Um ícone de estilo chamado Judy Garland

Se estivesse viva, Judy Garland completaria 95 anos no sábado, 10 de junho. Eternizada como Dorothy, no filme “O Mágico de Oz”, ela foi uma grande estrela da “Era de Ouro” dos filmes musicais de Hollywood – entre as décadas de 30 e 40.
Nascida em Grand Rapids, Minnesota, Estados Unidos, em 10 de junho de 1922, era filha dos atores Francis Avent Gumm e Ethel Marion Milne. Fez sua primeira apresentação com dois anos e meio de idade ao lado de duas irmãs mais velhas, no palco do teatro do pai, durante um show de Natal, cantando Jingle Bells, acompanhada por sua mãe ao piano.
Em 1926 a família se mudou para Lancaster, Califórnia. Em 1928 “The Gumm Sisters” formado por Mary Jane, Frances Ethel (Judy Garland) e Dorothy Virgínia, iniciaram um curso de dança com Ethel Meglin, proprietária do grupo de dança Meglin Kiddies. Com a ajuda de Meglin, em 1929, Judy e suas irmãs participam do filme “Revue Big”. Em 1934 o trio muda seu nome para “Garland Sisters” e Frances muda seu nome para Judy.
Seu pai morreu quando ela completa 13 anos. Nesse mesmo ano, ela assinou contrato com o estúdio MGM. Apesar disso, o estúdio não sabia o que fazer com ela, pois era mais velha que as estrelas infantis da companhia, porém, muito jovem para interpretar papéis adultos. Ela também não se assemelhava com as divas da MGM, como Greta Garbo, Joan Crawford ou Jean Harlow. O que acabou virando chacota e gerando piadinhas dentro do estúdio, que a traumatizaram pelo resto da vida – numa eterna batalha para recuperar sua autoestima.
Em 1937, depois de cantar um arranjo especial de “You Made Me Love You”, para Clark Gable (Dear MR. Gable), numa festa de aniversário realizada pelo estúdio para o ator, ela despertou a simpatia em outros estúdios. Para não perder sua promissora estrela, a MGM a escalou para uma série filmes insignificantes.
No mesmo período, Hollywood começou a especular sobre a produção do filme ‘O Mágico de Oz’, baseado no conto de fadas criado por L. Frank Baum, em 1900. A MGM queria Shirley Temple, mas a Fox não a liberou. Depois, o nome de Deanna Durbin era certeiro. Contudo, a jovem estrela estava sem agenda. Depois de muitos testes, Judy conseguiu o papel. Passou por uma série de caracterizações para parecer mais jovem. Recentemente, Sid Luft, ex-marido de atriz, revelou a atriz era molestada pelos atores com quem contracenou no clássico da cultura pop graças à canção “Over The Rainbow”.
Apesar de elogiado pelos críticos, O Mágico de Oz não fez sucesso imediato de público. A situação se reverteu com seu relançamento em 1940. Judy recebeu um Oscar Especial para celebrar sua atuação.
A partir desse momento, seu talento foi colocado à prova para testar se ela funcionaria em filmes ‘adultos’. Com a ajuda de Mickey Rooney, parceiro em nove filmes, ela se tornou a maior estrela da MGM graças aos papeis em “The Little Mellie Kelly”, “Seremos Felizes”, “O Pirata”, “Desfile de Páscoa” e “Casa, Comida e Carinho”.
Paralelo ao sucesso, Judy era notória viciada em anfetaminas e barbitúricos, dependência da qual sofreria pelo resto da vida. Naquela época, o uso destas drogas era estimulado em Hollywood, levando vários atores à dependência química. Judy era incentivada a tomar anfetaminas para ter disposição e gravar, não comer, emagrecer e dormir. Um círculo vicioso que foi destruindo seu organismo.
Em 1947, quando filmava ‘O Pirata’, Judy sofreu um colapso nervoso, sendo internada numa clínica psiquiátrica. Em julho desse mesmo ano fez sua primeira tentativa de suicídio. Sua carreira degringolou. Nos próximos anos, ela não conseguiu começar ou terminar três filmes. Em 17 de março de 1950, foi demitida da MGM. Após a demissão, Judy passou um copo de água quebrado contra a garganta.
Em 1951, ela iniciou uma longa excursão pela Inglaterra, Escócia e Irlanda. A temporada no London Palladium foi um sucesso absoluto e sendo descrita como uma das mais grandiosas da história daquela casa. Em outubro, Judy re-estreou o Broadway’s Palace Theatre, em Nova York, com um espetáculo de duas apresentações por dia, inspirado no estilo vaudeville. A temporada que durou meses, obteve um sucesso estrondoso e lhe rendeu um Tony especial por sua contribuição à revitalização do vaudeville.
Em maio de 1952, ela soube que Ethel Gumm estava trabalhando em um escritório por 61 dólares semanais. Judy não perdoava a mãe por má-administração e apropriação indevida do seu salário desde os primeiros anos da carreira. Em 5 de janeiro de 1953, Ethel foi encontrada morta no estacionamento da Douglas Aircraft Company. Judy ficou devastada.
Em 1954, voltou às telas no musical ‘Nasce Uma Estrela (A Star is born)’, primeiro filme após quatro anos de ausência. Com direção de George Cukor, Judy brilhou no papel de Esther Blodgett, uma aspirante à atriz que se torna uma estrela com o nome de Vicki Lester, mas tem que lidar com a decadência do marido que lhe ajudou a se tornar famosa, o astro Norman Maine (James Mason). O filme foi co-produzido pela Warner Bros. e a produtora de Judy e Sid Luft, a Transcona Enterprises. Custou uma fortuna, mas se tornou um dos maiores musicais americanos de todos os tempos. Na trilha sonora assinada por Harold Arlen e Ira Gerswhin, o filme rendeu clássicos, como “The Man That Got Away” e “Born in a Trunk”.
Ela ganhou o Globo de Ouro como Melhor Atriz (comédia/musical), que abriu caminho para a indicação ao Oscar. Sua vitória era considerada uma barbada, porém… Como tinha acabado de dar à luz seu filho Joseph Luft e não poderia comparecer a cerimônia de entrega dos prêmios da Academia, uma equipe de televisão estava de prontidão no hospital, com câmeras e cabos para transmitir ao vivo o discurso de aceitação antecipada. Acontece que Hollywood estava apaixonado por Grace Kelly, que, em breve, se tornaria Princesa. Assim, na noite de março de março de 1955, a glamorosa loira levou o prêmio por uma atuação considerada baixo da média em ‘Amar é Sofrer (The Country Girl)’. Foi o maior golpe que Judy sofreu. Como atriz, ela nunca se conformou com a perda.
Depois dessa experiência, ela voltou a turnês pela Europa e apresentação em diversos programas da TV norte-americana. O concerto no Carnegie Hall, no dia 23 de abril de 1961, foi o maior êxito de toda sua carreira. O álbum duplo ao vivo Judy at Carnegie Hall, lançado pela Capitol Records, ganhou o certificado de ouro, marcando presença por 95 semanas na parada Billboard, incluindo 13 semanas no número um. O álbum ganhou cinco prêmios Grammy, incluindo Álbum do Ano e Melhor Vocal Feminino do Ano.
No mesmo ano, ‘Julgamento em Nuremberg’ juntou Judy a Spencer Tracy, Burt Lancaster, Richard Widmark, Marlene Dietrich e Montgomery Clift. Era uma participação pequena, que rendeu indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro de Melhor Coadjuvante.
Em 1961, ela estrelou ‘The Judy Garland Show’ ao lado de Frank Sinatra e Dean Martin. Devido ao sucesso, a CBS ofereceu 24 milhões de dólares semanais para estrelar um programa com o mesmo nome. Era tudo que ela precisa diante da caótica situação financeira que se encontrava. Foi um sucesso de crítica, mas por uma variedade de razões (incluindo ter sido colocado no mesmo horário do sucesso ‘Bonanza’ da NBC), o show durou apenas uma temporada e foi cancelado em 1964, após 26 episódios. Apesar da curta duração, a série foi indicada para quatro prêmios Emmy.

O fim da série de TV a trouxe de volta aos palcos. Em 1964, se apresentou no London Palladium junto com Liza Minnelli, então com 18 anos. O concerto foi exibido pela emissora britânica ITV. Foi o último sucesso de sua carreira. Depois, ela transitou pelo sucesso e fracasso na mesma medida. Pior: sua voz foi perdendo a força e sua imagem estava destruída pelos anos de abuso das drogas.
Em 22 de junho de 1969, Judy Garland foi encontrada morta por seu marido Mickey Deans, no banheiro de sua casa, em Londres. A autópsia declarou que morrera devido a uma overdose acidental de barbitúricos. Seu velório foi acompanhado por mais de 20 mil pessoas. Foi enterrada no Cemitério Ferncliff, em Hartsdale, estado de Nova York. Frank Sinatra pagou as despesas do funeral e afirmou sobre Judy: “Todos serão esquecidos, menos ela”.
Ela se casou cinco vezes: David Rose (1941 a 1944), Vincente Minnelli (1945 a 1951), Sidney Luft (1952 a 1965), Mark Herron (1965 a 1969) e Michael Deans (1969). Teve três filhos Liza Minnelli, Lorna Luft e Joey Luft.