Aula de jornalismo com ‘Spotlight – Segredos Revelados’

Ufa! Finalmente assisti a um grande filme entre os indicados ao Oscar 2016: Spotlight – Segredos Revelados! Ok, ‘Trumbo’ é ótimo, mas, infelizmente ficou de fora da lista dos concorrentes como melhor filme (pegou uma indicação como melhor ator para o ótimo Brian Cranston), que preferiu apostar suas fichas em ‘A Grande Aposta’, ‘O Regresso’, ‘Ponte de Espiões’, ‘Perdido em Marte’, ‘Brooklyn’, ‘Mad Max: Estrada da Fúria’ e ‘O Quarto de Jack (não vi ainda)’.
Spotlight
Em Spotlight, a profissão de jornalista ganha destaque graças ao excelente roteiro, que reproduz o cenário da maior denúncia de abusos sexuais infantis envolvendo membros da Igreja Católica nos Estados Unidos. 
É o seguinte: Spotlight é um caderno especializado em matérias investigativas do jornal ‘The Boston Globe’. Em 2001, o jornal ganha um editor-chefe, Marty Baron (Liev Shreiber), que, em sua primeira reunião de pauta, sugere a investigação de um assunto abordado numa coluna do jornal: abusos sexuais envolvendo padres. Os responsáveis pela matéria será a equipe liderada pelo editor Walter ‘Robby’ Robinson (Michael Keaton), que conta com os jornalistas Mike Rezendes (Mark Ruffalo), Sach Pfeiffer (Rachel McAdams) e Matt Carroll (Brian d’Arcy James).
A equipe procura o advogado que se especializou em defender supostas vítimas, as vítimas, o promotor de justiça encarregado do caso – que começou uns 20 anos  – e até um padre, que assumi sua culpa. Dos primeiros 13 nomes de padres citados, eles descobrem o envolvimento de 87, sempre abafados pela Igreja, conhecida por sua força em todas as esferas sociais.
Numa linguagem clássica e linear, o roteiro acompanha a investigação com maestria, apresentando os personagens e fatos que surpreendem pela sinceridade das ações. É um tipo de filme que termina com aquela sensação de ‘não é possível que a justiça não será feita’. É uma aula de jornalismo investigativo, mostrando as peculiaridades de uma redação sem cair na chatice ou na caricatura.
Mark Ruffalo em Spotlight (2015) @ Divulgação
Mark Ruffalo em Spotlight (2015) @ Divulgação
O elenco é um show. Cada um, de sua forma, apresenta a verdade de seus personagens, em especial, Mark Ruffalo. Chato e persistente, ele é o único ator que tem ‘a cena’, como é chamada o momento máximo da atuação de um personagem. Neste momento, ele prova o quanto é talentoso. Ele concorre ao Oscar como melhor coadjuvante (inacreditavelmente, seu mais forte concorrente é Sylvester Stallone, que deve levar o prêmio em consideração aos seus 40 anos como astro de Hollywood). Além de Mark, Spotlight concorre nas categorias: Filme, Diretor, Roteiro, Montagem e Atriz Coadjuvante (Rachel McAdams). Ele foi o grande premiado das associações de críticos americanos e canadenses em 2015, levando 22 prêmios, que o colocaram como o melhor filme do ano.
Enfim… Não me lembro de outro filme sobre jornalismo que apresenta a profissão como tamanha dignidade desde o clássico ‘Todos os Homens do Presidente’, de 1974, ou seja, quatro gerações atrás. Ele nos relembra como é a paixão por uma profissão, que também merece ser retratada sem qualquer toque de ironia ou escárnio. 
(Artigo Jorge Marcelo Oliveira)