Entenda as diferenças entre Reprodução e Gravura

Artigo assinado pela marchand Lígia Testa – em especial para o MONDO MODA

Poucos lugares são tão acolhedores e gostosos de estar como as lojas dos bons museus, especialmente após visitar as exposições temporárias ou permanentes. Nesses locais encontram-se boas reproduções das obras de arte mais desejadas (e valiosas) do mundo. É importante saber, no entanto, que Reprodução e Gravura são produtos diferentes em vários sentidos.
Atualmente, a reprodução utiliza equipamentos digitais sofisticados e conta com um banco de imagens de obras originais. As imagens podem ser praticamente fiéis ao original, porém, a impressão é meramente gráfica e de tiragem (número de cópias) ilimitada.
E por que podemos ter reproduções de Van Gogh, Monet e Da Vinci, entre tantos outros?

A xilogravura do artista japonês Katsushika Hokusai,“A Grande Onda”, uma das imagens mais reproduzidas do mundo @ Divulgação

Porque a lei determina que, após setenta anos do falecimento do artista, sua obra é de domínio público. Ainda, é natural o artista vivo liberar que suas obras sejam reproduzidas para venda, durante uma exposição, por exemplo. Desta forma, qualquer imagem de obra de arte pode ser impressa, desde que respeitados os direitos definidos por lei.
Reprodução não tem valor como arte. Gravura, sim! Essas têm valor artístico por serem totalmente originais e realizadas artesanalmente.
Então, falemos um pouco da gravura e de sua importância na arte. A gravura é uma arte original, vinda de um processo de impressão artesanal (ou gravação) cujo resultado visual confere bom gosto e sofisticação à decoração. É uma forma acessível de adquirir a obra original de um artista renomado.

Doris Homann @ divulgação

A gravação de imagens para ser utilizada como matriz de impressão sobre papel ou tecido era empregada pelos egípcios e conhecida pelos chineses desde o século II. A redescoberta deu-se na Europa, em meados do século XV, como o grande veículo propagador de imagens e textos.
Há vários tipos de impressões e diferentes matrizes para produzir gravuras. As matrizes mais usuais são: xilogravura (madeira), calcografia (metal), litografia (pedra) e serigrafia (poliéster ou nylon).
As técnicas de impressão podem ser: água-forte, água-tinta, buril, heliogravura, linóleo, maneira negra, ponta seca, processo do açúcar, processo do enxofre, processo do lavis, processo do relevo, verniz mole. Mais recentemente, com a disponibilização da tecnologia, tem-se a chamada fineart, que usa impressão museológica com tinta mineral em papel de excelente qualidade, 100% algodão e com alta durabilidade.
Cada gravura recebe a marcação com o número da cópia e do total delas. Por exemplo, 1/30 é a primeira cópia do total de 30 impressas. Assim, pode-se afirmar que a gravura é um múltiplo da obra original, nomeada, datada e assinada de próprio punho pelo artista.

As informações da gravura, como número da tiragem total, título, assinatura e data @ Reprodução

A gravura exibe um destes códigos do lado esquerdo: número e edição total (1/100 a 100/100, por exemplo), PA (prova de artista), PI (prova de impressão), PE (prova de estado), BPI (bom para imprimir) e HC (hors comerce, para as gravuras fora de comercialização).
Assim, se você não pode ter a tela original de seu artista preferido, avalie positivamente a compra de uma gravura assinada por ele. Lembre-se que só você terá aquela obra – por exemplo – a de número 5 das 30 que ele disponibilizou. E seu ambiente estará com a assinatura de um artista!

Sobre Lígia Testa

Lígia Testa @ Facebook

Graduada em Ciências da Computação, pela Unicamp e Pós-Graduada em Administração, Lígia Testa teve sólida carreira em Tecnologia de Informação por 20 anos.
Desde 2012, considera-se uma estudante de arte: produziu mais de 40 eventos artísticos de vários tipos, exposições com artistas renomados – Antônio Peticov, Adélio Sarro, Inos Corradin e outros – individuais, coletivas.
Tem seu acervo em relevante espaço cultural e galeria em Campinas e em vários marketplaces internacionais.