Visualmente Ratched é incrível, mas o roteiro…

ALERTA SPOILER DO COMEÇO AO FIM DO ARTIGO!

Quanto maior é a expectativa… Maior é a decepção.

Talvez isso explique Ratched, a nova série de Ryan Murphy, que estreou nessa sexta-feira, 18 de setembro.
A trama se baseia na enfermeira Mildred Ratched, a opositora do paciente Randle McMurphy, do filme de 1975 ‘Um Estranho no Ninho’, que rendeu cinco Oscar de Melhor Filme (Michael Douglas foi um dos produtores), Direção (Milos Forman), Roteiro (Bo Goldman e Lawrence Hauben), Ator (Jack Nicholson) e Atriz (Louise Fletcher). É um clássico do cinema americano.
A personagem está no quinto lugar de pior vilã de todos os tempos numa lista preparada pelo American Film Institute em junho de 2003 chamada ‘AFI’s 100 Years… 100 Heroes and Villains. Ou seja, seu ‘background’ é de alto nível.
Sabendo de tudo isso, cinco décadas depois da estreia do filme, Ryan Murphy, criador de ‘Hollywood’, ‘Pose’, ‘American Horror Story’ e ‘Glee, acreditou no potencial da personagem para uma série de oito episódios.
Assim, convidou um elenco de boas atrizes – Sarah Paulson, Judy Davis, Cynthia Nixon, Sharon Stone, Sophie Okonedo (a melhor atuação), Amanda Plummer e Rosana Arquette e seu ator fetiche Finn Wittlock para contar a estória da sádica enfermeira no hospital psiquiátrico de Lucia (uma minúscula cidade na Califórnia).

Sophie Okonedo e Jon Jon Briones em ‘Ratched’ @ Netflix

Com uma produção milionária (a direção de arte, a fotografia, figurinos e cabelos são incríveis), ‘Ratched’ tinha todos os elementos para ser uma das melhores coisas que o Netflix lançou no segundo semestre. Porém… Isso não acontece.
O primeiro grande problema é a sensação de ‘dejá-vu’. No caso, Murphy não teve nem a vergonha de refazer a segunda temporada de ‘American Horror Story: Asylum’. Pior: sem um pingo de originalidade. E não me refiro ao fato de que ambas acontecem em clínicas psiquiátricas entre as décadas de 40, 50 e 60.
Poderia citar a crítica à igreja católica, a lamentável forma que a homossexualidade feminina era tratada, os absurdos que aconteciam no sistema psiquiátrico, a desconstrução das estórias dos protagonistas (estamos carecas de saber que os vilões de Ryan Murphy tem tristes passados de abuso sexual, violência parental, etc), o apreço pelo grotesco, o abuso da bizarrice, entre outros.
Ok. No campo da criação (cinema, televisão, literatura, teatro, artes, música, arquitetura, decoração, entre outros), tudo já foi criado, visto e espremido até última gota. Mas a gente espera um resquício de novidade. Pois, se é para rever uma obra, a gente recorre ao original.
E se não bastasse a descarada ‘homenagem’ a série estrelada por Jessica Lange (sem a genialidade da atuação da mesma, alias), ainda temos vários problemas de lógica.
Entenda: não importa o gênero escolhido. Roteiro precisa ser bem escrito. Se for para criar uma dona de casa de comercial de margarina, ela precisa ser bem construída e coerente com suas escolhas. Até nas erradas. A personagem precisa ‘ter uma verdade’. Caso contrário, ela se afasta do espectador. Não estou dizendo que um roteiro precisa ser limiar. Os melhores filmes de Tarantino não são linear, mas eles têm uma lógica.
Só deixo uma pergunta a quem conseguiu chegar aos últimos minutos da série:

“Alguém me explica o que a personagem da Amanda Plummer fazia naquele carro?”

Sua opinião

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.