontrar um ‘novo rosto’.
No meio de uma sessão de fotos numa livraria no Greenwich Village, Dick conhece a balconista Jo Stockton (Audrey Hepburn). Seguidora do estilo Beatnick (um dos movimentos da classe média rebelde dos anos 50) e existencialista (seguidora de Jean Paul Sartre), a moça é avessa ao universo da moda (no qual se refere como ‘it is chichi, and an unrealistc approach to self-impressions as well as economics’ – se vira na tradução), vesti-se de preto da cabeça aos pés. Também frequenta os porões (cave) – reduto dos intelectuais e boêmios de Nova York, onde esculta jazz e outros ritmos considerados cults.
Mesmo assim, ela é convencida a fazer um editorial de moda. Seu rosto (The Funny Face, o título original do filme) funciona, pois a proposta inicial era juntar ‘beleza’ e intelectualidade’.
Após certa resistência, Maggie aceita que a modelo viaje à Paris para fotografar um editorial de moda, que irá a transformar no símbolo da Quality. Jo só concorda, pois deseja conhecer Emile Flostre (Michel Auclair), um intelectual cujas idéias idolatra. Entretanto, ao chegar na capital da luz, as coisas não correm como o planejado e a moça descobre que a ‘casca’, ou seja, a roupa pode ter um significado, que ela jamais imaginava. Principalmente quando, a Cinderala em Paris, descobre que está apaixonada pelo fotógrafo.
Curiosidades
  • Cinderela em Paris é um filme de 1957, que obteve quatro indicações ao Oscar – Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte e Figurinos (Edith Head). A premiação nesta categoria causou uma saia justa entre Audrey e a Academia.  Hubert de Givenchy, estilista e amigo pessoal da atriz, montou todo seu guarda-roupa e seu nome foi ‘esquecido’ pelos votantes. Para piorar, a categoria foi premiada. No discurso, Edith Head fez a ‘esfinge’ e nem o citou. Coisa que ela não precisava, uma vez, até hoje, é a campeã de prêmios na categoria, com oito Oscar!
  • O personagem Maggie Prescott foi inspirado na poderosa editora Diane Vreeland (Harper’s Bazaar de 1936 a 1962) e Vogue América (1963 a 1971).
  • O personagem Dick Avery foi inspirado no fotógrafo Richard Avedon – um dos percussores da arte fotográfica moderna (chegou a ser chamado de Andy Warhol da fotografia). Ele criou um conceito durante o final da década de 40 e na de 50, tirando as modelos dos estúdios e levando-as para locações inusitadas, como circos, zoológicos e foguetes da NASA. O fotógrafo passou a dirigir a modelo e criar através da foto um acontecimento. Ele pedia às modelos que se movimentassem, o que dava um efeito original e dramático.
  • A estrutura original do filme foi reproduzida em ‘O Diabo Veste Prada’ – intelectual que considera moda um assunto menor entra em contato com este universo e se ‘contamina’, mudando seu exterior e, por seguinte, seu interior, quando entende a força que existe por trás da mensagem que é transmitida usando a roupa certa (armadura social). A roupa, no caso, oferece poder e proteção.
  • Cinderela em Paris é mais um dos papéis de Cinderela que Audrey Hepburn fez em Hollywood (os outros foram Sabrina e My Fair Lady). Apesar de ‘Bonequinha de Luxo (1961)’ ter se tornado o mais famoso filme da atriz, é neste aqui, que Audrey desfila algumas das mais incríveis criações de Alta Costura de Givenchy – resumindo o glamour da década de 50.
  • Sobre as roupas que Givenchy criou para suas personagens, Audrey revelou: “São as maravilhosas criações de Givenchy que fortalecem o meu estilo. Quando as uso, elas têm o poder de tirar a minha insegurança e timidez. E sei que eu me torno o melhor de mim mesmo: é metade da vitória. Quando coloco o meu tailleur preto com aqueles botões maravilhosos, me sinto segura em falar na frente de 800 pessoas! Hubert deu-me confiança em mim. O que mais pedir de um estilista?”.