Essa música é da sua época… Qual época?

Não lembro quando começou meu interesse por música. Minha mãe contava que colocava o rádio no meu carrinho quando me levava para passear. Talvez…
Gosto de música de qualidade. Seja pop, rock, jazz, dance, erudita, blues, MPB, disco music, eletrônica, alternativa, new age… Elas precisam ‘acariciar’ meus ouvidos.
Não gosto de sertanejo – seja qual for seu estilo, raiz, universitário, romântico… Não gosto do estilo das vozes, das entonações (odeio falsete), das letras, das melodias… Também não gosto de funk carioca, pois não me identifico com esse universo.

Ano passado fui a uma festa de aniversário. A DJ misturava ‘um pouco de tudo’. Aí, começou a tocar umas velharias interessantes. Animado, empolguei-me a dançar. Depois de alguns minutos, o set list mudou: entrou sertanejo. Parei na hora.
Pouco depois, a organizadora da festa chegou para mim e falou: “Daqui a pouco vai tocar músicas ‘DA SUA ÉPOCA’”. Oi?
Ocorreu-me uma questão: música da minha época? Que época? Se eu estou vivo, hoje é minha época!
É um senso comum acreditar que o que ouvia na ‘minha adolescência’, ‘da época da faculdade’ ou ‘quando me jogava na balada’ representa ‘uma época’. Porém, isso não me representa. Mesmo.

Amo música. Tanto antigas quanto atuais. Tenho vários pen-drives. Tenho um movimentadíssimo com novidades (atualizo mensalmente com os lançamentos nas das Paradas Dance Americana e Inglesa ou quando ocorre o lançamento de algum artista interessante). Tenho outros com coletâneas dos anos 60, 70, 80, 90, 2000, 2010, que também vou atualizando conforme descubro ‘deliciosas velharias’.
Repetindo: gosto de música. De qualidade, de preferência.

Sou ligado ao tempo. As coletâneas são ótimas para entender o que aconteceu em cada ano desde meu nascimento. Com meu conhecimento de cinema e de moda, visualizo o período. Funciona como uma máquina do tempo.
As primeiras que fiz foram músicas Dance dos anos 80. Época das primeiras experiências em pistas de dança. Depois, músicas do universo gay de 70 a 90. Passei para 200 clássicos do MPB – rendeu mais de 200 canções – de 1960 a 1990.
Há 10 anos, uma conhecida comentou que cantoras dos anos 60 estavam presentes em diversos filmes atuais (daquela época). Rendeu uma longa pesquisa com 200 canções de americanas e inglesas. Cada uma com sua data de lançamento.

Depois, pesquisando para uma palestra sobre Moda e Cinema, voltei a me interessar por Disco Music. Rendeu uma longa pesquisa sobre o assunto. Nova coletânea com umas 200 canções.
Ano passado, graças aos filmes da Marvel, comecei uma pesquisa sobre Rocks dos anos 70. Terminei, mas a ambição me levou a continuar com 80 e 90. Estou descobrindo canções incríveis de uma época dominada por vozes masculinas.
Assisto ao canal VH1 com o maior prazer. Cada vez que algo me chama a atenção, vou pesquisar. Antigamente, as pesquisas eram mais complicadas, mas, hoje é muito rápido. Em dois cliques, sei tudo o que importa sobre o novo artista. Não gosto de coisas óbvias, fáceis ou popularescas.
Minha paixão por música rendeu uma lista com as 50 canções que marcaram minha vida. Tempos depois, aumentei para 70… Música tem um maravilhoso poder na memória. Ela transporta para momentos, cenas, situações… Boas ou más, ela tem um poder único.

Hoje, atualizando a coletânea dos anos 60, reencontrei essa belezinha chamada ‘Call Me’, do Chis Montez. Foi a canção tema da personagem Heloísa, feita pela Claudia Abreu (uma das minhas atrizes preferidas) na minissérie ‘Anos Rebeldes’, de 1992. Amei a personagem. Super me identifiquei com ela, na época. Minha memória guarda o momento de exibição de sua cena final, no qual, eu e minha mãe choramos.
(Coluna assinada pelo jornalista Jorge Marcelo Oliveira)

Um comentário

Os comentários estão fechados.